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Pesticida usado na agricultura causa danos cerebrais silenciosos em crianças 

Pesquisa aponta associação entre exposição pré-natal a pesticida e alterações cerebrais persistentes

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Estudo associa pesticida a danos neurológicos em crianças. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

A exposição a substâncias químicas durante a gestação tem chamado atenção da ciência, especialmente quando envolve compostos amplamente usados na agricultura. Um estudo publicado na revista JAMA Neurology (2025), liderado por Virginia Rauh e Bradley Peterson (2025), identificou uma associação entre o pesticida clorpirifós (CPF) e alterações persistentes no desenvolvimento cerebral de crianças expostas ainda no útero.

A pesquisa analisou como a exposição precoce a esse inseticida pode afetar não apenas a estrutura do cérebro, mas também funções motoras e metabólicas ao longo da infância e adolescência.


O que acontece no cérebro em formação durante a exposição

Os cientistas acompanharam 270 crianças e adolescentes, todos com evidências de exposição pré-natal ao pesticida. A substância foi detectada no sangue do cordão umbilical, indicando contato ainda durante a gestação.


Entre os 6 e 14 anos de idade, os participantes passaram por avaliações detalhadas, incluindo:

  • Exames de imagem cerebral
  • Testes de desempenho motor
  • Análises comportamentais
  • Avaliação metabólica cerebral


Os resultados mostraram um padrão consistente: quanto maior a exposição ao clorpirifós, mais intensas foram as alterações observadas no cérebro.

Além disso, crianças com maior contato com a substância apresentaram redução na velocidade motora e dificuldades em tarefas que exigem coordenação e planejamento de movimentos.


Um efeito silencioso e progressivo

Um dos pontos mais importantes identificados pelo estudo é que os impactos não surgem de forma imediata. Pelo contrário, eles tendem a ser silenciosos e progressivos, aparecendo ao longo do desenvolvimento infantil.

As alterações observadas envolveram:

  • Estrutura cerebral
  • Funcionamento metabólico do cérebro
  • Regiões ligadas ao controle motor
  • Processos de desenvolvimento neural

Esses achados sugerem que a exposição precoce interfere em etapas fundamentais da formação cerebral, justamente quando o sistema nervoso está mais vulnerável.

Onde esse pesticida ainda está presente

Mesmo com limitações impostas ao uso residencial em alguns países, o clorpirifós ainda segue presente no setor agrícola, sendo aplicado em diferentes tipos de lavouras, principalmente em: 

  • Frutas
  • Vegetais
  • Grãos
  • Produções não orgânicas

Isso significa que a exposição humana ainda pode ocorrer de forma indireta, principalmente por meio de:

  • Resíduos em alimentos
  • Partículas no ar próximo a áreas agrícolas
  • Contato ambiental em regiões rurais

Esse cenário preocupa pesquisadores, já que gestantes e crianças pequenas estão entre os grupos mais sensíveis a substâncias neurotóxicas.

Desenvolvimento cerebral exige atenção redobrada

O estudo também destaca que outros pesticidas da família dos organofosforados podem apresentar efeitos semelhantes no organismo humano.

Durante a gestação e a primeira infância, o cérebro passa por um período de rápida formação, caracterizado por intensa atividade celular e reorganização neural. Por isso, qualquer interferência química nessa fase pode ter impacto prolongado.

Entre os possíveis efeitos associados estão:

  • Alterações na comunicação entre neurônios
  • Mudanças no metabolismo cerebral
  • Comprometimento de habilidades motoras
  • Impactos no desenvolvimento cognitivo

O que esse estudo representa para a saúde pública

Publicado na JAMA Neurology, o estudo amplia o debate sobre segurança alimentar e exposição ambiental a pesticidas. A análise indica que a prevenção da exposição durante a gestação pode ser uma estratégia importante para proteger o desenvolvimento neurológico infantil.

Embora mais pesquisas sejam necessárias para aprofundar os mecanismos envolvidos, os dados observados até aqui apontam para uma relação consistente entre exposição pré-natal ao pesticida e alterações no cérebro em formação.

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