Escolha do PSD por Caiado mira eleitorado de direita após mudanças no cenário político
Analistas comentam que movimento leva em consideração o cenário da direita após a inelegibilidade de Bolsonaro
2026|Mariana Saraiva e Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

À medida que as eleições de 2026 se aproximam, o cenário político brasileiro começa a ganhar contornos mais definidos, com a consolidação dos principais nomes na disputa presidencial. O PSD oficializou a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República nessa segunda-feira (30).
Analistas ouvidos pelo R7 avaliam que a escolha do PSD sinaliza uma mudança de posicionamento em um cenário político marcado pela polarização entre direita e esquerda, com redução do espaço para candidaturas de centro.
Para Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, a decisão representa uma inflexão estratégica do partido. “Ao optar por Caiado, com um perfil mais alinhado à direita pragmática, o PSD indica que a viabilidade eleitoral, neste momento, está associada à capacidade de gestão e entrega de resultados, especialmente em áreas como segurança pública”, afirma.
Segundo ele, o espaço para candidaturas de centro tem se mostrado cada vez mais restrito. “O eleitorado de centro, isoladamente, não tem se mostrado suficiente para sustentar uma candidatura competitiva. Eduardo Leite, apesar de qualificado, enfrenta dificuldades para ampliar sua presença nas pesquisas nacionais. A aposta em Caiado busca dialogar com um eleitorado de direita que prioriza eficiência administrativa e estabilidade”, diz.
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Estratégia política
Na avaliação de Coimbra, o movimento do PSD também leva em consideração o cenário da direita, especialmente após a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Com o PL dependendo da transferência de votos para Flávio Bolsonaro, o PSD tenta se posicionar como uma alternativa viável para uma direita mais moderada e com menor grau de conflito institucional”, afirma.
Em um aceno ao eleitorado bolsonarista, Caiado prometeu que o primeiro ato da gestão dele, caso eleito, será conceder uma “anistia ampla, geral e irrestrita” ao ex-presidente e aos envolvidos nos atos do 8 de Janeiro.
Segundo o pré-candidato, o objetivo da medida é “pacificar o Brasil” e encerrar definitivamente esse assunto.
Reconfiguração do centro
Para o cientista político Gabriel Amaral, a escolha por Caiado evidencia uma transformação mais ampla no sistema político brasileiro.
“O centro deixa de ser um espaço fixo e passa a funcionar como uma estratégia em disputa. O ambiente atual não favorece posições ambíguas, o que pressiona os partidos a adotarem posicionamentos mais definidos”, analisa.
“O partido deixa de priorizar nomes com maior capacidade de diálogo amplo e passa a investir em candidatos com maior potencial de protagonismo em um cenário de disputa mais acirrada”, acrescenta.
O comentarista político Gabriel Petter avalia que, embora a pré-candidatura de Caiado represente um movimento relevante, sua viabilidade eleitoral ainda é incerta.
“Ele pode não se consolidar como um candidato competitivo no centro, mas pode influenciar a distribuição de votos no campo da direita, especialmente em um eventual segundo turno”, afirmou.
Negociação no PSD
Antes da escolha por Caiado, também eram cotados dentro do PSD para encabeçar o projeto nacional do partido os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná).
Segundo o presidente do PSD, Gilberto Kassab, a definição ocorreu após um processo interno que avaliou o desempenho administrativo e a projeção política dos três nomes.
Apesar do discurso de unidade, a escolha foi precedida por meses de negociações e divergências dentro da sigla. Ratinho Júnior acabou desistindo da disputa, enquanto Leite intensificou, nas últimas semanas, sua articulação em busca de apoio interno.
Durante o anúncio, Caiado destacou o caráter coletivo da decisão e elogiou a condução do processo.
“É um partido com estrutura sólida, que me convidou para participar deste momento ao lado de colegas preparados, como Ratinho e Eduardo Leite. Tivemos uma convivência respeitosa sob a liderança de Kassab, que conduziu a definição da candidatura.”
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