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Buracos negros gigantes podem destruir atmosferas de planetas habitáveis, revela estudo

Pesquisa aponta que núcleos galácticos ativos podem comprometer atmosferas e ozônio de exoplanetas

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Fala Ciência|Do R7

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Buracos negros gigantes podem destruir atmosferas e ameaçar vida em planetas distantes. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

A busca por vida fora da Terra acaba de ganhar um novo desafio cósmico. Um estudo publicado na revista The Astrophysical Journal sugere que os buracos negros supermassivos localizados no centro das galáxias podem transformar exoplanetas potencialmente habitáveis em ambientes extremamente hostis.

Até hoje, grande parte das pesquisas sobre habitabilidade focava principalmente na chamada zona habitável, região ao redor de uma estrela onde a água líquida pode existir. No entanto, os novos resultados mostram que o ambiente galáctico também pode desempenhar um papel decisivo para a existência de vida.


O trabalho liderado por Jourdan Waas investigou como os chamados núcleos galácticos ativos (AGN) afetam atmosferas planetárias em grandes distâncias. Os cientistas identificaram efeitos preocupantes:

  • Aquecimento extremo das atmosferas planetárias;
  • Perda acelerada de gases essenciais;
  • Destruição significativa da camada de ozônio;
  • Aumento da radiação ultravioleta na superfície dos planetas.


Quando o centro da galáxia vira uma ameaça

Os buracos negros supermassivos podem possuir massas bilhões de vezes maiores que a do Sol. Quando estão ativos, eles consomem matéria ao redor e liberam enormes quantidades de energia, formando os chamados AGNs.


Além da intensa radiação, esses sistemas produzem ventos cósmicos extremamente velozes, conhecidos como fluxos ultrarrápidos. Segundo o estudo, esses ventos conseguem atingir regiões muito distantes da galáxia, afetando diretamente a estabilidade atmosférica de exoplanetas. Os pesquisadores analisaram dois tipos principais de ventos galácticos:

  • Ventos impulsionados por energia, mais destrutivos e expansivos;
  • Ventos impulsionados por momento, mais limitados e confinados.


Os resultados indicam que os ventos impulsionados por energia representam o maior risco para a habitabilidade planetária.

Atmosferas podem literalmente evaporar

O estudo mostrou que a energia liberada pelos AGNs aquece as moléculas atmosféricas dos planetas até velocidades capazes de fazê-las escapar para o espaço. Com o tempo, isso pode causar uma erosão atmosférica severa.

Além disso, os ventos gerados pelos buracos negros estimulam reações químicas que produzem grandes quantidades de óxidos de nitrogênio. Essas substâncias atacam diretamente a camada de ozônio — uma barreira essencial contra radiação ultravioleta.

Os modelos indicam que planetas localizados próximos ao centro galáctico podem perder quase completamente o ozônio, principalmente em galáxias que possuem buracos negros extremamente massivos.

Vida extraterrestre pode ser mais rara do que imaginávamos

Outro detalhe importante é que o impacto dos AGNs parece alcançar distâncias muito maiores do que os cientistas estimavam anteriormente. Isso significa que vastas regiões internas de galáxias podem ser muito menos habitáveis do que aparentam.

Embora a destruição do ozônio não elimine totalmente a possibilidade de vida, ela pode restringir organismos complexos à proteção de oceanos subterrâneos ou ambientes aquáticos profundos.

Os pesquisadores também destacam que futuras investigações devem analisar o efeito combinado entre radiação intensa e ventos galácticos. Essa combinação pode revelar que a influência dos buracos negros sobre a habitabilidade cósmica é ainda mais ampla.

A descoberta reforça uma ideia fascinante: encontrar vida no universo depende não apenas da estrela certa, mas também do comportamento do próprio coração da galáxia.

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