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Ancestrais humanos dominavam o fogo muito antes do previsto, aponta pesquisa

Evidências encontradas em uma caverna africana indicam que o uso do fogo pode ser muito mais antigo do que se pensava

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Estudo sugere que ancestrais humanos já utilizavam fogo há 1,8 milhão de anos. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Poucas descobertas tiveram impacto tão profundo na trajetória humana quanto o domínio do fogo. A capacidade de produzir calor, iluminar ambientes e preparar alimentos transformou a sobrevivência dos primeiros hominíneos e influenciou diretamente a evolução da nossa espécie. Agora, uma nova pesquisa publicada na revista PLoS ONE sugere que essa relação com o fogo pode ter começado muito antes do que os cientistas imaginavam.

O estudo analisou fósseis encontrados na Caverna Wonderwerk, na África do Sul, e identificou indícios de que o Homo erectus já utilizava fogo há até 1,8 milhão de anos. Caso essa interpretação seja confirmada por pesquisas futuras, a cronologia atualmente aceita para o uso recorrente do fogo precisará ser revisada. Entre os principais achados da pesquisa estão:


  • Ossos com sinais de exposição ao calor;
  • Evidências encontradas em camadas muito antigas da caverna;
  • Uso de uma nova técnica de análise por luminescência;
  • Indícios de episódios repetidos de queima ao longo do tempo;
  • Possível associação com populações de Homo erectus.

Uma nova tecnologia iluminando o passado


Para investigar os fósseis, os pesquisadores aplicaram um método inovador capaz de identificar alterações provocadas pelo calor em ossos antigos. Quando expostos a determinadas condições de luz, os materiais queimados apresentam padrões específicos de luminescência, permitindo distinguir restos afetados pelo fogo daqueles preservados naturalmente.

Além de ser uma abordagem rápida, a técnica tem a vantagem de não danificar os fósseis analisados. Isso amplia as possibilidades de aplicação em sítios arqueológicos e pode ajudar a esclarecer outras questões relacionadas ao comportamento dos primeiros humanos.


O que os vestígios realmente revelam?

Os materiais estudados foram encontrados em regiões profundas da caverna, distantes da entrada original. Essa característica reduz a probabilidade de que incêndios naturais tenham sido os únicos responsáveis pelas marcas observadas.


Uma das hipóteses levantadas é que grupos de hominíneos tenham transportado brasas ou galhos em chamas provenientes de incêndios naturais externos para o interior do abrigo. Nesse cenário, o fogo não seria necessariamente produzido pelos humanos, mas aproveitado e mantido de forma estratégica.

Uma descoberta promissora, mas ainda em debate

Apesar da relevância dos resultados, a comunidade científica mantém cautela. Os indícios apontam para uma possível interação antiga entre hominíneos e fogo, porém ainda faltam evidências diretas que comprovem o controle sistemático dessa tecnologia.

Mesmo assim, a pesquisa representa um avanço importante para a paleoantropologia. Além de propor uma nova hipótese sobre a evolução humana, ela oferece ferramentas que podem ajudar a investigar períodos ainda mais remotos da pré-história.

Se futuras análises confirmarem a interpretação atual, o uso do fogo poderá ser reconhecido como uma conquista humana muito mais antiga do que se acreditava, alterando significativamente nossa compreensão sobre a evolução do comportamento humano.

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