Assédio eleitoral no trabalho se torna mais sofisticado, aponta pesquisa do TST
Levantamento analisou 745 processos e identificou pressão política por meios digitais, psicológicos e econômicos
2026|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O assédio eleitoral nas relações de trabalho tem se tornado mais sofisticado e deixado de se limitar a ameaças explícitas de demissão para influenciar o voto dos trabalhadores. É o que aponta uma pesquisa do TST (Tribunal Superior do Trabalho) e do CSJT (Conselho Superior da Justiça do Trabalho), que analisou processos registrados entre maio de 2023 e dezembro de 2025.
O levantamento identificou 745 processos cadastrados na Justiça do Trabalho relacionados ao tema. Desses, 695 tinham informações acessíveis e foram considerados na análise quantitativa. Na etapa qualitativa, foram examinados 138 processos para identificar as diferentes formas de manifestação do assédio eleitoral.
Segundo o estudo, o fenômeno é fortemente associado ao calendário eleitoral. Em 2024, ano das eleições municipais, foram registrados 358 processos, o equivalente a 57,9% de toda a base analisada. A pesquisa, porém, também encontrou casos que não estavam restritos aos períodos de eleição.
Na análise qualitativa, 22 dos 138 processos apresentaram características de assédio eleitoral permanente, enquanto 61 estavam relacionados às eleições municipais de 2024 e 52 às eleições gerais de 2022.
O levantamento mostra ainda que a prática pode ocorrer de diversas formas. Entre os mecanismos identificados estão o assédio psicológico, virtual, econômico, documental, comportamental e verbal.
O terror psicológico apareceu nos 138 processos analisados, enquanto os meios virtuais foram identificados em 113 casos, ou 81,9% da amostra. A modalidade econômica apareceu em 93 processos, equivalente a 67,4%.
Veja Também
WhatsApp e redes sociais
As ferramentas digitais ganharam espaço nas práticas de pressão política dentro do ambiente de trabalho. O uso do WhatsApp foi mencionado em 51 processos, ou 37% da amostra, enquanto as redes sociais apareceram em 20 casos, correspondentes a 14,5%.
A pesquisa também chama atenção para o potencial uso de ferramentas de inteligência artificial generativa para ampliar a desinformação, personalizar mensagens e produzir conteúdos destinados à influência política dos trabalhadores.
Entre as formas de assédio psicológico identificadas estão a criação de narrativas sobre supostas consequências negativas caso determinado resultado eleitoral ocorresse. Já o assédio comportamental pode ocorrer por meio de convocações, recomendações ou advertências políticas, mesmo sem uma ameaça direta de punição.
Ameaça de demissão
Apesar da diversificação das práticas, a pressão econômica continua sendo um dos principais mecanismos de assédio eleitoral.
Dos 138 processos analisados qualitativamente, 67 apresentaram ameaças de demissão, 21 registraram ameaças de destituição de cargos de gerência e 19 envolveram demissões efetivas relacionadas à questão política.
A pesquisa ressalta que o fenômeno não se restringe ao setor privado. Foram identificados casos também em relações de trabalho vinculadas à Administração Pública e em diferentes setores econômicos.
Maioria das ações é individual
A judicialização do problema ocorre principalmente por meio de ações individuais. Do total analisado, 618 processos foram propostos por pessoas físicas, enquanto 58 tiveram o Ministério Público do Trabalho como autor e oito foram ajuizados por entidades sindicais.
Para os pesquisadores, o predomínio das ações individuais voltadas à reparação de danos demonstra espaço para o fortalecimento de mecanismos de prevenção e de atuação coletiva.
A Justiça do Trabalho, segundo o levantamento, apresenta resposta considerada célere nos casos em que há pedidos de tutela de urgência. Quando essas medidas são solicitadas, elas são analisadas rapidamente e apresentam elevada taxa de deferimento.
Nos processos que chegaram ao julgamento de mérito, 68,1% tiveram procedência total ou parcial. A conciliação também aparece como um dos principais mecanismos de encerramento das ações: foram 188 acordos homologados, equivalentes a 31,4% dos processos com desfecho conhecido.
Pressão política além do período eleitoral
Na conclusão, o estudo aponta que o assédio eleitoral está passando por uma transformação. Embora continue fortemente relacionado às eleições, práticas de pressão política também passaram a ocorrer de maneira contínua, acompanhando o cenário de polarização política.
O TST e o CSJT afirmam que o problema ultrapassa a relação individual entre empregador e empregado e pode afetar grupos de trabalhadores, o ambiente organizacional e a liberdade política no local de trabalho.
O levantamento defende, por isso, uma atuação que não fique restrita à reparação dos danos depois que o assédio acontece. Entre as medidas apontadas estão o fortalecimento da prevenção, da atuação coletiva do Ministério Público do Trabalho e dos sindicatos, além de maior cooperação entre instituições e aperfeiçoamento dos sistemas de registro e acompanhamento dos casos.
A pesquisa é apresentada pelo TST e pelo CSJT como o primeiro diagnóstico nacional baseado em evidências sobre o assédio eleitoral nas relações de trabalho sob a perspectiva da Justiça do Trabalho.
🗳️Eleições 2026: leia todas as notícias sobre a disputa
🤳🏽Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp 📲

















