Sistema Solar pode ter perdido um planeta gigante, sugere estudo
Simulações indicam que um gigante gelado desaparecido pode ter influenciado luas e planetas há bilhões de anos
Fala Ciência|Do R7

O Sistema Solar parece estável hoje, mas sua infância pode ter sido muito mais turbulenta do que imaginamos. Um novo estudo publicado na revista Icarus sugere que os planetas gigantes passaram por um período de intensa instabilidade gravitacional e que um dos protagonistas dessa história talvez nem exista mais. Segundo os pesquisadores, um antigo gigante de gelo pode ter sido expulso do Sistema Solar há bilhões de anos.
A hipótese ajuda a explicar não apenas a disposição atual dos planetas, mas também características observadas em algumas luas de Urano e Júpiter. Embora a ideia de um planeta desaparecido pareça saída da ficção científica, ela surge a partir de modelos computacionais avançados que simulam os primeiros capítulos da história do nosso sistema planetário. Entre os principais resultados da pesquisa estão:
Quando os gigantes entraram em rota de colisão
Os cientistas investigaram um período conhecido como Modelo de Nice, uma fase ocorrida entre 4 e 4,5 bilhões de anos atrás. Nesse cenário, os planetas gigantes não ocupavam as mesmas posições observadas atualmente e sofriam constantes perturbações gravitacionais.
Utilizando dezenas de simulações computacionais, os pesquisadores reconstruíram possíveis trajetórias dos planetas ao longo de milhões de anos. Em muitos casos, os encontros gravitacionais eram tão intensos que alguns mundos acabavam sendo lançados para regiões distantes ou até expulsos completamente do Sistema Solar.
Os resultados indicam que sistemas contendo cinco ou seis planetas gigantes podem explicar melhor certas características observadas atualmente no Sistema Solar externo.
O enigma das luas de Urano
Entre os pontos que mais chamaram a atenção dos pesquisadores estão as luas de Urano. Os modelos computacionais indicam que esses satélites naturais podem ter passado por períodos de intensa turbulência durante os primeiros estágios da evolução do Sistema Solar.
Em vez de serem simplesmente arremessadas para o espaço, muitas dessas luas poderiam ter colidido entre si. As colisões teriam produzido enormes nuvens de fragmentos gelados que, posteriormente, voltaram a se agrupar sob a ação da gravidade.
Esse processo pode ajudar a explicar a origem de Miranda, uma das luas mais peculiares de Urano, conhecida por sua superfície repleta de estruturas geológicas incomuns.
Uma peça faltando no quebra-cabeça cósmico
Embora a hipótese ainda necessite de investigações adicionais, ela reforça a ideia de que o Sistema Solar passou por transformações dramáticas durante sua formação. O estudo liderado por Matthew S. Clement mostra que a configuração atual dos planetas pode ser resultado de um passado marcado por encontros próximos, colisões e até pela perda de um planeta inteiro.
Se futuras pesquisas confirmarem esse cenário, o chamado planeta perdido do Sistema Solar poderá se tornar uma das peças mais importantes para compreender como nosso bairro cósmico adquiriu a forma que observamos hoje.














