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Após oito meses, guerra no Irã segue sem solução e com ameaça de escalada militar

Governo Trump estaria preparando operação militar de grande porte contra o país persa, segundo emissora americana

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Guerra no Irã completa oito meses sem acordo de paz, com riscos de escalada militar.
  • Representantes de Arábia Saudita, Turquia e Paquistão buscam solução diplomática em Teerã.
  • EUA e Israel realizaram ataques contra alvos iranianos; morte de Ali Khamenei marcou início do conflito.
  • Estreito de Ormuz permanece como ponto crítico, afetando segurança energética e comércio global.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Estreito de Ormuz tornou-se um dos principais focos da disputa U.S. Central Command

A guerra no Irã completa oito meses nesta quarta-feira (28), sem um acordo de paz e com novas iniciativas diplomáticas para evitar a retomada dos combates em larga escala. Na segunda-feira (26), representantes da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão se reuniram com autoridades iranianas em Teerã para discutir a segurança regional e buscar uma saída para o conflito. A movimentação ocorre enquanto os Estados Unidos estariam preparando uma nova operação militar de grande porte contra o país, que, segundo a CNN, poderia ser autorizada pelo presidente Donald Trump.

Desde o início da guerra, Estados Unidos e Israel bombardearam alvos militares e estruturas ligadas ao programa nuclear iraniano. O conflito também provocou a morte do então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, substituído por seu filho, Mojtaba Khamenei, e desencadeou retaliações que atingiram outros países do Oriente Médio.

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As tentativas de cessar-fogo não conseguiram solucionar as divergências entre Washington e Teerã. A disputa pelo estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo e gás, também continua no centro da crise. Os governos da região temem que uma nova ofensiva amplie os confrontos, ameace instalações energéticas e comprometa o comércio internacional.

Como a guerra começou

Antes do início dos ataques, Estados Unidos e Irã negociavam o programa nuclear iraniano, com mediação de Omã. As conversas, no entanto, terminaram sem um acordo que afastasse a possibilidade de uma ofensiva militar.

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Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra instalações militares, sistemas de defesa e estruturas ligadas ao programa nuclear do Irã. A operação americana recebeu o nome de Fúria Épica, enquanto Israel a denominou Leão Rugidor.

Um dos episódios mais importantes dos primeiros dias foi a morte de Ali Khamenei, líder supremo iraniano desde 1989. Ele morreu no primeiro dia da ofensiva, impactando a estrutura de poder da República Islâmica.

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Em 8 de março, a Assembleia dos Especialistas, órgão religioso responsável pela escolha do líder supremo, anunciou Mojtaba Khamenei, filho de Ali, como sucessor. A nomeação ocorreu pouco mais de uma semana após o início da guerra e manteve o comando formal do país nas mãos de um integrante da mesma família.

Mojtaba, de perfil reservado, havia exercido influência nos bastidores do governo de seu pai, especialmente junto a setores da Guarda Revolucionária Islâmica. Ele nunca ocupou um cargo público eletivo e era pouco conhecido fora dos círculos políticos iranianos antes de assumir a liderança.

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Desde sua nomeação, o novo líder supremo permanece praticamente ausente da vida pública. Reportagens da Reuters indicaram que ele sofreu ferimentos nos ataques de fevereiro e passou a exercer suas funções longe das câmeras, por razões de segurança e durante a recuperação. Autoridades iranianas afirmam que ele continua participando das principais decisões do Estado, mas sua prolongada ausência alimenta questionamentos sobre a dinâmica de poder no país.

Já a Guarda Revolucionária, responsável por parte importante da estrutura militar e de segurança iraniana, ganhou ainda mais relevância durante a guerra. Mesmo após a morte de dirigentes e comandantes, o sistema político continuou funcionando, e Teerã manteve a capacidade de responder militarmente aos adversários.

Retaliações ampliaram o conflito

Depois dos ataques iniciais, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e alvos ligados à presença militar americana no Oriente Médio. A guerra também alcançou outras frentes, com a participação de grupos aliados de Teerã e o aumento das tensões nos países vizinhos.

O estreito de Ormuz tornou-se um dos principais focos da disputa. O Irã ameaçou restringir a passagem de embarcações, enquanto os Estados Unidos impuseram restrições navais aos portos iranianos. A crise afetou a segurança do transporte marítimo e aumentou a preocupação com o abastecimento mundial de energia.

Em abril, os dois países concordaram com uma trégua temporária, mediada pelo Paquistão. O entendimento permitiu novas negociações, mas não resolveu as divergências sobre o programa nuclear, as sanções econômicas e a circulação de navios pelo estreito.

Em junho, uma nova tentativa de acordo estabeleceu parâmetros para encerrar as hostilidades e discutir a reabertura da passagem marítima. O entendimento, porém, não resultou em uma solução duradoura, e os ataques foram retomados.

Desde então, Washington manteve a pressão militar e econômica sobre Teerã. O governo iraniano, por sua vez, exigiu o fim do bloqueio naval e o levantamento das sanções. As conversas não conseguiram superar a desconfiança entre os dois lados, e a possibilidade de uma nova ofensiva americana voltou a ganhar força em outubro.

EUA avaliam nova ofensiva

Segundo a CNN, autoridades militares americanas elaboraram planos para uma nova campanha de ataques contra o Irã, com possibilidade de início em até 96 horas após uma eventual autorização de Trump. As opções, aponta a emissora, incluem alvos militares e estruturas relacionadas à capacidade iraniana de lançar mísseis.

A preparação dos planos não significa que a operação tenha sido aprovada. A decisão final cabe ao presidente americano, que tem alternado ameaças de novos bombardeios e declarações sobre a possibilidade de um acordo.

Outra possibilidade mencionada pela imprensa americana é o emprego da bomba Massive Ordnance Air Blast (MOAB), conhecida como “mãe de todas as bombas”. Segundo a CBS News, a administração americana preparou opções que incluem esse armamento convencional de grande potência para atacar instalações militares iranianas. A bomba pesa mais de 13 toneladas e foi utilizada pela primeira vez em combate em 2017, no Afeganistão. Não há confirmação pública de que seu uso contra o Irã tenha sido autorizado.

Uma nova ofensiva poderia ampliar os danos à infraestrutura militar iraniana, mas também elevaria o risco de retaliações contra Israel, bases americanas e países do Golfo. Ataques a instalações energéticas e embarcações comerciais poderiam agravar a instabilidade regional.

Nesse cenário, representantes da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão se reuniram com autoridades iranianas na segunda-feira (26). A delegação incluiu o ministro da Defesa saudita, Khalid bin Salman; o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir; e o chefe da inteligência turca, Ibrahim Kalin. Pelo lado iraniano, participaram autoridades de segurança e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.

Segundo a Reuters, a iniciativa busca reduzir as tensões e encontrar uma saída negociada para o impasse entre Washington e Teerã. Os participantes também discutiram a segurança regional e a possibilidade de estabelecer mecanismos de cooperação para evitar novos confrontos.

Cada país tem interesses próprios na negociação. A Arábia Saudita teme a ampliação dos ataques dos houthis, grupo apoiado pelo Irã no Iêmen, contra seu território e instalações estratégicas. A Turquia procura preservar a estabilidade regional, enquanto o Paquistão tenta consolidar sua posição como intermediário entre os governos americano e iraniano.

O Catar, por sua vez, também participa dos esforços diplomáticos e atua como canal de comunicação entre os lados.

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