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Geleira recua 24 quilômetros em apenas 15 meses na Antártida

Estudo revela que a geleira Hektoria sofreu um dos recuos mais rápidos já observados na Antártida

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Imagens mostram a geleira Hektoria recuando rapidamente após perder enormes blocos de gelo flutuante. (Imagem: NASA/ Lauren Dauphin) Fala Ciência

O gelo da Antártida acaba de dar mais um sinal alarmante das mudanças climáticas. A geleira Hektoria, localizada na Península Antártica, entrou em colapso em uma velocidade impressionante e perdeu cerca de 24 quilômetros de extensão em apenas 15 meses. O fenômeno chamou a atenção de cientistas do mundo inteiro por representar um dos recuos glaciais mais rápidos já registrados na era moderna.

Além da velocidade incomum, o evento preocupa porque envolve a perda de gelo ancorado no solo, um tipo de gelo que contribui diretamente para o aumento do nível do mar quando desaparece. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Geoscience por pesquisadores liderados por Naomi Ochwat e Ted Scambos. Entre os fatores observados pelos cientistas estão:


  • Aquecimento das águas oceânicas;
  • Perda do gelo marinho protetor;
  • Fragmentação acelerada da geleira;
  • Afinamento do gelo ao longo dos anos;
  • Instabilidade da base rochosa sob a geleira.

O que transformou Hektoria em uma geleira instável?


Durante muitos anos, a geleira parecia relativamente estável. Porém, essa estabilidade dependia de estruturas naturais que funcionavam como uma espécie de “barreira de proteção”. Uma delas era a plataforma de gelo Larsen B, que colapsou em 2002.

Com a perda dessa proteção, a região começou lentamente a enfraquecer. Ainda assim, o gelo marinho costeiro ajudou temporariamente a conter o avanço do colapso. No entanto, em 2022, esse suporte desapareceu rapidamente, permitindo que enormes blocos de gelo começassem a se desprender.


Imagens de satélite mostraram que a língua de gelo flutuante da Hektoria se fragmentou de maneira contínua. Em poucos meses, a geleira perdeu quilômetros de extensão e sofreu um afinamento intenso.

O oceano pode acelerar ainda mais o derretimento


Água do mar pode acelerar colapsos glaciais em diferentes regiões polares do planeta. (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Os pesquisadores identificaram um processo chamado desprendimento impulsionado pela flutuabilidade. Em termos simples, a água do mar consegue penetrar sob partes da geleira durante as marés, levantando o gelo lentamente. Quando esse gelo fica fino demais, grandes áreas podem se romper quase de uma vez.

Esse mecanismo ajudou a acelerar o colapso da Hektoria e pode ocorrer em outras geleiras da Antártida, Groenlândia e Alasca. Por isso, o fenômeno preocupa tanto os cientistas.

Satélites serão fundamentais para monitorar novas mudanças

As análises foram feitas com auxílio de tecnologias avançadas de sensoriamento remoto e satélites capazes de medir pequenas alterações no gelo com enorme precisão. Missões como NISAR e SWOT devem ampliar ainda mais o monitoramento das regiões polares nos próximos anos.

Embora os especialistas acreditem que a fase mais extrema do colapso tenha passado, a geleira continuará recuando lentamente. O caso da Hektoria mostra como o aquecimento global pode transformar rapidamente regiões que antes pareciam estáveis, reforçando os alertas sobre os impactos climáticos no planeta.

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