Logo R7.com
RecordPlus
‌

Agentes mortos, renúncia e tensões: entenda a polêmica pela presença da CIA no México

Operação buscava desmantelar laboratórios clandestinos de fabricação de drogas sintéticas

Internacional|Mauricio Torres, da CNN Internacional

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Dois agentes da CIA morreram em um acidente durante uma operação de combate a drogas no México.
  • O governo mexicano pediu explicações sobre a presença dos agentes, que não estavam credenciados para operações no país.
  • O procurador-geral de Chihuahua renunciou em meio à controvérsia, reconhecendo falhas na gestão da informação.
  • Investigações foram abertas pela Procuradoria-Geral da República sobre a presença dos agentes e a descoberta dos laboratórios clandestinos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Dois agentes da CIA morreram em um acidente de carro Reprodução/Pixabay

Há duas semanas, uma operação de segurança para desmantelar laboratórios clandestinos de fabricação de drogas sintéticas no estado de Chihuahua, no norte do México e na fronteira com os Estados Unidos, desencadeou uma controvérsia que ainda não tem um desfecho à vista.

A revelação de que dois agentes da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês) estiveram na operação — e depois morreram em um acidente de carro — fez com que o governo do México pedisse explicações tanto ao governo de Chihuahua quanto ao dos Estados Unidos.

‌

Ao mesmo tempo, o procurador-geral de Chihuahua renunciou ao cargo, e muitos especialistas se perguntam qual é o tamanho da presença de agências estrangeiras em território mexicano.

LEIA MAIS

Entre a sexta-feira, 17, e o domingo, 19 de abril, agentes da Procuradoria de Chihuahua e integrantes do Exército participaram de uma operação para desmantelar laboratórios clandestinos de drogas no município de Morelos, localizado na região serrana do estado.

‌

Na noite de 19 de abril, o então procurador-geral de Chihuahua, César Jáuregui, informou em coletiva de imprensa que, durante a madrugada daquele dia, quando o comboio retornava à capital do estado, um veículo capotou.

No acidente, disse ele, morreram o diretor da Agência Estatal de Investigação (AEI), Pedro Román Oseguera Cervantes, seu escolta Manuel Genaro Méndez Montes e dois funcionários americanos, identificados como instrutores da Embaixada dos Estados Unidos.

‌

O embaixador dos Estados Unidos, Ronald Johnson, lamentou o ocorrido. “Essa tragédia é um lembrete solene dos riscos enfrentados por autoridades mexicanas e americanas dedicadas a proteger nossas comunidades, e reforça nossa determinação de continuar sua missão e avançar em nosso compromisso compartilhado com a segurança e a justiça, para proteger nossa população”, publicou na rede X.

Na segunda-feira, 20 de abril, durante sua coletiva matinal, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, lamentou a morte dos americanos, mas também afirmou que seu governo não tinha conhecimento da presença deles em Chihuahua.

‌

Por esse motivo, disse, solicitou informações tanto ao governo de Chihuahua quanto ao dos Estados Unidos, com o objetivo de esclarecer se houve possível violação à Constituição mexicana e à Lei de Segurança Nacional, que estabelecem limites à cooperação entre autoridades mexicanas e agências estrangeiras.

O que determina a legislação?

Entre outros pontos, a legislação determina que agentes estrangeiros devem receber credenciamento do governo federal para permanecer temporariamente no país, devem se concentrar em atividades de intercâmbio de informações e precisam reportar mensalmente suas ações.

Já a Constituição estabelece que o México não permitirá que instituições estrangeiras realizem “investigação e persecução” de crimes sem “autorização e colaboração expressa”.

Na terça-feira, 21 de abril, a CNN Internacional e outros veículos informaram que os dois americanos mortos em Chihuahua eram agentes da CIA. Fontes com conhecimento do caso disseram à CNN Internacional que eles trabalhavam com autoridades mexicanas na ampliação de operações antidrogas no país.

A revelação gerou diversas reações no México, incluindo questionamentos à governadora de Chihuahua, María Eugenia Campos, do opositor Partido Ação Nacional (PAN).

No dia seguinte, a Comissão de Pontos Constitucionais do Senado, onde o partido governista Morena tem maioria, decidiu convidar Campos e o procurador Jáuregui para uma reunião a fim de prestar esclarecimentos sobre o caso.

Na quinta-feira, 23 de abril, enquanto a presidente seguia pedindo investigação e esclarecimento dos fatos, Campos se reuniu de forma privada com o secretário federal de Segurança, Omar García Harfuch, segundo a imprensa local. Na ocasião, autoridades não deram mais detalhes sobre o encontro.

No dia seguinte, Campos divulgou uma foto ao lado de García Harfuch e afirmou, em comunicado, que concorda com Sheinbaum ao dizer que “os governos, independentemente de sua filiação partidária, devem trabalhar juntos pela segurança das famílias mexicanas e pela integridade soberana do país, dentro do marco das leis e em um ambiente de confiança e coordenação institucional”.

Na mesma noite, Campos anunciou a criação de uma unidade especial da Procuradoria de Chihuahua para investigar como ocorreu a presença dos agentes da CIA no estado. À frente do órgão, foi nomeada a promotora Wendy Chávez.

No sábado, 25 de abril, o gabinete de segurança do governo federal informou que, segundo registros migratórios, um dos agentes americanos mortos entrou no México como visitante sem permissão para exercer atividades remuneradas, enquanto o outro entrou com passaporte diplomático. O gabinete destacou que nenhum dos dois estava credenciado para participar de tarefas operacionais em território mexicano.

“A legislação mexicana é clara: não permite a participação de agentes estrangeiros em operações dentro do território nacional. A cooperação internacional em segurança ocorre por meio de mecanismos de intercâmbio de informações, coordenação institucional e colaboração técnica, sempre com respeito absoluto à soberania nacional, à reciprocidade, à confiança mútua e sem subordinação”, afirmou.

Renúncia

Na segunda-feira, 27 de abril, em meio à controvérsia, Jáuregui renunciou ao cargo de procurador-geral de Chihuahua. Ele reconheceu que houve “omissões” nas informações sobre como foi gerido o contato com os agentes americanos e disse assumir essa “responsabilidade política”.

Paralelamente, a unidade especial da Procuradoria de Chihuahua divulgou seu primeiro relatório sobre o caso.

Em comunicado à imprensa, a promotora Chávez afirmou que, segundo as investigações iniciais, quatro pessoas externas à Procuradoria se juntaram ao comboio que seguiu para o município de Morelos na operação contra os laboratórios clandestinos. Duas delas eram os agentes da CIA que morreram. Ela não deu detalhes sobre os outros dois, mas a Procuradoria disse depois à CNN Internacional que, provavelmente, também eram cidadãos americanos.

Chávez também informou que esses homens estavam vestidos à paisana, não portavam identificação de nenhuma instituição de segurança nem armas, e mantiveram o rosto coberto a maior parte do tempo. Acrescentou que, segundo testemunhos, eles não participaram de reuniões com autoridades militares, tinham contato direto com o diretor de investigação falecido e possivelmente mantinham uma colaboração “de caráter extraoficial”.

Na terça-feira, 28 de abril, a presidente Sheinbaum afirmou, em sua coletiva matinal, que enviou uma nota diplomática à Embaixada dos Estados Unidos “pedindo explicações sobre o caso e afirmando que o governo federal não foi informado, além de ressaltar que isso não pode acontecer”.

Ao mesmo tempo, a governadora Campos decidiu não comparecer à reunião para a qual havia sido convidada pelo Senado — e à qual não era legalmente obrigada a ir.

Em comunicado, o governo de Chihuahua afirmou que a decisão “responde à necessidade de resguardar o adequado andamento das investigações, evitando comprometer informações confidenciais ou classificadas, além de garantir a condução institucional adequada das informações e o respeito à segurança nacional”.

Horas depois, a Procuradoria-Geral da República (FGR) informou que abriu duas investigações sobre o caso: uma sobre a descoberta dos laboratórios clandestinos e outra sobre a presença dos agentes da CIA.

“A instituição informa que, a partir do ocorrido, investiga a possível prática de crimes de competência da FGR, com o objetivo de esclarecer os fatos e, se for o caso, atribuir responsabilidades a qualquer pessoa envolvida. Os avanços e resultados das investigações serão comunicados de forma transparente e oportuna, observando o devido processo legal”, afirmou em nota.

Duas semanas após o início da controvérsia, ainda é preciso aguardar respostas sobre o que aconteceu.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.