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Estrutura colossal enterrada na Antártida pode mudar entendimento do continente

Rede de bacias ocultas sob a Antártida Oriental revela pistas sobre o passado geológico e o futuro da camada de gelo

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Cientistas revelam gigantesca estrutura oculta sob quilômetros de gelo na Antártida (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Sob quilômetros de gelo que cobrem a Antártida Oriental, cientistas identificaram uma formação geológica de proporções impressionantes. A descoberta revelou que diversas bacias subglaciais conhecidas há décadas fazem parte de uma única estrutura interligada, até então desconhecida, que se estende por uma vasta região do continente gelado.

O estudo, publicado na revista Nature Geoscience, oferece uma nova perspectiva sobre a evolução geológica da Antártida e pode ajudar pesquisadores a compreender melhor como a camada de gelo reage às mudanças ambientais ao longo do tempo. Entre os principais achados da pesquisa estão:


  • Identificação de uma gigantesca rede de bacias ocultas sob o gelo;
  • Reconhecimento de uma estrutura geológica única em escala continental;
  • Evidências de antigos processos tectônicos associados ao supercontinente Gondwana;
  • Possíveis impactos na dinâmica atual da camada de gelo antártica.

Um gigantesco quebra-cabeça enterrado sob o gelo


A formação recém-identificada recebeu o nome de Província da Bacia em Forma de Leque da Antártica Oriental. Ela reúne importantes estruturas subglaciais já conhecidas, incluindo as bacias de Wilkes e Aurora, além da região que abriga o famoso Lago Vostok, considerado o maior lago subglacial do planeta.

Embora essas áreas fossem estudadas individualmente, a nova análise demonstrou que todas estão conectadas por uma mesma estrutura geológica. O padrão observado lembra um grande leque aberto, formado por enormes depressões distribuídas sob a espessa camada de gelo.


Em alguns pontos, o gelo acima dessas bacias ultrapassa três quilômetros de espessura, o que explica por que a estrutura permaneceu oculta durante tanto tempo.

Marcas deixadas pela fragmentação de antigos continentes


Os pesquisadores acreditam que a formação surgiu devido ao estiramento gradual da crosta terrestre ao longo de milhões de anos. Esse processo teria ocorrido durante diferentes fases da evolução de Gondwana, o supercontinente que reuniu territórios atualmente separados, como Antártida, América do Sul, África, Austrália e Índia.

A análise sugere que a estrutura pode representar um dos maiores exemplos já identificados de deformação continental associada à extensão da crosta. Além disso, ela possivelmente participou dos eventos que culminaram na separação da Antártida e da Austrália.

O passado geológico que influencia o presente

A importância da descoberta não se limita à reconstrução da história da Terra. A paisagem escondida sob o gelo exerce influência direta sobre o comportamento da Camada de Gelo da Antártida Oriental, orientando o fluxo do gelo e contribuindo para a formação de lagos e bacias subglaciais.

Para revelar essa estrutura, a equipe liderada por Egidio Armadillo combinou dados de gravidade, magnetismo, sísmica e modelos da litosfera, além de reconstruções detalhadas da topografia subglacial.

Os resultados mostram que o interior da Antártida ainda guarda segredos importantes sobre a evolução dos continentes. Ao mesmo tempo, a descoberta oferece informações valiosas para entender como a maior reserva de gelo do planeta poderá responder às mudanças climáticas nas próximas décadas.

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