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Mamíferos sociais vivem mais, mas grupos enormes podem ter desvantagens

Pesquisa mostra que a sociabilidade está ligada à longevidade em diversas espécies de mamíferos

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Mamíferos que vivem em pares ou grupos tendem a viver mais, revela estudo científico. (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A convivência social pode ser uma das chaves para uma vida mais longa entre os mamíferos. Um novo estudo publicado na revista Ecology and Evolution analisou mais de 1.400 espécies e identificou uma relação clara entre interação social e expectativa de vida.

Os pesquisadores descobriram que espécies que vivem em pares ou grupos tendem a viver mais do que mamíferos solitários. No entanto, o estudo também revelou um detalhe curioso: viver em grupos muito grandes não parece aumentar significativamente a longevidade em comparação com espécies que vivem apenas em casal. A análise reuniu informações sobre:


  • Expectativa de vida máxima das espécies;
  • Massa corporal;
  • Organização social;
  • Hábitos ecológicos e comportamentais.

Os animais foram divididos em três categorias principais: espécies solitárias, espécies que vivem em pares estáveis e espécies organizadas em grupos sociais maiores, como manadas ou sociedades complexas de primatas.


A proteção coletiva pode favorecer uma vida mais longa

Segundo os resultados, um dos principais benefícios da vida social está relacionado à proteção contra predadores. Em grupos, os indivíduos conseguem dividir tarefas de vigilância e reduzir as chances de ataques fatais.


Além disso, o chamado “efeito de diluição” também contribui para a sobrevivência. Quando muitos animais permanecem juntos, a probabilidade de um único indivíduo ser capturado diminui consideravelmente.

Outro ponto importante envolve o próprio tamanho corporal. O estudo reforça que mamíferos maiores geralmente vivem mais, pois enfrentam menos ameaças naturais e conseguem investir mais energia em manutenção do organismo e reparo celular.


Ainda assim, mesmo considerando o peso corporal, a sociabilidade continuou associada ao aumento da longevidade.

Nem sempre grupos maiores trazem mais vantagens

Embora viver acompanhado apresente benefícios claros, os pesquisadores observaram que grandes grupos também trazem custos importantes. O principal deles é o aumento da transmissão de doenças infecciosas.

Quanto maior a proximidade entre indivíduos, maior tende a ser a circulação de vírus, bactérias e outros patógenos. Isso pode compensar parte das vantagens obtidas pela proteção coletiva.

Por esse motivo, espécies que vivem em grupos numerosos não demonstraram uma expectativa de vida muito superior àquelas organizadas em pares.

O estudo liderado por Owen R. Jones sugere que a vida social faz parte de um equilíbrio evolutivo complexo, envolvendo comportamento, fisiologia e sobrevivência.

O que os animais podem ensinar sobre envelhecimento humano

Os resultados também ajudam cientistas a compreender melhor o envelhecimento em humanos. Diversos estudos já associaram conexões sociais à melhora da saúde física e mental, além da redução do risco de mortalidade precoce.

Agora, as novas descobertas indicam que os benefícios da sociabilidade podem ter raízes evolutivas profundas compartilhadas por diferentes mamíferos.

A pesquisa reforça que envelhecer não depende apenas de fatores biológicos internos. O ambiente social, as relações e o comportamento coletivo também desempenham papel importante na forma como espécies vivem, e sobrevivem, ao longo do tempo.

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