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Plantas conseguem “ouvir” vizinhas pelo cheiro e mudar forma de crescer

Pesquisa mostra que plantas utilizam sinais químicos do ar para ajustar crescimento e defesa

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Plantas “farejam” vizinhas e mudam crescimento para competir e sobreviver melhor no ambiente. (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT) Fala Ciência

As plantas podem parecer organismos silenciosos e passivos, mas uma nova descoberta mostra que elas mantêm uma sofisticada rede de comunicação química invisível no ambiente. Cientistas identificaram que diferentes espécies e variedades vegetais conseguem “interpretar” aromas liberados por plantas vizinhas e, a partir disso, decidir quanto investir em crescimento ou mecanismos de defesa.

O estudo, publicado no Journal of Experimental Botany, analisou o comportamento da cevada (Hordeum vulgare) em ambientes controlados e revelou que compostos aromáticos naturais desempenham um papel muito mais importante do que se imaginava na competição entre plantas.


Esses sinais químicos são conhecidos como compostos orgânicos voláteis (COVs). Eles evaporam facilmente no ar e são responsáveis por muitos aromas característicos de flores, folhas e frutos. Além disso, já eram conhecidos por ajudar plantas a responder a ataques de insetos e situações de estresse ambiental. Entre os principais pontos observados pelos pesquisadores estão:

  • plantas detectam a velocidade de crescimento das vizinhas pelo aroma;
  • sinais químicos alteram genes ligados ao crescimento e à defesa;
  • espécies de crescimento rápido estimulam maior expansão das plantas próximas;
  • aromas de plantas mais lentas favorecem respostas de proteção;
  • o fenômeno pode influenciar produtividade agrícola no futuro.


Uma linguagem invisível no ar

Para entender como essa comunicação funciona, os cientistas estudaram três variedades de cevada com ritmos diferentes de desenvolvimento. Algumas cresciam rapidamente, enquanto outras apresentavam crescimento mais lento.


Os resultados mostraram que as plantas conseguiam perceber essas diferenças por meio dos compostos químicos liberados no ambiente. Quando expostas aos aromas de vizinhas de crescimento acelerado, elas aumentavam sua própria produção de biomassa, expandindo folhas, caules e raízes.

Por outro lado, ao detectar sinais químicos associados a plantas de crescimento lento, o comportamento mudava. Nesse cenário, os vegetais ativavam genes ligados à defesa e ao estresse, reduzindo o foco no crescimento intenso.


A pesquisa indica que essa comunicação funciona como uma espécie de “leitura estratégica” do ambiente, permitindo que as plantas ajustem seu metabolismo antes mesmo de ocorrer uma competição direta por luz, água ou nutrientes.

Aromas conhecidos escondem mensagens complexas

Os cientistas identificaram que alguns dos compostos mais associados a essas respostas incluem substâncias presentes em fragrâncias florais e cítricas, como linalol, benzilnitrila e octanal.

Embora sejam conhecidos pelo aroma agradável em perfumes e cosméticos, esses compostos exercem funções biológicas sofisticadas dentro dos ecossistemas vegetais. Eles ajudam plantas a compartilhar informações químicas constantemente, mesmo quando aparentemente saudáveis.

Outro ponto importante é que as alterações observadas não ocorreram apenas na aparência das plantas. A análise genética mostrou mudanças profundas na expressão de genes ligados à replicação celular, transporte de nutrientes e mecanismos de proteção.

Os pesquisadores acreditam que esse tipo de comunicação química provavelmente ocorre em grande parte do reino vegetal e pode abrir novos caminhos para a agricultura moderna. No futuro, compreender como plantas “conversam” poderá ajudar no desenvolvimento de cultivos mais resistentes, produtivos e eficientes sem depender exclusivamente de defensivos químicos.

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