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IA ajuda cientistas a descobrir oceano perdido no passado de Marte

Depósitos minerais encontrados em Marte reforçam evidências de um oceano duradouro no planeta vermelho

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Fala Ciência|Do R7

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Novo estudo revela que Marte manteve um oceano estável por mais de um milhão de anos. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Marte pode ter sido muito mais parecido com a Terra do que os cientistas imaginavam. Uma nova pesquisa revelou evidências robustas de que o planeta vermelho abrigou um oceano estável por até 1,5 milhão de anos, tempo considerado suficiente para permitir processos químicos associados ao surgimento da vida microscópica.

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, analisou dados obtidos pelo rover chinês Zhurong na região de Utopia Planitia, uma gigantesca bacia localizada no hemisfério norte marciano. Os pesquisadores identificaram depósitos de óxidos de manganês distribuídos em formato de anel ao redor da área, uma característica semelhante às marcas minerais deixadas por antigos lagos e oceanos na Terra.


Além disso, a composição química encontrada revelou um padrão importante: as concentrações de manganês aumentam conforme a altitude. Esse tipo de formação normalmente ocorre quando minerais dissolvidos em águas rasas entram em contato com o oxigênio próximo à superfície, criando depósitos ao longo das margens do oceano. Entre as principais conclusões do estudo estão:

  • Marte teve um oceano relativamente estável no período Hesperiano;
  • o corpo d’água possuía entre 150 e 400 metros de profundidade;
  • o oceano existiu entre 3,7 e 3,4 bilhões de anos atrás;
  • depósitos minerais ainda podem ser vistos da órbita marciana;
  • as condições ambientais poderiam favorecer processos químicos ligados à vida.


Um “relógio geológico” escondido nos minerais marcianos

Os cientistas utilizaram a taxa natural de oxidação do manganês como uma espécie de cronômetro geológico. A partir da espessura dos depósitos minerais encontrados, foi possível calcular por quanto tempo a água permaneceu estável naquela região de Marte.


Os resultados indicam que o oceano persistiu por aproximadamente 800 mil a 1,5 milhão de anos. Embora pareça pouco em escala planetária, esse intervalo é extremamente relevante para a astrobiologia, já que na Terra os primeiros microrganismos surgiram em um período semelhante da história do planeta.

Outro detalhe que chamou atenção foi a possível presença de condições ricas em oxigênio no Marte antigo. Modelos climáticos sugerem que a atmosfera marciana passou por fases com maior disponibilidade desse elemento, favorecendo reações químicas capazes de formar os depósitos de manganês encontrados atualmente.


Inteligência artificial ajudou a desvendar o passado de Marte

Detectar esses minerais não foi uma tarefa simples. Os óxidos de manganês formam camadas extremamente finas e irregulares, dificultando análises convencionais. Para solucionar o problema, os pesquisadores desenvolveram uma rede neural chamada SCANet, treinada para reconhecer padrões químicos em dados infravermelhos.

A inteligência artificial analisou milhões de medições coletadas pelo rover Zhurong e por sondas orbitais internacionais. Os resultados coincidiram com leituras químicas independentes feitas por instrumentos a laser, aumentando a confiabilidade da descoberta.

Além do valor científico, os depósitos de manganês podem ter utilidade em futuras missões tripuladas. Esses minerais podem auxiliar na extração de oxigênio da água, ajudando astronautas a produzir ar respirável diretamente em Marte.

A descoberta reforça a ideia de que Marte não foi apenas um planeta com breves episódios de água líquida. Na prática, ele pode ter mantido ambientes estáveis por tempo suficiente para sustentar processos químicos complexos e talvez até formas primitivas de vida.

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