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Injeção de corticoide no joelho corta a dor, mas o que ela faz com a cartilagem?

A infiltração com corticoide pode aliviar a dor rapidamente, mas seu uso repetido exige uma avaliação cuidadosa dos possíveis...

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Infiltração ajuda, porém exige indicação médica. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Quem convive com artrose no joelho sabe o quanto uma crise de dor pode limitar tarefas simples, como caminhar, subir escadas ou levantar da cadeira. Nesses momentos, a injeção de corticoide dentro da articulação costuma oferecer um alívio rápido, muitas vezes perceptível em poucos dias. Mas uma dúvida acompanha esse tratamento há anos: essa infiltração pode prejudicar a cartilagem?

A resposta não é tão simples quanto muitos imaginam. O corticoide continua sendo uma ferramenta importante na ortopedia, porém seu uso precisa ser individualizado e feito com critério.


Como o corticoide reduz a dor tão rapidamente?

Quando aplicado diretamente no joelho, o corticoide intra articular atua diminuindo a produção de substâncias inflamatórias responsáveis pela dor, pelo inchaço e pela rigidez.


Com menos inflamação, a articulação passa a se movimentar com maior conforto, permitindo que muitos pacientes retomem suas atividades diárias. Entretanto, é importante entender que o medicamento não recupera a cartilagem desgastada nem interrompe a progressão da artrose.

Seu principal objetivo é controlar os sintomas durante um período de crise.


O que acontece com a cartilagem ao longo do tempo?

Durante muitos anos, pesquisadores discutiram se aplicações repetidas poderiam acelerar o desgaste da cartilagem. Os resultados encontrados variam conforme a frequência das infiltrações, o tipo de corticoide utilizado e o perfil de cada paciente.


Hoje, especialistas consideram que uma aplicação ocasional, quando bem indicada, apresenta um perfil de segurança aceitável. Já infiltrações repetidas em intervalos curtos merecem cautela, principalmente porque a dor reduzida pode levar o paciente a sobrecarregar um joelho que continua estruturalmente comprometido.

Além disso, o excesso de aplicações aumenta o risco de efeitos locais e pode limitar futuras opções terapêuticas.

Quando a infiltração realmente vale a pena?

Em geral, o procedimento pode ser indicado quando há:

  • Dor intensa que não melhora com medicamentos convencionais.
  • Inflamação importante dentro da articulação.
  • Dificuldade para iniciar um programa de fisioterapia devido à dor.
  • Necessidade de controle temporário dos sintomas enquanto outras estratégias são implementadas.

Isso significa que a infiltração deve fazer parte de um plano de tratamento mais amplo, que inclui controle do peso, fortalecimento muscular, exercícios supervisionados e acompanhamento médico.

O que as evidências atuais sugerem?

Um consenso internacional publicado na revista Journal of Orthopaedic Surgery and Research, em 8 de janeiro de 2026, liderado por Ye Huang, concluiu que as injeções intra articulares de glicocorticoides continuam sendo uma opção válida para aliviar a dor da artrose do joelho no curto prazo, especialmente durante crises inflamatórias. Ao mesmo tempo, o documento destaca que o tratamento não modifica a evolução da doença e recomenda evitar aplicações frequentes e indiscriminadas, reservando o procedimento para situações bem selecionadas.

Alívio imediato não significa tratamento definitivo

A infiltração de corticoide pode representar um grande aliado para recuperar qualidade de vida em momentos específicos. No entanto, ela não substitui hábitos saudáveis, fisioterapia ou outras abordagens voltadas para preservar a função da articulação.

O melhor resultado costuma surgir quando o alívio da dor é aproveitado para fortalecer os músculos, melhorar a mobilidade e reduzir os fatores que aceleram o desgaste do joelho. Assim, a infiltração deixa de ser uma solução isolada e passa a integrar uma estratégia completa para cuidar da saúde das articulações.

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