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“Químicos eternos” podem permanecer na água por mais de 30 anos

Pesquisa revela que substâncias químicas persistentes podem permanecer ocultas no ambiente por décadas

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Um estudo recente trouxe novos alertas sobre os chamados “químicos eternos”, substâncias sintéticas conhecidas pela enorme dificuldade de degradação no meio ambiente. A pesquisa identificou casos de contaminação por PFAS que permaneceram ativos por até mais de três décadas após acidentes envolvendo incêndios e combustíveis.

Os resultados mostram como esses compostos químicos podem permanecer ocultos por muitos anos, contaminando solos, rios e sistemas de abastecimento de água sem serem detectados. Publicado com apoio de pesquisadores ligados à revista científica Environment International, o trabalho reforça a preocupação global com os impactos ambientais e riscos à saúde associados aos PFAS. Entre os principais problemas ligados aos PFAS estão:


  • Contaminação persistente da água potável;
  • Acúmulo no organismo humano;
  • Impactos em animais e ecossistemas;
  • Aumento do risco de doenças crônicas;
  • Dificuldade de remoção ambiental.

O que são os “químicos eternos”?


Os PFAS representam uma ampla família de substâncias químicas usadas há décadas em produtos industriais e domésticos. Eles podem ser encontrados em panelas antiaderentes, embalagens alimentícias, tecidos impermeáveis, espumas contra incêndio e até cosméticos.

O grande problema é que essas moléculas praticamente não se degradam naturalmente. Por isso, receberam o apelido de “químicos eternos”. Além de permanecerem no ambiente por longos períodos, essas substâncias conseguem se acumular em organismos vivos ao longo do tempo.


PFAS persistem no ambiente e preocupam cientistas devido aos riscos à saúde humana. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Pesquisas já identificaram PFAS em órgãos humanos como fígado, rins, pulmões e até no cérebro. A exposição contínua também vem sendo associada ao aumento do risco de doenças hepáticas, colesterol elevado, obesidade, alterações hormonais e alguns tipos de câncer.

Acidentes antigos ainda afetam água potável


O estudo analisou dois acidentes envolvendo caminhões-tanque ocorridos na Austrália nas décadas de 1990 e 2000. Em ambos os casos, espumas utilizadas no combate aos incêndios continham compostos à base de PFAS.

Décadas depois, os pesquisadores ainda encontraram sinais significativos de contaminação em riachos e reservatórios ligados ao abastecimento de água. Em algumas áreas, os níveis detectados ultrapassaram centenas de vezes os limites considerados seguros para ecossistemas aquáticos.

Além disso, a pesquisa aponta que a ausência de monitoramento específico para PFAS contribuiu para que a contaminação permanecesse despercebida durante muitos anos.

Risco ambiental preocupa especialistas

Os resultados reforçam a preocupação crescente com a presença disseminada dessas substâncias no planeta. Como os PFAS podem viajar pela água e pelo solo, áreas aparentemente preservadas também podem sofrer contaminação silenciosa.

Outro ponto preocupante é que mesmo eventos isolados, como acidentes com incêndios, podem gerar impactos ambientais duradouros. Isso amplia o debate sobre controle industrial, monitoramento da água potável e desenvolvimento de métodos mais eficientes para descontaminação ambiental.

Com o avanço das pesquisas, especialistas defendem políticas mais rigorosas para reduzir o uso dessas substâncias e ampliar o monitoramento ambiental, especialmente em regiões próximas a reservatórios de água e áreas urbanas.

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