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Fungos podem transformar solo tóxico de Marte em terreno fértil para alimentos

Estudo aponta que fungos benéficos podem transformar o regolito marciano em solo cultivável

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Perseverance registrou nova imagem de Marte usando câmera Mastcam-Z no Sol 1869 da missão. (Imagem: NASA/JPL-Caltech/ASU) Fala Ciência

Produzir alimentos em Marte é um dos maiores desafios das futuras missões espaciais tripuladas. O planeta vermelho possui temperaturas extremas, alta radiação e um solo conhecido como regolito marciano, praticamente sem nutrientes adequados para o cultivo agrícola. Porém, uma nova pesquisa sugere que certos fungos podem mudar completamente esse cenário.

O estudo, publicado na revista científica Frontiers in Astronomy and Space Sciences, investigou como fungos benéficos poderiam transformar o regolito lunar e marciano em um substrato biologicamente mais favorável para o crescimento de plantas.


A ideia faz parte de uma estratégia chamada ISRU (Utilização de Recursos In Situ), que busca aproveitar materiais já existentes em outros mundos para sustentar missões humanas de longa duração. Entre os principais benefícios propostos pelos pesquisadores estão:

  • Melhoria da absorção de nutrientes pelas plantas;
  • Redução do estresse causado pelo ambiente marciano;
  • Aumento da fertilidade do regolito;
  • Diminuição da necessidade de levar solo da Terra.


O desafio de cultivar alimentos fora da Terra

Diferente dos solos terrestres, o regolito de Marte não possui níveis adequados de nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio. Além disso, o ambiente apresenta condições extremamente hostis para a agricultura tradicional.


Para enfrentar esse problema, os cientistas analisaram o potencial dos chamados fungos promotores de crescimento vegetal, microrganismos capazes de melhorar a disponibilidade de nutrientes e fortalecer o desenvolvimento das raízes.

Alguns desses fungos já são utilizados na agricultura terrestre há décadas e também foram estudados em ambientes espaciais, incluindo experimentos realizados na Estação Espacial Internacional.


Fungos funcionam como extensões microscópicas das raízes

Os pesquisadores destacam especialmente os fungos micorrízicos arbusculares, conhecidos por criarem uma espécie de rede microscópica conectada às raízes das plantas.

Essa interação ajuda as plantas a absorver água e nutrientes mesmo em ambientes pobres ou submetidos a estresse extremo. Em Marte, essa capacidade poderia ser essencial para manter futuras estufas agrícolas funcionando.

Além disso, os fungos também podem alterar características físicas e químicas do regolito, tornando o material menos hostil ao crescimento vegetal.

Agricultura espacial pode reduzir custos das missões

Levar toneladas de solo fértil e alimentos da Terra para Marte seria extremamente caro e logisticamente complexo. Por isso, soluções biotecnológicas capazes de utilizar recursos locais são consideradas fundamentais para o futuro da exploração espacial.

Pesquisas recentes já demonstraram resultados promissores utilizando simuladores de regolito marciano combinados com microrganismos capazes de estimular o crescimento vegetal.

Embora ainda sejam necessários muitos testes antes da aplicação prática, o estudo reforça que os fungos podem desempenhar um papel central na construção de futuras colônias humanas fora da Terra.

Se as previsões se confirmarem, os primeiros agricultores marcianos talvez dependam mais da microbiologia do que de máquinas futuristas para produzir alimento no espaço.

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