Eleições 2022 TSE cassa mandato de deputado federal Neri Geller, de Mato Grosso

TSE cassa mandato de deputado federal Neri Geller, de Mato Grosso

Justiça Eleitoral entendeu que houve 'triangulação' em doações na campanha de 2018; decisão torna deputado inelegível por 8 anos

  • Eleições 2022 | Carlos Eduardo Bafutto, do R7, em Brasília

Deputado federal Neri Geller (Progressistas) se torna inelegível por oito anos

Deputado federal Neri Geller (Progressistas) se torna inelegível por oito anos

Elza Fiúza/10.jun.2014/Agência Brasil

Em decisão unânime, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou, na terça-feira (23), o mandato do deputado federal Neri Geller (Progressistas-MT), eleito em 2018. O parlamentar, que é candidato ao Senado, também está inelegível por oito anos. A ação contra Geller foi ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) por captação ilícita de recursos. 

De acordo com o MPE, foram obtidas provas — por meio de quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça — que apontaram que o parlamentar captou recursos de empresas e os destinou a campanhas políticas, o que é proibido pela legislação eleitoral.

Ao R7, o deputado afirmou que ainda não viu a decisão, mas assegura não fez nada ilegal. "Posso assegurar categoricamente que não há uma vírgula de errado em minhas ações. Não tenho uma vírgula a esconder", afirmou.

O parlamentar, que é produtor rural, destacou que exerce atividade agrícola desde 1998 e faz operações "100% legais" todos os anos. "Apareceram depósitos a duas empresas do ramo de alimentos que levaram a essa celeuma. Esses depósitos foram declarados e tenho os contratos de venda antecipada de 50 mil sacas de soja para uma [empresa] e de milho para outra. Tenho a comprovação da entrega," garantiu.

Triangulação

Segundo o MPE, o esquema teria sido feito por meio de uma triangulação bancária realizada com a participação do filho do deputado, Marcelo Geller. O parlamentar — que é empresário — captava recursos de empresas e transferia as verbas para a conta do filho que as devolvia ao pai. O objetivo das transações seria mascarar a origem do dinheiro utilizado em campanhas.

À reportagem, o deputado afirmou que essa tese não encontra respaldo, pois ele tem uma sociedade com o filho. "Não existe isso, sou sócio do meu filho e essas transações bancárias são perfeitamente naturais", explicou.

De acordo com o processo, Geller doou mais de R$1,3 milhão a 11 candidatos que disputavam cargos de deputado estadual. Segundo o MPE, mais da metade dos recursos foi usada para financiar campanhas de políticos eleitos. Entre os candidatos beneficiados, três eram de partidos coligados à legenda de Geller.

Segundo o ministro Mauro Campbell Marques, relator do caso, a análise dos extratos bancários e de documentos fiscais demonstrou a existência de uma trama financeira para maquiar o recebimento de valores de pessoas jurídicas com destinação eleitoral, o que é proibido. Para o ministro, o esquema é grave o suficiente para justificar a cassação do mandato e a declaração de inelegibilidade. Todos os outros ministros acompanharam o voto do relator de acolhimento do recurso do MPE e reformar a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).

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