1 em cada 3 jovens já se afastou do trabalho por saúde mental
Estudo mostra crescimento de afastamentos no trabalho por saúde mental entre jovens adultos
Fala Ciência|Do R7

A entrada da Geração Z no mercado de trabalho está revelando um problema cada vez mais evidente: o impacto direto do ambiente profissional na saúde mental dos jovens adultos. Um novo levantamento aponta que esse grupo já enfrenta níveis preocupantes de desgaste emocional, a ponto de muitos precisarem se afastar do emprego.
Segundo pesquisa da Serasa Experian, cerca de 3 em cada 10 jovens entre 18 e 28 anos já precisaram se afastar do trabalho por questões relacionadas à saúde mental. O estudo ouviu 233 pessoas de diferentes regiões do Brasil no final de 2025 e evidencia uma mudança importante no cenário corporativo atual.
Pressão no trabalho e desgaste emocional acumulado
Os dados mostram que o problema não está ligado a um único fator, mas sim a um conjunto de pressões que se acumulam no dia a dia profissional. Entre os principais pontos citados estão:
• excesso de cobrança por desempenho
• jornadas longas e intensas
• insegurança sobre o futuro profissional
• falta de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho
Esses elementos podem contribuir para o desenvolvimento de estresse crônico, ansiedade e sensação de esgotamento, aumentando o risco de afastamento do ambiente de trabalho.
Falar sobre saúde mental ainda não é fácil no ambiente corporativo
Apesar de o tema estar mais presente nas empresas, a prática ainda não acompanha totalmente o discurso. De acordo com a pesquisa, cerca de 6 em cada 10 jovens afirmam que suas empresas falam sobre saúde mental, mas isso nem sempre se traduz em ações efetivas.
O dado mais sensível, porém, é outro: apenas 28% dos entrevistados se sentem confortáveis para falar sobre saúde mental no trabalho.
Isso indica que, mesmo com maior abertura no discurso, ainda existe uma barreira importante de comunicação dentro das organizações, o que pode atrasar a busca por ajuda e agravar sintomas emocionais.
Geração Z busca um novo modelo de trabalho

O levantamento também indica que a Geração Z prefere uma forma de trabalho diferente daquela adotada por gerações anteriores. Entre as principais expectativas estão:
• flexibilidade de horários
• equilíbrio entre vida pessoal e profissional
• ambientes mais saudáveis emocionalmente
• políticas reais de bem-estar no trabalho
Quando essas expectativas não são atendidas, o risco de insatisfação e afastamento aumenta.
Mudanças na lei começam a pressionar empresas
O cenário corporativo também está sendo impactado por mudanças regulatórias. A atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) passou a incluir os chamados riscos psicossociais na gestão de segurança das empresas.
Isso significa que agora devem ser consideradas práticas como:
• controle de carga de trabalho
• prevenção de estresse ocupacional
• revisão de metas abusivas
• canais de apoio psicológico
• ações de bem-estar corporativo
Embora ainda exista um período de adaptação, a medida sinaliza que a saúde mental no trabalho está se tornando uma responsabilidade formal das empresas.
Um alerta sobre o futuro do trabalho
Os dados apontam para uma mudança clara: a saúde mental deixou de ser um tema secundário e passou a ocupar um papel central na relação entre jovens e mercado de trabalho.
A Geração Z está mais consciente dos próprios limites emocionais e menos disposta a permanecer em ambientes que prejudiquem seu bem-estar. Ao mesmo tempo, empresas enfrentam o desafio de equilibrar produtividade e cuidado psicológico.
Nesse novo cenário, o trabalho não é mais apenas sobre desempenho, mas também sobre qualidade de vida e saúde emocional sustentável.













