Ave é encontrada com quase 900 pedaços de plástico no estômago na Austrália
Estudo que acompanha espécie revela aumento rápido na quantidade de resíduos ingeridos pelos animais
Internacional|Do R7
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Um filhote de pardela-de-sable foi encontrado com 894 pedaços de plástico no organismo na Ilha Lord Howe, na Austrália. O caso faz parte de um estudo que acompanha a espécie há 16 anos e revelou um aumento rápido na quantidade de resíduos ingeridos pelas aves, principalmente nos últimos anos.
A pesquisa foi realizada pelo Adrift Lab e analisou dados de 2010 a 2026. Durante o período, os pesquisadores acompanharam filhotes da espécie Ardenna carneipes e contabilizaram e pesaram os fragmentos encontrados no sistema digestivo dos animais.
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O registro de 894 itens ocorreu em 2025 e superou sucessivamente marcas anteriores. Em 2011, uma das aves examinadas tinha 276 pedaços de plástico, que juntos pesavam 64,1 gramas. Esse número permaneceu como o maior registro por quase uma década, até ser ultrapassado em 2023, quando um filhote apresentou 403 itens.
O recorde voltou a ser quebrado em 2024, com 407 pedaços, e novamente em 2025. No ano seguinte, outro filhote foi encontrado com 644 fragmentos, que pesavam 67,4 gramas.
Plástico aumentou, mas proporção de aves afetadas ficou estável
Um dos principais achados do estudo é que a proporção de aves que ingerem plástico não apresentou aumento significativo ao longo dos 16 anos. O índice permaneceu geralmente entre 75% e 85% dos animais analisados.
O que mudou de forma acelerada foi a quantidade de resíduos presente em cada ave. A partir de 2022, os pesquisadores identificaram uma elevação expressiva tanto no número de pedaços quanto no peso do plástico ingerido.
O padrão também não foi linear. Houve anos com níveis mais baixos e outros com grandes picos de ingestão. Em 2025, por exemplo, os pesquisadores estimaram que, considerando a frequência com que os filhotes são alimentados, cada refeição recebida poderia conter, em média, cerca de 30 pedaços de plástico.
Os cientistas também analisaram dois tipos específicos de resíduos: tampas de garrafa e pellets de resina plástica, conhecidos como nurdles. Ambos apresentaram aumento nos últimos anos, especialmente entre 2024 e 2026.
Estudo de longo prazo muda a percepção sobre a poluição
Para os pesquisadores, o período prolongado de observação foi fundamental para identificar a tendência. Uma análise limitada a três ou cinco anos poderia produzir uma conclusão completamente diferente, já que as variações de um ano para outro são grandes.
Nos cálculos feitos pelo estudo, períodos de apenas três anos chegaram a indicar queda, estabilidade ou aumento da ingestão de plástico, dependendo do intervalo escolhido. Quando a análise considerou períodos mais longos, a tendência de crescimento ficou mais evidente.
Os resultados mostram, portanto, que observar apenas a porcentagem de animais que ingerem plástico pode esconder a dimensão do problema. Mesmo com a prevalência permanecendo relativamente estável, algumas aves passaram a acumular quantidades muito maiores de resíduos.
Segundo os autores, estudos ecológicos de longa duração são importantes justamente porque permitem diferenciar oscilações temporárias de mudanças persistentes no ambiente. No caso das pardelas, os dados de 16 anos revelaram uma combinação de anos com maior e menor exposição, mas também uma aceleração na quantidade de plástico ingerida, especialmente nos últimos cinco anos.
A pesquisa ainda aponta que os impactos da ingestão de plástico não dependem apenas da presença ou ausência do material no organismo. A quantidade, o peso, o formato e o tipo de resíduo também podem influenciar os efeitos sobre os animais.
O trabalho reforça a necessidade de manter programas de monitoramento por períodos prolongados. Para os pesquisadores, em um ambiente marinho sujeito a mudanças rápidas, séries históricas extensas são necessárias para compreender alterações que poderiam passar despercebidas em estudos de curta duração.
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