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Mudanças climáticas intensificam destruição de pântanos e manguezais costeiros

Análise de 40 anos de dados de satélite mostra que tempestades estão acelerando a perda de zonas úmidas costeiras

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Satélites revelam que eventos extremos intensificam o desaparecimento de pântanos e manguezais. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

As zonas úmidas costeiras estão entre os ecossistemas mais importantes do planeta, funcionando como barreiras naturais contra enchentes, reservatórios de carbono e refúgios de biodiversidade. No entanto, novas evidências científicas indicam que esses ambientes estão desaparecendo em ritmo acelerado, especialmente nos Estados Unidos, onde eventos climáticos extremos passaram a desempenhar um papel central nessa perda.

Um estudo publicado na revista Nature Communications analisou quatro décadas de imagens de satélite e revelou que a degradação desses ecossistemas não é causada apenas pela elevação do nível do mar, como se acreditava anteriormente. Na realidade, tempestades intensas estão acelerando significativamente esse processo. Entre os principais impactos observados estão:


  • Redução contínua de brejos de maré, manguezais e planícies costeiras;
  • Aumento da frequência de perdas após eventos climáticos extremos;
  • Interferência direta de furacões e tempestades severas na estrutura dos ecossistemas;
  • Diminuição da capacidade natural de regeneração das zonas úmidas.

O que os satélites revelam sobre a nova dinâmica costeira


A análise de longo prazo permitiu diferenciar dois tipos de pressão ambiental: mudanças graduais, como o aumento do nível do mar, e eventos abruptos, como tempestades. Essa distinção foi essencial para compreender o que realmente está impulsionando o colapso dessas áreas.

Os resultados mostram que, embora o aumento do nível do mar ainda seja um fator importante na perda total, a aceleração dessa perda está fortemente associada a eventos extremos. Em termos comparativos, os impactos de tempestades são significativamente mais intensos do que os efeitos contínuos e lentos do aquecimento global sobre essas regiões.


Desde meados da década de 1980, os Estados Unidos já perderam cerca de 7,5% de suas zonas úmidas costeiras, o equivalente a mais de 1.600 km², com tendência de aceleração progressiva.

Quando o oceano avança e as tempestades empurram o limite


Cores indicam tendências de perda, ganho e estabilidade em zonas úmidas entre 1985 e 2023. (Imagem: Yang, X., Qiu, S., Kroeger, K.D. et al. Nat Commun 17, 4332 (2026)) Fala Ciência

A pesquisa também destaca que a vulnerabilidade desses ecossistemas varia regionalmente. Na Costa do Golfo, por exemplo, a combinação entre elevação do nível do mar e alta incidência de furacões resulta na maior taxa de perda registrada no país.

Em contraste, áreas como a Baía de São Francisco apresentam expansão de zonas úmidas, impulsionada por projetos de restauração ambiental e menor exposição a eventos tropicais extremos. Além disso, observa-se um deslocamento ecológico: manguezais estão avançando para regiões antes dominadas por outros tipos de pântanos, especialmente em áreas da Flórida, Louisiana e Texas.

Esse fenômeno indica que os ecossistemas não apenas estão sendo perdidos, mas também estão sendo reorganizados por novas condições climáticas.

Um desafio crescente para a restauração ambiental

Outro ponto crítico levantado pelo estudo é a perda da capacidade de recuperação natural dessas áreas. Em condições normais, zonas úmidas conseguem se regenerar após eventos de estresse. No entanto, a maior frequência e intensidade das tempestades têm impedido esse processo de recuperação completa.

Para enfrentar esse cenário, os pesquisadores destacam a necessidade de estratégias de conservação mais dinâmicas, capazes de responder a impactos repetidos e não apenas a mudanças graduais.

Nesse contexto, ferramentas de monitoramento por satélite e modelos avançados de análise temporal tornam-se essenciais para compreender a evolução contínua desses ecossistemas.

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