IA desvenda escrita de 3 mil anos da Mesopotâmia e surpreende arqueólogos
Nova tecnologia baseada em inteligência artificial está ajudando arqueólogos a recuperar textos antigos considerados ilegíveis
Fala Ciência|Do R7

A união entre tecnologias de inteligência artificial e estudos arqueológicos está transformando a forma como civilizações antigas são investigadas. Cientistas da Alemanha criaram uma ferramenta capaz de detectar marcas quase apagadas em tabuletas de argila escritas em cuneiforme, considerado um dos primeiros sistemas de escrita já desenvolvidos pela humanidade.
O projeto ganhou destaque porque muitos desses registros históricos possuem aproximadamente 3 mil anos e sofreram intensa deterioração ao longo do tempo. Em diversas peças, os sinais aparecem incompletos, desgastados ou praticamente invisíveis sem auxílio tecnológico.
Uma escrita criada antes das grandes civilizações modernas
A escrita cuneiforme apareceu há mais de cinco milênios na antiga Mesopotâmia, uma das regiões mais importantes para o desenvolvimento das primeiras civilizações humanas. Os símbolos eram marcados em tábuas de argila ainda úmidas por meio de instrumentos que produziam sinais em formato de cunha, utilizados para registrar atividades comerciais, leis, cerimônias religiosas e acontecimentos políticos.
Ao longo do tempo, porém, muitas dessas peças sofreram danos provocados por erosão, incêndios e fragmentações naturais. Com isso, diversos registros históricos ficaram incompletos ou difíceis de decifrar, exigindo análises extremamente detalhadas por parte dos especialistas.
Agora, ferramentas baseadas em inteligência artificial começam a transformar esse processo, permitindo identificar padrões e reconstruir inscrições antigas com muito mais precisão.
Como a IA conseguiu “enxergar” sinais quase apagados
O sistema desenvolvido pelos pesquisadores foi treinado utilizando milhares de imagens digitais de alta resolução. A partir desse material, a IA aprendeu a identificar padrões de escrita, inclusive símbolos parcialmente danificados.
Além disso, o programa consegue comparar estilos gráficos entre diferentes períodos históricos, ajudando especialistas a:
Em muitos casos, caracteres considerados ilegíveis passaram a ser reconhecidos digitalmente graças à análise automática dos padrões visuais presentes na argila.
Tecnologia pode acelerar pesquisas arqueológicas
Tradicionalmente, a leitura de inscrições antigas depende de anos de trabalho manual realizado por especialistas em paleografia e línguas do Antigo Oriente Próximo. Com a nova ferramenta, esse processo pode se tornar muito mais rápido e preciso.
Outro ponto importante é que a digitalização reduz a necessidade de manipular artefatos extremamente frágeis. Esse processo ajuda a proteger artefatos históricos frágeis, reduzindo riscos de danos em peças antigas.
O sistema também continua em constante treinamento, recebendo novas informações e exemplos fornecidos por pesquisadores internacionais. Dessa forma, a tendência é que a precisão aumente progressivamente nos próximos anos.
A união entre tecnologia moderna e história antiga
O projeto mostra como a inteligência artificial está ultrapassando aplicações tradicionais e entrando em áreas ligadas ao patrimônio histórico e à arqueologia. Mais do que traduzir textos antigos, a tecnologia ajuda a recuperar partes da memória humana que poderiam permanecer perdidas para sempre.
À medida que ferramentas digitais evoluem, cresce também a possibilidade de descobrir detalhes inéditos sobre povos antigos, suas crenças, economias e formas de organização social. Assim, a IA se transforma não apenas em uma ferramenta tecnológica, mas também em uma ponte entre o presente e as primeiras civilizações da história.














