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Lula e Flávio dedicam quase o mesmo espaço para economia e segurança em plano de governo

Estudo analisa os pontos de maior destaque nas propostas dos candidatos do PT e do PL

2026|Renato Jakitas, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro foram comparados com o uso de inteligência artificial para identificar temas mais citados e diferenças ideológicas.
  • Na economia, Flávio Bolsonaro propõe cortes de gastos e privatizações, enquanto Lula defende o aumento do investimento público.
  • Ambos dedicam 5,3% dos planos à segurança pública, mas com abordagens distintas: Lula foca em resultados passados, enquanto Flávio Bolsonaro propõe medidas mais extremas.
  • Os planos tratam da questão das mulheres de formas diferentes, com Flávio Bolsonaro dedicando 9% do plano a programas específicos e Lula integrando o tema em diversos projetos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mapa de calor mostra sobre o que Lula e Flávio Bolsonaro mais falam em seus planos de governo Montagem: Ricardo Stuckert/PR – Arquivo; Saulo Cruz/Agência Senado – Arquivo

São páginas e páginas que pouca gente lê, mas os planos de governo dos candidatos representam peças centrais nas campanhas políticas. Para facilitar a vida dos eleitores, o R7 comparou os projetos publicados pelos dois principais postulantes ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A ideia é entender se as diferenças exibidas nos discursos em cima do palanque se repetem nos documentos protocolados na Justiça Eleitoral.

Com a ajuda de inteligência artificial generativa do Claude, a reportagem analisou linha a linha os dois documentos. O texto de cada plano de governo foi dividido em capítulos temáticos, seguindo a estrutura de sumário definida pela própria campanha e comparada com os temas que não se resumem apenas a um e outro segmento. Os temas foram medidos em número de palavras e depois convertidos em percentual sobre o total do plano.


O resultado é uma espécie de mapa de calor dos dois programas de governo, parecido com aqueles mapas que jogadores de futebol deixam em campo ao fim de uma partida, mostrando em quais áreas atuaram com mais intensidade.

E a conclusão é que os planos não divergem tanto na pauta. A diferença marcante fica para a ênfase e para o enquadramento dado aos temas, que se adaptam aos interesses de cada campo que os candidatos representam.


Economia

Essa tendência fica escancarada nas passagens dos planos dedicadas à economia. No documento de Flávio Bolsonaro, o eixo responde por 15,6% do texto. No de Lula, por 13,7%. Mas, no conteúdo, cada um resolve de um jeito oposto.

Flávio Bolsonaro concentra a proposta econômica no corte de gastos, que ele nomeou como um “Tesouraço”. O texto descreve como “um corte profundo e por todos os lados, que enxuga a máquina, coloca as contas em ordem e reduz os impostos que pesam sobre quem produz”, ou seja, reduz impostos dos empresários.


O documento também retoma a ideia de privatização, defendendo dar sequência ao Programa Nacional de Desestatização, “avaliando caso a caso onde a presença do Estado deixou de fazer sentido”.

Lula vai por outro caminho, o de ampliar o investimento público. O texto cita a Nova Indústria Brasil, política industrial que, segundo o documento, “terá disponibilizado R$ 860 bilhões entre 2023 e 2026”, além do Novo PAC, que teria levado o investimento em infraestrutura a “R$ 280 bilhões” em 2025, com a meta de fechar 2026 em “R$ 300 bilhões”.


Temas como economia e soberania são os mais citados dentro do plano de governo de Lula (PT) Arte feita com ajuda da Inteligência Artificial

Segurança

Os dois planos dedicam a mesma proporção de texto à área da segurança pública: 5,3%. Mas, como acontece na economia, eles diferem bastante.

Lula ancora a proposta em resultados do último mandato, citando a Lei Antifacção, sancionada em 2026, como estratégia de asfixia financeira ao crime organizado. Segundo o plano do petista, esse modelo, que deve ser ampliado, “já permitiu, desde 2023, causar R$ 35,8 bilhões de prejuízos às organizações criminosas”.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, defende medidas mais extremas. Ele fala em “aprovar e implementar a castração química de criminosos que abusam de mulheres e crianças” condenados pela Justiça, além da criação de um novo complexo penitenciário chamado de TREVA, pensado, segundo o documento, para “tirar o medo do cidadão e botar medo no bandido”.

Após segmentos econômicos, a temática feminina está entre as mais representativas do plano de Flávio Bolsonaro Arte feita com a ajuda da inteligência artificial

Propostas para mulheres

Um dos temas mais destacados durante os eventos de lançamento das campanhas dos dois candidatos, as mulheres recebem espaço considerável dentro dos planos.

A campanha de Flávio Bolsonaro dedica 9% do plano para elas, com destaque para um capítulo chamado ‘Brasil por Elas’.

Já o candidato do PT não tem capítulo próprio sobre mulheres, que aparece ao longo dos demais projetos, consumindo no programa Lula um total de 5% das propostas.

Lula trata do assunto pelo viés econômico, com o objetivo de reduzir a desigualdade, e também pelo da segurança, num programa chamado Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, já em vigor.

Segundo o texto, em seis meses o pacto gerou “dez leis e cinco decretos”, além de medidas como a ampliação das Casas da Mulher Brasileira, o funcionamento 24 horas das Delegacias de Defesa da Mulher em regiões de maior demanda e a manutenção da Lei da Igualdade Salarial.

Já o plano de Flávio Bolsonaro opera em torno do capítulo “Brasil por Elas”, com uma lista de 12 programas, entre eles a Central da Mulher, um aplicativo de emergência com assistente de inteligência artificial chamado ClarIA, o programa Casa Segura, voltado à aquisição de imóvel em nome da mulher, e o Creche Garantida, para ampliar o acesso a vagas de creche como forma de sustentar a autonomia financeira feminina.

Favelas e periferias

O levantamento também identificou uma diferença de vocabulário entre os dois planos para tratar do mesmo tipo de território. Lula usa as palavras “favela” ou “periferia” 14 vezes ao longo do texto, sempre associadas a investimento público. O plano cita, por exemplo, a criação do programa Periferia Viva, pelo qual, segundo o texto, o governo “volta a investir em urbanização de favelas e em regularização fundiária”.

Flávio Bolsonaro não usa nenhuma das duas palavras em todo o documento. O território aparece descrito de outra forma, ligado ao enfrentamento ao crime. O plano promete “retomar as áreas hoje sob domínio de facções, devolvendo aos moradores a liberdade de ir e vir na própria comunidade”.

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