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‘Árvore especial’ pode filtrar mais de 98% de microplásticos da água da torneira

Sementes de moringa oferecem uma alternativa renovável ao sulfato de alumínio

Internacional| Laura Paddison, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A árvore moringa é eficaz na remoção de microplásticos da água, com uma eficiência de 98,5% em comparação com coagulantes químicos.
  • Pesquisadores do Brasil e Reino Unido confirmaram que extratos de suas sementes são comparáveis a produtos convencionais usados em sistemas de filtragem.
  • Embora promissor, o método pode ser mais aplicável para pequenas comunidades devido à quantidade necessária de sementes para grandes volumes de água.
  • Mais estudos são necessários para entender a eficácia da moringa em outros tipos de microplásticos e nanoplásticos, visando soluções sustentáveis para a poluição da água.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Microplásticos são encontrados em 83% da água da torneira globalmente NurPhoto via Getty Images via CNN Newsource - 24.03.2026

A árvore moringa é uma das plantas mais ricas em nutrientes do planeta e é valorizada por suas qualidades curativas.

Ela também possui outro grande benefício, de acordo com uma nova pesquisa: é excelente na remoção de microplásticos da água.


Uma equipe de cientistas do Brasil e do Reino Unido descobriu que extratos de sementes dessas árvores de crescimento rápido são tão eficazes na remoção de microplásticos da água potável quanto os produtos químicos comumente usados, de acordo com suas descobertas publicadas em abril.

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As árvores de moringa têm sido usadas para purificar a água há milênios, com evidências de seu uso pelos antigos gregos, romanos e egípcios, disse Adriano Gonçalves dos Reis, autor do estudo e professor do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista.


Ele e seus colegas estudam as sementes da árvore há uma década, especificamente o papel que elas podem desempenhar como um “coagulante”, uma substância que faz com que minúsculas partículas na água se unam para que possam ser filtradas.

Dadas as crescentes preocupações com microplásticos na água potável, eles decidiram analisar o potencial da moringa para removê-los.


Microplásticos são fragmentos minúsculos, que podem ser tão pequenos quanto 1/25.000 de polegada (1 micrômetro) e são uma parte perigosa da crise de poluição plástica.

Eles foram encontrados em todos os lugares, desde oceanos profundos até montanhas imponentes.


Eles contaminam nossa comida e água — um estudo de 2024 encontrou microplásticos em 83% da água da torneira testada em todo o mundo — e chegaram aos nossos corpos, incluindo nossos cérebros, órgãos reprodutivos e sistemas cardiovasculares.

Os cientistas ainda estão tentando desvendar seus impactos na saúde humana, mas pesquisas com animais os ligaram a problemas reprodutivos e interrupção hormonal.

Para o estudo, os pesquisadores se concentraram especificamente em microplásticos de PVC, pois estes estão entre os mais perigosos e são prevalentes na água potável, disse Gonçalves dos Reis.

Eles testaram microplásticos com um tamanho médio de 18,8 micrômetros — cerca de um quarto da espessura de um fio de cabelo humano médio — e descobriram que os extratos de sementes foram 98,5% eficazes na remoção deles da água da torneira quando usados em sistemas de filtragem.

Essa eficiência é aproximadamente comparável a um coagulante químico comumente usado, o sulfato de alumínio, conhecido como alúmen.

As sementes de moringa tiveram um desempenho ainda melhor do que o alúmen em águas mais alcalinas, descobriram os cientistas.

Uma grande vantagem do uso das sementes em comparação ao alúmen é que elas são renováveis, biodegradáveis, não criam grandes quantidades de lodo e apresentam menos preocupações com toxicidade, disse Gonçalves dos Reis.

O alumínio pode ser tóxico em níveis elevados e tem sido associado a doenças neurodegenerativas.

Matthew Campen, professor ilustre de ciências farmacêuticas no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Novo México, que não esteve envolvido na pesquisa, disse que o uso de um produto natural para substituir um sistema de filtragem à base de alumínio “pode oferecer uma solução mais barata e sustentável para a remoção de microplásticos de PVC”.

Isso também evitaria a necessidade de mineração de alumínio, acrescentou ele, o que pode ter consequências ambientais negativas.

Existem limitações, no entanto. Uma semente de moringa pode tratar cerca de 10 litros de água, descobriram os cientistas.

“Embora isso seja promissor”, disse Gonçalves dos Reis, “exigiria uma quantidade muito grande de sementes para grandes estações de tratamento urbano que lidam com altos fluxos”.

A técnica pode ser mais útil para pequenas comunidades ou locais onde os coagulantes químicos são de difícil acesso, acrescentou ele.

Outro problema potencial é que, à medida que mais sementes são usadas, isso pode significar que mais resíduos orgânicos são deixados na água, os quais precisariam ser removidos.

Mais pesquisas são necessárias para entender como os extratos de sementes de moringa se degradam, o que acontece com o PVC capturado e quão escalonável e econômico o método será, disse Campden.

Também será crítico ver se a moringa funciona com outros tipos de microplásticos, bem como nanoplásticos, acrescentou ele. Nanoplásticos são as partículas menores, cerca de 1/1.000 da largura média de um fio de cabelo humano, e têm maior probabilidade de entrar no corpo humano.

Gonçalves dos Reis disse estar confiante de que as sementes de moringa serão eficazes para diferentes plásticos e este é o foco das futuras pesquisas do grupo.

Identificar soluções para microplásticos agora é excepcionalmente valioso, disse Campen.

Os seres humanos estão expostos a níveis crescentes de microplásticos e nanoplásticos, acrescentou ele, e essa tendência “é improvável que mude por muitas décadas”.

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