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Eleições 2026: por que as pesquisas eleitorais podem ‘errar’?

Presidente da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa explica que intenção de levantamentos não é prever o resultado da urna

2026|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pesquisas eleitorais são retratos de momento e não previsões do resultado final das urnas.
  • Fatores como propaganda eleitoral e mudanças de opinião dos eleitores podem alterar resultados entre pesquisas e o dia da votação.
  • Abstenção e falta de respostas precisas dos entrevistados são desafios para a precisão das pesquisas.
  • A proposta do "Selo Acurácia Eleitoral" pelo TSE gerou críticas por possivelmente desestimular pesquisas sérias.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Intenção de voto só coincide com o resultado das urnas em processos estáveis ou por sorte Alejandro Zambrana/Secom TSE - 02.12.2025

O período eleitoral abre a temporada das pesquisas eleitorais, divulgadas quase diariamente. Nas eleições de 2026, até o início de setembro, mais de 2.200 pesquisas já haviam sido registradas no sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) — e esse número deve subir. Em 2022, foram quase 3.000 pesquisas.

E uma dúvida sempre paira na mente do eleitorado: por que as pesquisas eleitorais “erram”? Isso porque, muitas vezes, os levantamentos podem ter resultado bem diferente da contagem de votos nas urnas, mesmo quando realizados pouco antes do pleito.

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Para entender o processo que leva uma pesquisa de intenção de voto a “errar ou acertar” um resultado, o R7 entrevistou João Francisco Meira, presidente do Conselho de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep).

Por que pesquisas eleitorais ‘erram’

“Errar” o resultado das urnas é algo inerente à natureza de uma pesquisa de intenção de voto e, por isso, esse nem é o seu objetivo.

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João Meira explica que processos eleitorais estão sujeitos a diversas variáveis que fazem com que o eleitor mude de ideia ao longo do tempo.

“Todas as pesquisas aspiram a ser representativas do conjunto da sociedade, mas não são”, afirma. “A resposta [de uma pesquisa de intenção de voto] é sobre uma predisposição em relação à qual eu não tenho nenhum compromisso assinado, firmado e contratado de amanhã mudar de ideia”, completa o diretor da Abep.

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As propagandas eleitorais, os ataques de candidatos a opositores e as notícias que saem na imprensa são fatores que podem mudar o voto de eleitores entre uma pesquisa e outra e entre as pesquisas e o dia da votação.

Além disso, existem aspectos que as pesquisas não conseguem contornar na hora de entrevistar o eleitor. Pessoas que se recusam a responder, que mentem ou que respondem à pesquisa, mas no dia da votação não comparecem às urnas, são elementos que interferem no resultado do levantamento.

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A abstenção, por exemplo, é uma grande dificuldade para os institutos de pesquisa.

Uma pesquisa BTG/Nexus de 31 de agosto deste ano levantou que apenas 3% das pessoas dizem que não devem comparecer à votação.

No entanto, a abstenção nos dois turnos das eleições de 2022 girou em torno de 21% — uma disparidade de 18 pontos percentuais.

“Ninguém chega para você faltando 50 dias para a eleição e diz: ‘Não vou votar não’. As razões para não votar são razões conjunturais, são razões de momento. Então, chega no domingo, dia da eleição, o cara tá com um filho doente, por exemplo.”

Resumindo, o objetivo de uma pesquisa de intenção de voto não é cravar o resultado ou fazer uma previsão do que sairá das urnas. Os levantamentos são fotografias que captam aquilo que o eleitor está pensando naquele momento específico em que responde ao pesquisador.

“Quando a intenção de voto coincide com o voto, ou é sorte ou é resultado de um processo cuja estabilidade já se demonstrou desde muito tempo”, afirma o diretor da Abep.

“Alguns processos eleitorais são muito estáveis e as escolhas são feitas com muita antecedência. As pesquisas vão medindo, e na eleição dá o que aquilo vinha acontecendo. E às vezes não.”

A pesquisa boca de urna

João Meira explica que a única pesquisa que não deve errar, ou que precisa errar menos, é a famosa pesquisa de boca de urna. Ela é realizada no dia da votação, na porta das seções eleitorais, e pergunta ao eleitor “em quem você votou?”, e não “em que você votaria?”.

Essa diferença faz com que ela deixe de ser uma pesquisa de opinião e passe a medir o comportamento do eleitor, levantando dados baseados em fatos concretos que já aconteceram.

“Existe uma aura em torno da pesquisa, que a pesquisa tem que acertar. É muito barulho por nada. Isso realmente apenas indica o grau de primarismo da discussão aqui no Brasil”, afirma João Meira.

Proposta de selo de acurácia

Em julho deste ano, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, propôs a criação do “Selo Acurácia Eleitoral”, para “reconhecimento e valorização” de empresas cujos resultados dos levantamentos se aproximem da contagem final das urnas.

De pronto, a maioria dos institutos de pesquisa se posicionou de forma contrária à medida. João Francisco Meira classifica o projeto como uma “péssima ideia”. “Ela desestimula os que fazem pesquisa séria a fazer pesquisa na véspera de eleição, porque corre o risco de ser ‘despremiado’”, explica o especialista.

“Ao mesmo tempo, estimula quem faz pesquisa picareta a fazer um agregador, dizer que fez uma pesquisa, jogar um número qualquer e talvez chegar perto do resultado e dizer: ‘Aí, foi bem’. Isso é péssimo”, complementa o diretor da Abep.

O TSE foi procurado pela reportagem para dar detalhes de como o projeto está sendo desenvolvido no tribunal e se ele já seria aplicado nas eleições deste ano, mas não respondeu.

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