Zema defende anistia aos condenados de 8 de janeiro
Em meio a surto de sarampo em SP, ex-governador disse que vacinação deve ser escolha dos pais
2026|Do R7
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O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) prometeu anistiar os condenados pela trama golpista de 8 de janeiro de 2023 e defendeu, em meio a um surto de sarampo em São Paulo, que a vacinação infantil continue sendo escolha dos pais, não uma obrigação do Estado.
“Eu darei anistia ou, pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político, um tribunal que seja judicial, porque o que nós vimos no Brasil foi perseguição”, afirmou o candidato, ao comentar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus pelo Supremo Tribunal Federal.
O julgamento a que Zema se referiu, concluído no fim de 2025, condenou 29 pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro, a penas de até 27 anos e 3 meses de prisão, por planejar um golpe de Estado para impedir a alternância de poder após as eleições de 2022.
Em entrevista à Rede Globo, o candidato argumentou que só comete crime quem “leva o crime adiante” e citou como exemplo o caso de uma mulher condenada por depredar um monumento em Brasília durante os atos de invasão das sedes dos três Poderes, um processo distinto do que condenou a cúpula golpista.
Sobre vacinação, Zema disse que tomou todas as doses contra a Covid-19 e recomendou a imunização das crianças durante seu governo em Minas Gerais, mas voltou a defender que a obrigatoriedade não deve se tornar uma exigência legal.
“Eu não posso permitir que uma família, uma criança, seja perseguida porque alguém não tomou a vacina”, disse o candidato do Partido Novo.
Questionado se a decisão individual de não vacinar coloca em risco o restante da população, como no atual surto de sarampo, que já soma casos confirmados em São Paulo, o candidato reconheceu o risco.
“Coloca, sim”, respondeu, antes de deslocar o foco da resposta para a segurança pública, argumentando que o governo deveria se concentrar em combater “bandidos que estão matando sem parar”, e não em quem opta por não vacinar os filhos.
Inspiração em El Salvador?
Na parte da entrevista dedicada à segurança pública, Zema apresentou o modelo adotado por El Salvador, sob o presidente Nayib Bukele, como referência. Disse ter sido o único candidato a visitar o país, em maio do ano passado, e atribuiu à política salvadorenha uma redução de 99% nos homicídios em quatro anos.
Os números oficiais mostram uma queda expressiva, mas não exatamente nesses termos. A taxa de homicídios em El Salvador caiu de 18,1 para 1,9 por 100 mil habitantes entre 2021 e 2024, uma redução de cerca de 89,5% em três anos. Um recuo de 99% só se verifica na comparação com o pico de 2015, quando o país tinha a maior taxa de homicídios do mundo, um intervalo de quase uma década.
No Brasil, foram registrados 40.775 homicídios em 2025, uma queda de 8,2% em relação ao ano anterior e o menor patamar em 13 anos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Ao ser questionado sobre os métodos usados por Bukele para alcançar essa redução, como prisões em massa sem mandado, suspensão de garantias processuais e julgamentos coletivos de centenas de réus, Zema rejeitou cada um deles.
“Não concordo. Nós temos no Brasil um sistema judiciário robusto, só que extremamente caro e lerdo, que eu também quero reformar”, disse.
Pressionado a explicar como pretende obter o mesmo resultado sem recorrer a esses instrumentos, o candidato não apresentou um mecanismo alternativo e voltou a defender os resultados observados no país centro-americano, citando o retorno de salvadorenhos que viviam no exterior.
Organizações terroristas
Como propostas concretas para a segurança pública, Zema defendeu que a terceira ocorrência criminal de um mesmo indivíduo resulte automaticamente em prisão preventiva.
Ele também afirmou que pretende enquadrar facções criminosas como organizações terroristas.
Segundo ele, cerca de 60 milhões de brasileiros vivem hoje em áreas sob controle de grupos criminosos.
Reajuste de salário mínimo
Na área econômica, Zema garantiu que o salário mínimo continuará sendo reajustado pela inflação, mas evitou se comprometer com a manutenção do ganho real acima da inflação, hoje vinculado ao crescimento do PIB dos dois anos anteriores.
“Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação”, afirmou, condicionando qualquer ganho adicional ao desempenho da economia. “Se a economia tiver indo bem, se nós tivermos as contas equilibradas, sim.”
O candidato associou esse cenário à sua principal meta para os juros. Ele afirmou que, ao buscar ajuste fiscal, é capaz de reduzir a taxa básica dos atuais 14% para 6% ao ano por meio de “um governo sério, com credibilidade, combatendo corrupção e fraudes”, o que geraria, segundo ele, uma economia de R$ 800 bilhões por ano em pagamento de juros da dívida pública. Zema não detalhou como pretende viabilizar essa queda na prática.
Idade para aposentadoria
Sobre a reforma da Previdência, Zema defendeu que a idade mínima de aposentadoria passe a subir automaticamente conforme aumenta a expectativa de vida da população, mas afirmou que não pretende alterar as regras atuais no curto prazo.
“Por ora, não. Nós vamos mexer à medida que a expectativa de vida aumentar”, disse.
O candidato não apresentou parâmetros para mudanças nas regras de trabalhadores rurais nem de militares, temas sobre os quais foi questionado diretamente.
Como parte do ajuste fiscal, Zema voltou a defender a simplificação das leis trabalhistas e a criação de um regime de trabalho por hora, com o objetivo de formalizar parte dos 40 milhões de brasileiros que hoje trabalham sem carteira assinada.
Para ele, essa formalização ampliaria a arrecadação previdenciária sem exigir mudanças mais duras nas regras de aposentadoria.
Privatização de empresas
O candidato também reafirmou o compromisso de privatizar estatais como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, dentro de uma meta de ajuste fiscal equivalente a 2% do PIB, cerca de R$ 260 bilhões.
Como referência, citou a venda de 118 empresas e participações estatais durante seu governo em Minas Gerais, ressalvando que não conseguiu vender a Cemig, a maior estatal do estado.
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