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Bactérias intestinais podem indicar risco cardíaco oculto em diabéticos 

Pesquisa liga alterações no intestino ao risco cardíaco no diabetes tipo 2

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Intestino pode influenciar doenças cardíacas no diabetes. (Foto: Science Photo Library via Canva) Fala Ciência

Hoje, o intestino é entendido não só como órgão da digestão, mas também como um componente essencial na manutenção do equilíbrio do organismo como um todo. Cientistas descobriram que alterações nas bactérias intestinais podem estar associadas ao aumento das complicações cardíacas em pessoas com diabetes tipo 2.

Publicado na revista científica Scientific Reports, o estudo liderado por Huang e colaboradores em 2026 investigou a relação entre o microbioma intestinal, metabólitos sanguíneos e complicações cardiovasculares em pacientes diabéticos. Os resultados indicam que certas bactérias intestinais e moléculas circulantes podem funcionar como sinais precoces de risco cardíaco.


O papel do intestino no desenvolvimento das complicações do diabetes

O diabetes tipo 2 já é conhecido por provocar alterações metabólicas importantes, incluindo resistência à insulina e inflamação persistente de baixo grau.Essas alterações contribuem para a formação de placas nas artérias, o que eleva a probabilidade de infarto e de outras doenças do sistema cardiovascular.


Nos últimos anos, porém, cientistas passaram a investigar outro fator importante: o equilíbrio das bactérias intestinais. Quando ocorre uma alteração nessa comunidade microbiana, condição chamada de disbiose intestinal, diversos processos metabólicos podem ser afetados.

Embora pesquisas anteriores já tenham associado o microbioma ao diabetes, poucas análises haviam integrado informações das bactérias intestinais com os metabólitos presentes no sangue de pacientes com complicações cardíacas.


Como os pesquisadores analisaram o eixo intestino-coração

A pesquisa contou com 30 voluntários, distribuídos em três grupos distintos:


• indivíduos saudáveis
• pacientes com diabetes tipo 2
• indivíduos com diabetes tipo 2 associado à doença arterial coronariana 

Os pesquisadores coletaram amostras de fezes e sangue para aplicar técnicas avançadas de metagenômica e metabolômica. Enquanto a metagenômica identifica os microrganismos presentes no intestino, a metabolômica avalia pequenas moléculas produzidas pelo organismo e pelas bactérias.

A partir dessas análises, a equipe encontrou alterações importantes tanto na composição bacteriana quanto nos metabólitos sanguíneos dos pacientes com complicações cardiovasculares.

Bactéria intestinal chamou atenção dos cientistas

Bacteroides spp. é alvo de estudo sobre saúde intestinal. (Foto: CDC / Wikimedia Commons) Fala Ciência

Entre os achados mais relevantes, uma bactéria chamada Bacteroides sp._CAG_875 apareceu como forte candidata a biomarcador para identificar pacientes com diabetes e doença coronariana.

Além disso, outra espécie conhecida como Anaerobutyricum hallii, anteriormente associada a benefícios metabólicos, também apresentou relação importante com os casos analisados.

Os pesquisadores observaram ainda conexões entre determinadas bactérias intestinais e marcadores clínicos ligados à saúde cardiovascular, incluindo inflamação e alterações metabólicas.

Molécula no sangue também apresentou associação importante

Além das bactérias intestinais, o estudo identificou um metabólito chamado ácido 12-cetolitocólico, ou 12-cetoLCA, como possível marcador biológico relacionado às complicações cardíacas no diabetes.

Os resultados mostraram que essa molécula apresentou boa capacidade de diferenciar pacientes diabéticos com doença arterial coronariana dos demais grupos avaliados.

Outro dado interessante envolveu o metabolismo da frutose. Os pesquisadores identificaram associação entre níveis de frutose e bactérias dos grupos Megamonas e Alistipes, levantando a hipótese de que essas interações possam participar do aumento do risco cardiovascular.

Descoberta abre caminho para novos diagnósticos

Segundo o estudo, as alterações observadas no chamado eixo intestino-coração podem representar um novo caminho para compreender as complicações macrovasculares do diabetes tipo 2.

Apesar do número reduzido de participantes, os resultados sugerem que biomarcadores intestinais e metabólicos poderão futuramente auxiliar em:

• diagnóstico precoce de risco cardiovascular
• monitoramento de pacientes diabéticos
• desenvolvimento de terapias direcionadas ao microbioma intestinal
• estratégias preventivas personalizadas

Os autores destacam, entretanto, que estudos maiores ainda serão necessários para confirmar essas descobertas e entender se essas alterações realmente participam do desenvolvimento da doença cardíaca.

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