Mais de 80% das mulheres relatam dor na colocação do DIU
Estudo da Unicamp mostra que desconforto na inserção do DIU é mais frequente do que apontam dados oficiais
Fala Ciência|Do R7

A experiência de inserção do DIU (dispositivo intrauterino) pode ser mais dolorosa do que o registrado em diretrizes oficiais de saúde. Um novo estudo realizado pela Unicamp, em um dos maiores ambulatórios de planejamento familiar do Brasil, revelou que o desconforto durante o procedimento é significativamente mais comum do que se imaginava anteriormente.
Os dados chamam atenção porque mostram uma discrepância importante entre relatos clínicos recentes e estimativas tradicionais, levantando discussões sobre a forma como a dor é avaliada e manejada na prática médica.
O que a pesquisa revelou sobre a dor no DIU
A análise foi realizada com base em mais de 7 mil inserções de DIU entre 2022 e 2024, em um hospital referência em saúde da mulher. O objetivo foi entender como a dor se manifesta e como varia entre diferentes pacientes.
Os resultados mostraram que cerca de 81% das mulheres relataram desconforto moderado a intenso, um número muito acima dos aproximadamente 5% descritos em registros anteriores de órgãos oficiais.
Além disso, mais da metade das participantes relatou dor intensa durante o procedimento, indicando que a experiência pode ser mais sensível do que o esperado em grande parte dos casos.
Diferença entre dados clínicos e realidade das pacientes
O contraste entre os dados observados e as estimativas anteriores sugere que a percepção da dor pode ter sido subestimada ao longo do tempo. Essa diferença é importante porque impacta diretamente o preparo das pacientes e as estratégias adotadas pelos profissionais de saúde.
Entre os principais pontos destacados pelo estudo estão:
Esses fatores ajudam a explicar por que tantas mulheres relatam experiências mais intensas do que o descrito em diretrizes tradicionais.
Barreiras que ainda limitam o uso do DIU
Apesar de ser um método altamente eficaz, o DIU ainda é pouco utilizado no Brasil, representando cerca de 4% dos métodos contraceptivos, enquanto a pílula anticoncepcional continua sendo a mais comum.
De acordo com especialistas, esse cenário está relacionado a três fatores principais:
Além disso, o estudo aponta que muitas pacientes não recebem orientações completas sobre o que esperar, o que pode aumentar a ansiedade e influenciar a percepção da dor.
Manejo da dor ainda é pouco padronizado
Outro ponto importante levantado pela pesquisa é que existem alternativas para reduzir o desconforto, como o uso de analgésicos, anti-inflamatórios e antiespasmódicos. No entanto, essas estratégias nem sempre são aplicadas de forma consistente na prática clínica.
Essa ausência de padronização pode contribuir para experiências negativas e, consequentemente, para a baixa adesão ao método.
Um desafio para o planejamento familiar no país
O estudo também destaca que o Brasil ainda enfrenta limitações na organização de políticas de planejamento familiar, o que impacta diretamente o acesso a métodos contraceptivos modernos como o DIU.
Entre os principais desafios estão:
Como resultado, muitas mulheres ainda enfrentam barreiras evitáveis para acessar métodos seguros e eficazes de contracepção.
Uma discussão necessária sobre cuidado e informação
Os dados reforçam a importância de melhorar a comunicação entre profissionais de saúde e pacientes, especialmente no que diz respeito às expectativas sobre o procedimento. Além disso, evidenciam a necessidade de ampliar estratégias de manejo da dor e garantir um atendimento mais acolhedor.
Em um contexto de saúde reprodutiva, compreender a experiência das pacientes é essencial para tornar os métodos contraceptivos mais acessíveis, seguros e humanizados.













