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Alimentos comuns escondem compostos ligados ao câncer 

Substâncias formadas no cozimento podem estar presentes em alimentos comuns e exigem atenção científica 

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Cientistas detectam HAPs em alimentos do dia a dia. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Mesmo uma alimentação equilibrada e rica em frutas, verduras e proteínas pode conter compostos que não são visíveis a olho nu. Parte dessas substâncias não vem apenas do ambiente, mas também é formada durante o preparo dos alimentos, especialmente quando há altas temperaturas, como em frituras, grelhados, defumação e assados.

Entre esses compostos estão os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), substâncias que preocupam a saúde pública devido ao seu potencial tóxico e possivelmente carcinogênico. Embora não sejam perceptíveis no sabor ou aparência dos alimentos, eles podem se acumular dependendo do método de preparo.


Como essas substâncias surgem na cozinha

Os HAPs surgem sobretudo quando gorduras e líquidos dos alimentos são expostos a altas temperaturas ou ao contato direto com chamas. Nesse processo, a fumaça produzida pode aderir ao alimento, carregando essas substâncias até o momento em que são ingeridas.


Além disso, eles também podem estar presentes em alimentos defumados e até em fontes externas, como fumaça de cigarro e poluição ambiental. Por isso, seu estudo é considerado importante para entender riscos ocultos na alimentação moderna.

Avanços científicos na detecção dos HAPs


Detectar essas substâncias nos alimentos não é simples. Métodos tradicionais exigem etapas longas, uso de solventes e maior impacto ambiental. Para resolver isso, pesquisadores têm utilizado uma técnica chamada QuEChERS, sigla para um método rápido, simples e eficiente de preparação de amostras.

Um estudo publicado em 2025 na revista Food Science and Biotechnology, liderado pelo pesquisador Joon-Goo Lee, da Universidade Nacional de Ciência e Tecnologia de Seul, avaliou a presença de oito tipos de HAPs em diferentes alimentos usando essa técnica. O método mostrou alta precisão e eficiência na detecção desses compostos mesmo em níveis muito baixos.


Os testes identificaram que os níveis mais elevados de HAPs apareceram em:

  • Óleo de soja
  • Carne de pato
  • Óleo de canola

Os resultados mostraram ainda alta confiabilidade analítica, permitindo medições consistentes em diferentes tipos de alimentos.

Por que esses achados são relevantes para a saúde

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, alguns HAPs já foram associados ao desenvolvimento de câncer em estudos com animais. Em humanos, ainda não há uma ligação definitiva, mas o potencial de risco mantém o tema sob investigação constante.

Nesse contexto, métodos mais precisos ajudam a:

  • Identificar fontes de contaminação alimentar
  • Melhorar normas de segurança
  • Reduzir riscos na produção industrial de alimentos

Caminho para uma alimentação mais segura

A evolução das técnicas laboratoriais, como o QuEChERS, representa um avanço importante. Além de aumentar a precisão das análises, esses métodos reduzem o uso de produtos químicos e tornam os testes mais rápidos e sustentáveis.

Dessa forma, o cenário atual indica uma abordagem mais avançada de segurança alimentar, na qual a ciência e a tecnologia permitem identificar riscos ocultos e aprimorar o controle de qualidade dos alimentos consumidos no dia a dia.

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