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Estudo com 90 mil pessoas revela impacto do Ozempic na saúde

Perda de peso com Ozempic mostra impacto em doenças graves 

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Estudo mostra benefícios do Ozempic na saúde. (Foto: Moderngolf via Canva) Fala Ciência

A perda de peso alcançada com medicamentos como Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro está sendo associada a mudanças importantes na saúde a longo prazo. Um grande estudo apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026) analisou dados de quase 90 mil pacientes e encontrou uma relação clara: quanto maior a redução de peso, menores os riscos de doenças relacionadas à obesidade.

A pesquisa, liderada pelo professor John Wilding, da Universidade de Liverpool, investigou o uso de medicamentos à base de GLP-1, uma classe que revolucionou o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.


O que os dados reais mostram sobre o uso de GLP-1

Diferente de ensaios clínicos controlados, este estudo analisou situações reais de uso, onde a adesão ao tratamento varia bastante.


Os pesquisadores utilizaram um grande banco de dados de saúde dos Estados Unidos e acompanharam pacientes que iniciaram o tratamento entre 2021 e 2024.

O perfil dos participantes era amplo:


• idade média de 57 anos
• IMC médio de 34,7 kg/m²
• cerca de 61% com diabetes tipo 2

Além disso, um dado importante chamou atenção: cerca de metade dos pacientes interrompeu o uso dos medicamentos em até um ano.


Mesmo assim, os resultados foram analisados com base na variação de peso, independentemente da continuidade do tratamento.

Quanto maior a perda de peso, maior o benefício

Maior emagrecimento, menor risco cardiovascular. (Foto: Charliepix via Canva) Fala Ciência

Durante o primeiro ano de acompanhamento, os pacientes foram divididos de acordo com a mudança no IMC:

• 27% perderam menos de 5%
• 22,4% perderam entre 5% e 10%
• 14,1% perderam entre 10% e 15%
• 15,8% perderam mais de 15%
• 20,8% ganharam peso

A diferença nos desfechos de saúde foi significativa ao longo do acompanhamento.

Em comparação com quem perdeu pouco peso, os pacientes com redução acima de 15% do IMC apresentaram:

37% menos risco de osteoartrite
30% menos risco de doença renal crônica
69% menos risco de apneia do sono
32% menos risco de insuficiência cardíaca

Esses resultados foram publicados no contexto do Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026) e destacam o impacto metabólico da perda de peso consistente.

Quando o peso aumenta, os riscos também sobem

O estudo também observou o outro lado da equação: pacientes que ganharam peso após iniciar o tratamento.

Nesse grupo, os riscos aumentaram em comparação com aqueles que perderam menos de 5%:

+10% risco de osteoartrite
+14% risco de doença renal crônica
+22% risco de apneia do sono
+69% risco de insuficiência cardíaca

Os aumentos mais relevantes foram observados em apneia do sono e insuficiência cardíaca, ambos estatisticamente significativos.

O que esses resultados indicam 

De forma geral, os dados sugerem um padrão consistente: o impacto dos medicamentos GLP-1 depende diretamente da quantidade de peso perdido ao longo do tempo.

Em termos simples, três pontos se destacam:

• perda de peso maior está ligada a melhor saúde geral
• ganho de peso após o início do tratamento piora os desfechos
• interrupção do tratamento é comum e influencia os resultados

Um olhar mais amplo sobre obesidade e saúde

Os medicamentos como semaglutida e tirzepatida já são reconhecidos por seu efeito no controle do peso. No entanto, este estudo amplia a compreensão ao mostrar que a redução sustentada do IMC está associada a menor risco de doenças graves em diferentes sistemas do corpo, incluindo coração, rins e sono.

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