‘Quarta presidência é para mudar muita coisa’, diz Lula ao criticar relação com o Congresso
Petista defendeu o trabalho feito durante sua gestão e disse ser a última vez que participa da corrida eleitoral
2026| Tainá Farfan, da RECORD, em São Paulo, e Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Ao anunciar sua candidatura à reeleição em São Paulo, neste domingo (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o trabalho feito durante sua gestão e disse ser a última vez que participa da corrida eleitoral.
Segundo ele, caso siga no Planalto, terá “briga com emenda parlamentar” e com o “papel do poder Legislativo”, condenando altos recursos destinados aos fundos partidários.
“Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Porque isso está levando os partidos políticos à promiscuidade. Eu quero que vocês saibam que a minha quarta presidência é para mudar muita coisa neste país. Vai ter briga com emenda parlamentar, vai ter briga com o papel do poder Legislativo”, comentou.
📌Fundo Partidário é um recurso do orçamento do governo federal destinado às despesas cotidianas dos partidos políticos. As verbas são provenientes de multas, penalidades, doações e outros recursos definidos por lei.
Lula chegou a argumentar que existem partidos que ganham até R$ 1 bilhão por ano.
E afirmou que não pretende ser o “Lulinha paz e amor”, mas o “Lulinha porreta” em um eventual quarto mandato. Ele reconheceu os limites de sua gestão e afirmou que nem sempre consegue atender a todas as demandas. “Sei que nem sempre pude entregar tudo que queriam, mas governando não se faz o só que quer.”
Não quer voto de agressor
Durante o discurso, também criticou os índices de violência contra mulher, afirmando que não deseja receber votos de agressores.
“O cara vai ter que escolher. Ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. [...] Duvido que um governo tenha colocado tanto dinheiro nos estados… 99% receberam uma obra ou equipamento do PAC. Temos autoridade moral de defender com orgulho o que nós fizemos, comentou.
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Lula terá como aliados em sua coligação os partidos PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, além de PSOL, Rede, PSB e PDT, parte da base de apoio à corrida eleitoral.
Pé-de-Meia e educação
O petista defendeu a criação de programas como Pé-de-Meia e incentivo à indústria, além da retomada da demarcação de terras indígenas e de investimentos nos estados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e na educação, por exemplo.
“Eu sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o problema da educação neste país. Eu sou candidato pela quarta vez porque quero pagar a dívida com os idosos. Tenho 80 anos e hoje estou infinitamente melhor do que quando eu tinha 50 anos e estava no meu primeiro mandato.”
Investimento na defesa
Em meio à tensão com os Estados Unidos, Lula defendeu que o Brasil passe a investir na indústria da defesa e esteja “preparado” caso alguém decida invadir o país. Apesar de não ter citado Nicolás Maduro, o petista fez referência à prisão do presidente venezuelano pelo governo de Donald Trump.
“Quero pedir para o pessoal da esquerda parar com essa bobagem de achar que a gente não tem que ter preocupação com a defesa”, disse. “Quero estar preparado para que ninguém invada este país e leve o presidente, como eles invadiram.”
Planejamento para o Brasil
Em seu discurso, Lula defendeu a definição de prioridades nacionais em um planejamento de longo prazo e afirmou que o país precisa estabelecer um projeto com horizonte de 10 a 15 anos. “Precisamos decidir o que é prioridade no país”, frisou ele.
O presidente também comentou temas ligados à juventude e planejamento familiar, dizendo que uma jovem que tem filhos aos 16 anos “joga o futuro fora”. E defendeu o direito de escolha das mulheres, ao destacar que a mulher “tem que ter filho quando quiser”.
Alckmin ataca descrença nas urnas
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que adversários políticos descrentes no voto popular não deveriam ser candidatos à Presidência.
Ele lembrou, sem mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que a oposição elaborou um golpe de Estado ao perder as eleições de 2022.
“Tinham como projeto assassinar aqueles que foram eleitos pelo povo. Pelo voto popular, não deveriam sequer ter sido candidatos à Presidência”, disse, durante a Convenção Nacional do PT, em São Paulo.
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