Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

IA desvenda escrita de 3 mil anos da Mesopotâmia e surpreende arqueólogos

Nova tecnologia baseada em inteligência artificial está ajudando arqueólogos a recuperar textos antigos considerados ilegíveis

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

  • Google News
IA revelou inscrições invisíveis em tabuleta mesopotâmica escrita há cerca de 3 mil anos (Imagem: Daniel Schwemer/Universidade de Würzburg) Fala Ciência

A união entre tecnologias de inteligência artificial e estudos arqueológicos está transformando a forma como civilizações antigas são investigadas. Cientistas da Alemanha criaram uma ferramenta capaz de detectar marcas quase apagadas em tabuletas de argila escritas em cuneiforme, considerado um dos primeiros sistemas de escrita já desenvolvidos pela humanidade.

O projeto ganhou destaque porque muitos desses registros históricos possuem aproximadamente 3 mil anos e sofreram intensa deterioração ao longo do tempo. Em diversas peças, os sinais aparecem incompletos, desgastados ou praticamente invisíveis sem auxílio tecnológico.


  • Ferramenta aplicada: IA treinada para interpretar símbolos cuneiformes antigos;
  • Projeto utilizado: sistema digital chamado Palaeographicum;
  • Acervo analisado: milhões de caracteres históricos digitalizados;
  • Finalidade principal: reconstruir documentos fragmentados da antiguidade;
  • Benefício arqueológico: agilizar traduções e auxiliar na preservação de artefatos históricos.

Uma escrita criada antes das grandes civilizações modernas


A escrita cuneiforme apareceu há mais de cinco milênios na antiga Mesopotâmia, uma das regiões mais importantes para o desenvolvimento das primeiras civilizações humanas. Os símbolos eram marcados em tábuas de argila ainda úmidas por meio de instrumentos que produziam sinais em formato de cunha, utilizados para registrar atividades comerciais, leis, cerimônias religiosas e acontecimentos políticos.

Ao longo do tempo, porém, muitas dessas peças sofreram danos provocados por erosão, incêndios e fragmentações naturais. Com isso, diversos registros históricos ficaram incompletos ou difíceis de decifrar, exigindo análises extremamente detalhadas por parte dos especialistas.


Agora, ferramentas baseadas em inteligência artificial começam a transformar esse processo, permitindo identificar padrões e reconstruir inscrições antigas com muito mais precisão.

Como a IA conseguiu “enxergar” sinais quase apagados


O sistema desenvolvido pelos pesquisadores foi treinado utilizando milhares de imagens digitais de alta resolução. A partir desse material, a IA aprendeu a identificar padrões de escrita, inclusive símbolos parcialmente danificados.

Além disso, o programa consegue comparar estilos gráficos entre diferentes períodos históricos, ajudando especialistas a:

  • Reconstruir fragmentos dispersos;
  • Sugerir possíveis interpretações dos sinais;
  • Comparar variações da escrita antiga;
  • Estimar a idade aproximada dos textos.

Em muitos casos, caracteres considerados ilegíveis passaram a ser reconhecidos digitalmente graças à análise automática dos padrões visuais presentes na argila.

Tecnologia pode acelerar pesquisas arqueológicas

Tradicionalmente, a leitura de inscrições antigas depende de anos de trabalho manual realizado por especialistas em paleografia e línguas do Antigo Oriente Próximo. Com a nova ferramenta, esse processo pode se tornar muito mais rápido e preciso.

Outro ponto importante é que a digitalização reduz a necessidade de manipular artefatos extremamente frágeis. Esse processo ajuda a proteger artefatos históricos frágeis, reduzindo riscos de danos em peças antigas.

O sistema também continua em constante treinamento, recebendo novas informações e exemplos fornecidos por pesquisadores internacionais. Dessa forma, a tendência é que a precisão aumente progressivamente nos próximos anos.

A união entre tecnologia moderna e história antiga

O projeto mostra como a inteligência artificial está ultrapassando aplicações tradicionais e entrando em áreas ligadas ao patrimônio histórico e à arqueologia. Mais do que traduzir textos antigos, a tecnologia ajuda a recuperar partes da memória humana que poderiam permanecer perdidas para sempre.

À medida que ferramentas digitais evoluem, cresce também a possibilidade de descobrir detalhes inéditos sobre povos antigos, suas crenças, economias e formas de organização social. Assim, a IA se transforma não apenas em uma ferramenta tecnológica, mas também em uma ponte entre o presente e as primeiras civilizações da história.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.