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Eleições 2026: entenda como funciona uma pesquisa eleitoral

R7 entrevistou João Francisco Meira, da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, para entender o processo

2026|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Em 2026, mais de 2.200 pesquisas eleitorais foram registradas no TSE até o início de setembro, com expectativa de aumento desse número.
  • Pesquisas eleitorais utilizam amostras representativas para replicar condições do mundo real, geralmente com cerca de 2.000 entrevistas no Brasil.
  • Definir uma amostra representativa é um desafio, exigindo diversidade em aspectos como profissão, escolaridade, renda e religião.
  • Pesquisas devem ser registradas na Justiça Eleitoral, incluindo detalhes sobre metodologia, financiamento e aspectos técnicos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Pesquisas eleitorais para a Presidência entrevistam cerca de 0,001% do eleitorado brasileiro Divulgação/Agência Senado - 28.12.2015

Em todo ano de eleição, há um personagem que não sai das manchetes dos veículos de imprensa: as pesquisas eleitorais. Nas eleições de 2026, até o início de setembro, mais de 2.200 pesquisas já tinham sido registradas no sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) — e esse número deve subir. Em 2022, foram quase 3.000 pesquisas.

Mas poucos sabem como funcionam as pesquisas, quem está por trás delas e quais são as regras que envolvem sua realização. O R7 entrevistou João Francisco Meira, presidente do Conselho de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), para esclarecer as principais dúvidas relacionadas às pesquisas de intenção de voto.


Como funciona uma pesquisa eleitoral

A pesquisa eleitoral está inserida no rol de pesquisas de opinião pública e parte de um pressuposto que norteia o seu funcionamento: tentar reproduzir em laboratório as condições do mundo real.

“Quando se faz uma pesquisa para saber como está o número de células vermelhas no seu sangue, não precisamos tirar todo o sangue e sair contando uma por uma. A gente vai lá, tira um pouquinho, que é uma amostra representativa do seu sangue”, explica João Meira.


A lógica é ter uma amostra, muito menor que o universo objeto do estudo, para poder tentar replicar o que acontece de forma geral. Para se ter ideia, as pesquisas presidenciais fazem algo em torno de 2.000 entrevistas, o que representa 0,0013% do eleitorado brasileiro.

Por isso, muita gente diz que nunca foi entrevistada. A probabilidade disso acontecer é baixíssima.


O primeiro desafio aparece justamente nessa etapa. Definir quem será entrevistado para compor a amostra é extremamente delicado, já que as empresas de pesquisa precisam chegar a um conjunto de entrevistados que representem a sociedade brasileira.

“Toda amostra tem a intenção de ser representativa daquilo que chamamos de universo. Quando eu faço uma amostra da população, entram os advogados, os garis, os militares, os religiosos, os desocupados, enfim. Entra toda a variedade social que você puder imaginar. Por isso que a amostra tem que cobrir o mínimo de uma certa diversidade”, afirma Meira.


Esse é o motivo pelo qual os entrevistadores precisam perguntar ao cidadão dados de profissão, escolaridade, renda, religião, entre outros aspectos como idade, gênero e local de votação. A pesquisa precisa confirmar de que forma aquela pessoa se encaixa no retrato da população brasileira.

“Se essa parte do universo for representativa do conjunto, ela pode ser generalizada para o conjunto. Por isso, a gente precisa de um estatístico para fazer uma amostra da população”, explica o diretor da Abep.

Depois de definir qual será a amostra, vem a segunda etapa essencial a uma pesquisa: montar o questionário que será aplicado. Essa já não é mais comandada por um estatístico, mas por um pesquisador qualificado.

O diretor da Abep pontua que as perguntas precisam ser formuladas de forma que sejam compreendidas pelos entrevistados, e o formulário não pode usar certas palavras ou colocar as perguntas em determinada ordem de forma que induza o respondente a uma determinada atitude ou resposta.

Para aplicar o questionário, a empresa precisa também definir se vai realizar a pesquisa presencialmente — seja de domicílio a domicílio ou em pontos de fluxo nas ruas —, por telefone ou pela internet.

Regras do TSE para divulgação de pesquisas

A Justiça Eleitoral coloca uma série de regras para que institutos possam publicar seus levantamentos. A mais primordial e que o eleitor precisa estar atento é que toda pesquisa precisa estar registrada no sistema da Justiça Eleitoral. Quando ela é divulgada, deve ser acompanhada do código de registro neste modelo: BR-12345/2026.

No ato do registro, que deve acontecer cinco dias antes da divulgação, as empresas precisam protocolar quem contratou a pesquisa, quanto foi gasto para realizá-la e de onde vieram esses recursos. Além disso, devem detalhar aspectos técnicos, como a metodologia usada, o período em que foram feitas as entrevistas, o questionário aplicado e o estatístico responsável com registro no Conselho Regional de Estatística.

O que é margem de erro e intervalo de confiança

Dois elementos sempre acompanham o resultado das pesquisas de intenção de voto: margem de erro e grau de confiança. Apesar de parecerem coisas semelhantes, elas significam coisas distintas.

A margem de erro é a variação que um resultado pode ter. Ou seja, se a pesquisa apontou que um determinado candidato tem 10% das intenções de voto e a margem de erro é de dois pontos percentuais, esse candidato pode ter de 8% a 12%.

O grau de confiança, por sua vez, quer dizer qual é o nível de certeza naquele resultado. “Se eu fizer 100 vezes a mesma pesquisa, com a mesma amostra, com a mesma estrutura, com o mesmo questionário, em 95 vezes, o resultado vai estar dentro da minha margem de erro, entre 8% e 12%”, explica João Francisco Meira, simulando uma pesquisa de 95% de confiança.

Para os outros cinco resultados, não há certeza de onde ele estará. Eles até podem cair dentro da margem de erro, mas o instituto de pesquisa não pode cravar isso.

Para aumentar o intervalo de confiança e reduzir a margem de erro, só há uma forma: aumentar o tamanho da amostra. Mas João Meira explica que aumentar o tamanho da amostra, mantendo sua representatividade do universo, traz novos desafios aos institutos, o que faz com que não valha a pena fazer.

No que o eleitor precisa prestar atenção

O registro da pesquisa no sistema da Justiça Eleitoral dá a oportunidade para o eleitor conferir todas as minúcias que envolvem esse processo tão complexo. Para João Meira, a informação mais relevante é saber quem está pagando o levantamento, “porque empresa de pesquisa não é entidade beneficente”.

“É importante ficar transparente quem é que está financiando aquele trabalho. Hoje em dia nós temos um grande problema. Em cerca de metade das pesquisas, as empresas dizem que fazem com os seus próprios recursos. R$ 20 milhões investidos em pesquisa com recurso próprio, para quê? É estranho. Então, tem que ir atrás do dinheiro para ter mais informação.”

Além do financiamento, o diretor da Abep aconselha ao eleitor que dê atenção a empresas que publicam os resultados completos, com cruzamentos por região, idade, sexo, escolaridade e renda, e que têm uma série de pesquisas publicadas, para poder acompanhar a evolução dos dados.

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