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Talos de brócolis escondem composto capaz de reduzir inflamação celular 

Compostos bioativos do brócolis podem atuar na redução de inflamação intestinal associada ao estresse oxidativo

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Talos de brócolis têm ação anti-inflamatória natural. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Um subproduto comum do brócolis tem chamado a atenção da ciência por seu potencial biológico: o sulforafano (SFN). Evidências recentes mostram que esse composto, liberado durante a digestão, pode atuar em mecanismos ligados à inflamação intestinal e ao estresse oxidativo, processos associados ao envelhecimento e a doenças metabólicas.

Na revista científica Food & Function (Royal Society of Chemistry), o trabalho conduzido por Concepción Medrano-Padial e colaboradores (2026) avaliou o destino e a atividade de compostos bioativos presentes nos talos de brócolis ao longo do processo digestivo.


O que acontece no intestino após o consumo do brócolis

Durante a digestão, os glucosinolatos presentes no brócolis passam por transformações químicas e liberam compostos ativos. Entre eles, o mais relevante foi o sulforafano bioacessível, identificado como principal molécula funcional disponível após o processo digestivo.


De forma simplificada, os resultados mostraram que:

  • A digestão gera pequenas quantidades de SFN ativo
  • Outros compostos vegetais sofrem degradação parcial
  • O SFN mantém estabilidade suficiente para ação biológica


Esse comportamento sugere que o intestino pode ser o principal local de atuação desse composto.

Ação direta em mecanismos de inflamação celular


Brócolis pode modular COX-2 e inflamação celular. (Foto: Aflo via Canva) Fala Ciência

Em modelos experimentais com células intestinais humanas, foi simulado um cenário de estresse oxidativo, condição que aumenta a produção da enzima COX-2, associada à inflamação.

Na presença de sulforafano, observou-se:

  • Redução da expressão de COX-2
  • Menor liberação de prostanoides inflamatórios (PGE₂ e PGF₂α)
  • Queda de marcadores de estresse oxidativo como 8-iso-PGF₂α

Esses efeitos indicam que o SFN atua principalmente na regulação de vias celulares inflamatórias, especialmente sistemas ligados ao equilíbrio redox e à resposta imune celular.

Inflamação silenciosa e o papel da alimentação

O estudo também destaca um conceito importante: a parainflamação, um estado de inflamação leve e contínua que pode evoluir silenciosamente ao longo dos anos.

Nesse cenário, a alimentação rica em compostos vegetais bioativos pode exercer papel relevante na modulação desses processos. O sulforafano aparece como um dos principais candidatos naturais nesse tipo de regulação.

Entre os achados mais relevantes:

  • Efeitos observados mesmo em baixas concentrações
  • Atuação principalmente por regulação genética
  • Possível sinergia com outros fitoquímicos do brócolis

Talos de brócolis: de resíduo a ingrediente funcional

Um dos pontos mais interessantes da pesquisa é a valorização dos talos de brócolis, frequentemente descartados na alimentação.

Os dados sugerem que essa parte da planta contém precursores que, após digestão, geram compostos bioativos com potencial funcional. Isso abre espaço para estratégias de aproveitamento sustentável na indústria alimentícia e nutricional.

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