TSE registra queda no eleitorado de 16 e 17 anos após pico em 2022
Queda no voto jovem reflete polarização, demografia e descrença, segundo especialistas; prazo para tirar título vai até 6 de maio
2026|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) revelam uma redução no número de adolescentes de 16 e 17 anos aptos a votar em 2026 em comparação com o público dessa faixa etária que se alistou para o pleito de 2022, que registrou um pico de jovens que tiraram o título de eleitor em ano de eleições gerais.
Segundo os dados mais recentes do tribunal eleitoral, até abril o país tinha pelo menos 1.612.870 adolescentes com a situação eleitoral regularizada e aptos a votar. Há quatro anos, ao menos 2.116.781 jovens de 16 e 17 anos tiraram o título de eleitor, um salto de 51,13% em relação a 2018. O crescimento foi impulsionado por campanhas digitais e forte mobilização nas redes sociais.
Apesar da queda, o cenário ainda pode mudar. O prazo final para tirar ou regularizar o título de eleitor vai até 6 de maio, e, historicamente, há um aumento significativo na procura na reta final.
Por enquanto, os dados referentes a 2026 também mostram que o público adolescente em condições de votar é menor do que a quantidade de adolescentes que compareceram às urnas nas eleições de 2024 e 2022. Veja a seguir:

O que explica a queda?
Especialistas ouvidos pelo R7 apontam que a queda não necessariamente indica um desinteresse definitivo, mas sim uma combinação de diversos fatores estruturais.
Para o advogado especialista em direito eleitoral Newton Lins, o fenômeno atual precisa ser analisado com cautela. Segundo ele, 2022 foi um ponto fora da curva, causado quase unicamente pela polarização que o país enfrentava, e que enfrenta até hoje.
“O que aconteceu ali foi uma mobilização quase cultural, impulsionada por influenciadores e pela polarização de uma eleição presidencial. Quando essa onda recua, os números naturalmente acompanham”, explica.
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Ele ressalta que eleições municipais, como as de 2024, costumam gerar menos engajamento entre jovens, já que os temas nacionais perdem protagonismo. Ainda assim, ele alerta para um possível problema mais profundo.
“Existe um paradoxo global: jovens estão mais informados, mas se sentem menos representados. No Brasil, isso é agravado por escândalos e pela polarização, o que pode gerar a percepção de que o voto não faz diferença”, afirma.
Já o secretário-geral da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-DF, João Marcos Pedra, aponta também fatores demográficos.
“Estamos vivendo um envelhecimento da população. Hoje, há menos jovens proporcionalmente e mais pessoas idosas. Isso impacta diretamente o tamanho desse eleitorado”, diz.
Além da polarização, João Marcos acrescenta outras causas, como A grande quantidade de escândalos envolvendo figuras políticas.
“Mensalão, a Lava Jato e agora o caso Master. Tudo isso gera uma descredibilização para o cenário político. Voluntariamente, isso também impacta diretamente no interesse populacional. [...] Aqueles que estão entrando nesse cenário atualmente, eventualmente têm a capacidade de se verem sem esperança”, analisa.
Participação ainda jovem pode crescer
O prazo final para tirar, transferir ou regularizar o título de eleitor termina em 6 de maio. Para quem tem entre 15 e 17 anos, o voto é facultativo, mas o documento já pode ser solicitado, desde que o jovem complete 16 anos até o dia da eleição (4 de outubro).
Newton Lins defende ações mais estruturais para ajudar na participação eleitoral dos jovens, como parcerias com influenciadores, campanhas dentro das escolas e educação política contínua. “O efeito de urgência funciona, mas não pode ser a única estratégia”, opina.
Programas como o “Eleitor do Futuro”, do TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal), citado por João Marcos Pedra, também tentam antecipar esse engajamento.
“É um programa voltado para o público do sexto ao nono ano e busca justamente alcançar esse público, que ainda está prestes a iniciar a participação no processo eleitoral, para que, ao completarem 16 anos, já estejam aptos a tirar o título de eleitor”, comenta.
Exercício da cidadania
Votando pela primeira vez, Melissa Santiago, 17 anos, moradora do Gama (DF), acredita que o momento é de descoberta e também de posicionamento.
“É extremamente necessário que cada vez mais jovens voltem a participar da política. Acredito que isso foi se perdendo com o passar do tempo. Antigamente, os mais engajados éramos nós, jovens, e hoje vem se perpetuando uma ideia de desimportância desse papel”, afirma.
Ela vê o voto como algo que vai além de uma obrigação formal: “Acredito que o voto é uma mistura de três coisas: é um direito, um dever e uma forma de expressão. É quando mostramos no que acreditamos.”
Como tirar ou regularizar o título
O processo deve ser iniciado preferencialmente pelo site do TSE ou pelo app e-Título, mas quem ainda não possui biometria cadastrada precisará comparecer presencialmente a um cartório eleitoral para concluir a validação.
Para quem está com o documento irregular, o caminho é quitar eventuais multas via Pix ou boleto no portal de autoatendimento da Justiça Eleitoral e solicitar a regularização antes do fechamento do cadastro.
Após o dia 6 de maio, nenhuma alteração poderá ser feita no cadastro eleitoral até o fim do pleito, impedindo quem estiver em débito de votar em outubro.
*Estagiária do R7 sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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