Artemis 2: o que já aconteceu e o que vem a seguir da histórica viagem à Lua?
Missão marcou a primeira vez que humanos deixaram a órbita da Terra desde 1972
Internacional|Jackie Wattles, Ashley Strickland e Elise Hammond, da CNN Internacional
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
A missão Artemis 2 agora está retornando à Terra, após quatro astronautas viajarem ao redor do lado oculto da Lua em uma trajetória inédita, alcançando mais profundamente o espaço do que qualquer ser humano já esteve.
A jornada — tripulada pelos astronautas da Nasa Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do astronauta da Canadian Space Agency Jeremy Hansen — marca a primeira vez que humanos deixam a órbita da Terra desde 1972, na missão Apollo 17.
Com Glover, Koch e Hansen a bordo, também é a primeira vez que um astronauta negro, uma mulher e um não-americano, respectivamente, viajam tão longe no espaço.
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“Mais uma vez, a humanidade mostrou do que é capaz, e são as esperanças de vocês para o futuro que nos impulsionam nesta jornada ao redor da Lua”, disse Hansen na quinta-feira (2).
A cápsula Orion está em uma chamada “trajetória de retorno livre” — um termo da astronáutica para uma viagem em efeito estilingue: devido à dinâmica orbital e à gravidade lunar, mesmo que a nave não acionasse mais seus motores, ela ainda contornaria a Lua e retornaria à Terra.
A missão de 10 dias, lançada às 18h35 (horário do leste dos EUA) em 1º de abril, marca o primeiro voo tripulado do programa Artemis da Nasa — um plano de longo prazo para levar humanos de volta à Lua e, eventualmente, estabelecer uma base lunar.
Após decolar a bordo do foguete Space Launch System, os astronautas iniciaram imediatamente testes com a Orion, incluindo um voo manual de 70 minutos chamado “demonstração de operações de proximidade”.
Dentro do espaço compacto da Orion — do tamanho aproximado de um trailer —, a tripulação vive, come, dorme, se exercita e realiza experimentos científicos, enfrentando diversos riscos inerentes a uma missão no espaço profundo.
A seguir, o que já aconteceu, o que vem pela frente e o que observar enquanto a Artemis 2 completa sua trajetória ao redor da Lua e retorna à Terra.
Transmissões ao vivo da tripulação
Embora parte do tempo dos astronautas dentro da cápsula Orion (com cerca de 5 metros de largura) seja privada, a Nasa transmite atividades da missão quase diariamente.
A agência também permite que o público acompanhe eventos em que os astronautas conversam com jornalistas e equipes em solo. No primeiro desses eventos, Wiseman, comandante da missão, descreveu um momento marcante.
Na quinta-feira à noite, “o Controle da Missão em Houston reposicionou a nave enquanto o Sol se punha atrás da Terra”, disse. “Não sei o que esperávamos ver — mas dava para enxergar o planeta inteiro, de polo a polo."
“Era possível ver a África, a Europa e, se olhasse com atenção, até a aurora boreal. Foi o momento mais espetacular — deixou todos nós sem palavras.”
Uma manobra crucial
No segundo dia de voo, a Orion realizou uma das etapas mais importantes: a chamada queima de injeção translunar.
Essa manobra aumenta a velocidade da nave, permitindo que ela deixe a órbita terrestre e siga em direção à Lua. Durante cerca de 5 minutos e 50 segundos, o módulo de serviço impulsionou a cápsula, iniciando a viagem de quatro dias até o entorno lunar.
Teste essencial de comunicação
No terceiro dia, a missão testou com sucesso o sistema de comunicação Deep Space Network, uma rede global de antenas nos EUA, Espanha e Austrália que permite rastrear a nave fora do alcance do GPS.
Cada antena tem cerca de 70 metros de largura e possibilita determinar com precisão a posição e velocidade da nave. Ainda assim, haverá momentos de perda total de comunicação — especialmente durante cerca de 40 minutos, quando a nave estiver no lado oculto da Lua.
No quinto dia, a Orion cruzou o ponto em que a gravidade da Lua passa a ser mais forte que a da Terra — conhecido como “esfera de influência lunar” —, mantendo sua trajetória com pequenos ajustes de rota.
Sobrevoo histórico
No sexto dia, a missão atingiu seu ponto alto: um sobrevoo do lado oculto da Lua, oferecendo vistas inéditas e quebrando o recorde de distância percorrida por humanos no espaço.
A Artemis 2 superou o recorde da missão Apollo 13 em mais de 6.400 km, alcançando cerca de 406 mil km da Terra.
Durante a aproximação, os astronautas registraram imagens e descreveram crateras e formações geológicas, o que pode ajudar a definir futuros locais de pouso e ampliar o conhecimento sobre a história da Lua.
Contato com a ISS
No sétimo dia, a tripulação conversou com astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).
Durante a conversa, Christina Koch comentou como mudou sua percepção ao observar a Terra:
“O que mais me chamou atenção foi não só a beleza do planeta, mas a escuridão ao redor dele. Isso reforça o quanto somos iguais — todos dependemos da mesma coisa para sobreviver.”
Fase mais crítica
Após mais de uma semana de missão, resta o momento mais delicado: o retorno à Terra.
A reentrada ocorre quando a cápsula mergulha na atmosfera a mais de 30 vezes a velocidade do som, gerando temperaturas superiores a 2.700°C.
Esse é um dos momentos mais arriscados — especialmente porque há uma falha conhecida no escudo térmico da Orion, identificada durante o teste não tripulado da missão Artemis 1.
Para reduzir riscos, a Nasa alterou a trajetória de reentrada, evitando uma manobra mais agressiva usada anteriormente. Avaliar o desempenho do escudo térmico é, inclusive, um dos principais objetivos desta missão.
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