Vape pode estar destruindo o colágeno da gengiva, aponta estudo
Pesquisa laboratorial indica que o aerossol do cigarro eletrônico pode interferir na produção de colágeno em células da gengiva
Fala Ciência|Do R7

O cigarro eletrônico ainda é frequentemente visto como uma alternativa ao cigarro tradicional. No entanto, uma nova pesquisa laboratorial acende um alerta importante sobre seus possíveis efeitos nos tecidos da boca. O estudo indica que a exposição ao aerossol do vape pode interferir diretamente na produção de colágeno e na saúde das células da gengiva.
A investigação foi publicada na Journal of Oral Biology and Craniofacial Research (Padmanathan Ramasamy, 2026) e analisou como o aerossol afeta células humanas da gengiva em ambiente controlado.
O que acontece com as células da gengiva
Os pesquisadores avaliaram fibroblastos gengivais humanos, que são as células responsáveis por produzir colágeno e manter a estrutura dos tecidos. Essas células foram expostas ao extrato do aerossol do cigarro eletrônico em diferentes concentrações.
Os resultados mostraram que a exposição pode causar alterações importantes, como:
• redução da viabilidade celular
• mudanças na estrutura da matriz extracelular
• alteração no equilíbrio entre produção e degradação de colágeno
• sinais de estresse e enfraquecimento celular
Em outras palavras, as células passaram a funcionar de forma menos eficiente.
Colágeno em desequilíbrio
Um dos achados mais relevantes foi a alteração nos genes ligados ao colágeno. O estudo observou:
• diminuição da expressão do gene COL1A1, ligado à produção de colágeno
• redução de TIMP1, que ajuda a proteger a matriz celular
• aumento de enzimas como MMP1 e MMP9, associadas à degradação do colágeno
Esse conjunto de mudanças indica um cenário de maior quebra da matriz extracelular, estrutura essencial para firmeza e regeneração dos tecidos gengivais.
Estrutura celular mais frágil e sinais de dano
Além das alterações genéticas, a análise microscópica mostrou mudanças visíveis nas células expostas ao aerossol do vape.
Entre os principais achados:
• retração das células
• formação de vacúolos internos
• redução da organização das fibras de colágeno
• menor densidade da matriz extracelular
Esses sinais sugerem que o tecido pode perder parte da sua capacidade de manutenção e reparo ao longo do tempo.
Como a nicotina pode interferir no processo
Outro ponto investigado foi a interação da nicotina com proteínas do tecido gengival. A modelagem molecular indicou que essa substância pode se ligar a estruturas relacionadas ao colágeno e às enzimas que o degradam.
Essa interação pode contribuir para:
• enfraquecimento da produção de colágeno
• aumento da degradação da matriz celular
• desequilíbrio na regeneração dos tecidos
Embora esses dados venham de simulações, eles ajudam a explicar os mecanismos observados no laboratório.
O que os resultados significam?
É importante destacar que o estudo foi in vitro, ou seja, realizado em células em laboratório. Isso significa que os resultados não podem ser diretamente traduzidos para humanos em longo prazo, mas indicam possíveis efeitos biológicos relevantes.
Ainda assim, os achados sugerem que o aerossol do cigarro eletrônico pode:
• prejudicar a saúde do tecido gengival
• interferir na produção de colágeno
• alterar processos naturais de reparo celular
Os resultados levantam uma questão importante sobre o impacto do vape na saúde bucal. Mesmo sendo considerado por alguns como alternativa ao cigarro convencional, o cigarro eletrônico pode não ser inofensivo para tecidos como a gengiva.
Por isso, os pesquisadores destacam a necessidade de novos estudos em modelos clínicos e em humanos para entender melhor os efeitos reais do uso contínuo.














