Descoberta científica mostra que TDAH tem três “tipos” diferentes no cérebro
Estudo identifica três perfis cerebrais no TDAH e sugere futuro da medicina personalizada
Fala Ciência|Do R7

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) sempre foi tratado como uma condição única, variando apenas na intensidade dos sintomas. No entanto, uma nova pesquisa publicada na JAMA Psychiatry (2026), liderada por Nanfang Pan, MD, sugere uma mudança importante nessa visão.
O estudo analisou imagens cerebrais de mais de mil crianças e identificou que o TDAH pode, na verdade, se manifestar em três perfis cerebrais distintos.
O que foi observado no cérebro das crianças
A pesquisa utilizou exames de ressonância magnética estrutural para analisar diferenças no desenvolvimento cerebral de crianças com e sem TDAH.
Em vez de observar apenas sintomas, os cientistas focaram diretamente na estrutura do cérebro. A partir disso, foram encontrados padrões organizacionais diferentes, que deram origem aos chamados biotipos cerebrais.
Esses perfis mostram que o TDAH pode ter bases biológicas mais diversas do que se imaginava.
Como o estudo foi realizado
O trabalho reuniu dados de:
Os pesquisadores compararam o cérebro das crianças a padrões esperados para a idade, identificando desvios estruturais específicos.
Depois, algoritmos agruparam os participantes apenas com base nos dados cerebrais, sem qualquer informação clínica.
Os 3 perfis cerebrais do TDAH
Biotipo 1: mais intenso e emocional
Este grupo apresentou alterações em regiões ligadas ao controle emocional e decisões comportamentais.
Principais características:
Biotipo 2: hiperatividade predominante
O maior grupo do estudo apresentou alterações em circuitos ligados ao controle de impulsos.
Características:
Biotipo 3: desatenção dominante
Este perfil mostrou alterações mais focadas em áreas ligadas à atenção e memória de trabalho.
Características:
O que torna essa descoberta importante
Um dos pontos centrais do estudo é que os três grupos foram identificados apenas a partir do cérebro, sem uso de dados clínicos.
Isso sugere que o TDAH pode não ser uma única condição, mas sim um conjunto de alterações cerebrais diferentes, o que abre espaço para abordagens mais personalizadas no futuro.Além disso, cada biotipo apresentou variações em sistemas químicos como dopamina, serotonina e glutamato, que estão ligados a comportamento, atenção e humor.














