Novo dinossauro descoberto na Patagônia pode ter caçado peixes como garças gigantes
Fóssil revela ave de rapina pré-histórica especializada em pesca há 70 milhões de anos
Fala Ciência|Do R7

Uma nova descoberta na Patagônia está mudando a forma como os cientistas enxergam os famosos dinossauros semelhantes a raptores. Pesquisadores identificaram uma espécie inédita chamada Kank australis, um predador que viveu há cerca de 70 milhões de anos e que possivelmente caçava peixes de maneira semelhante às garças modernas.
Descrito em estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, o animal pertence ao grupo dos unenlagiídeos, dinossauros terópodes característicos do Hemisfério Sul. Diferentemente da imagem clássica de raptores velozes perseguindo presas terrestres, esse novo fóssil sugere um estilo de vida muito mais associado a ambientes aquáticos. Os principais indícios encontrados pelos cientistas incluem:
Um caçador adaptado aos antigos pântanos da Patagônia
O Kank australis viveu em uma região completamente diferente da Patagônia atual. Durante o fim do período Cretáceo, a área era marcada por rios sinuosos, lagoas temporárias e vegetação úmida abundante.
Esse ambiente abrigava uma grande diversidade de animais, incluindo peixes, anfíbios, moluscos, tartarugas e pequenos mamíferos. Nesse cenário, o novo dinossauro provavelmente ocupava um nicho ecológico semelhante ao das aves pescadoras modernas.
Os fósseis encontrados mostram que o animal media cerca de 2,5 a 3 metros de comprimento. Apesar de relativamente pequeno perto de outros predadores da época, possuía adaptações bastante especializadas para captura de presas aquáticas.
O detalhe anatômico que chamou atenção dos cientistas
A principal característica que diferenciou o Kank de outros raptores foi observada nas vértebras do pescoço. Essas estruturas apresentam regiões especializadas para fixação muscular e proteção de vasos sanguíneos, algo muito semelhante ao encontrado em aves modernas com grande mobilidade cervical.
Esse tipo de anatomia favorece movimentos rápidos e extremamente precisos da cabeça, fundamentais para capturar peixes em ambientes rasos.
Além disso, os pesquisadores identificaram vértebras pneumáticas, ossos com cavidades de ar internas e dentes com sulcos afiados, indicando uma adaptação eficiente para segurar presas escorregadias.
Um predador diferente dos raptores clássicos
A descoberta reforça a ideia de que os unenlagiídeos tinham comportamentos bastante variados. Enquanto raptores famosos do Hemisfério Norte costumam ser associados à caça terrestre, espécies sul-americanas parecem ter explorado habitats mais diversos. O Kank australis também convivia com gigantes predadores da região, incluindo grandes megaraptorídeos capazes de ultrapassar 10 metros de comprimento.
Além de ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas do Cretáceo Superior, o fóssil ajuda cientistas a preencher uma importante lacuna sobre a distribuição desses dinossauros no extremo sul da América do Sul. As escavações continuam na Formação Chorrillo, na Argentina, e novas descobertas podem revelar ainda mais detalhes sobre a evolução desses surpreendentes “raptores pescadores”.













