Internacional Cardeal australiano é condenado a 6 anos de prisão por abuso infantil

Cardeal australiano é condenado a 6 anos de prisão por abuso infantil

O cardeal George Pell, que chegou a ser o terceiro na hierarquia do Vaticano, foi condenado mês passado e recebeu a sentença nesta terça, na Austrália

Cardeal australiano é condenado a 6 anos de prisão por abuso infantil

Cardeal George Pell foi condenado a seis anos de prisão

Cardeal George Pell foi condenado a seis anos de prisão

AAP Image/David Crosling/via REUTERS /27.02.2019

O cardeal australiano George Pell, que chegou a ser o terceiro mais importante da hierarquia do Vaticano, foi condenado nesta terça-feira (12, quarta-feira 13 na Austrália) a seis anos de prisão por cinco crimes de abuso sexual contra dois menores, cometidos há mais de 20 anos.

O juiz Peter Kidd, do tribunal do estado de Victoria, detalhou que Pell deverá cumprir três anos e oito meses da condenação antes de pedir liberdade condicional, o que poderia fazer a partir de outubro de 2022.

O juiz disse também na leitura da sentença que, durante os fatos, o cardeal Pell, que então era arcebispo de Melbourne, atuou com "surpreendente arrogância" e que no julgamento "sustentou sua inocência, o que é seu direito", mas ao mesmo tempo nunca mostrou "remorso ou contrição".

Pell foi detido no último dia 27 de fevereiro — à espera de conhecer sua sentença —, após ser condenado por um júri por abusar sexualmente de duas crianças de 13 anos do coro da catedral de St Patricks, no leste da cidade.

O juiz Kidd ressaltou na sentença que o abuso contra os dois meninos do coro, ainda vestido com seu traje religioso oficial, foi "um ataque sexual descarado e forçado contra as vítimas".

"Os atos foram sexualmente gráficos, ambas as vítimas estavam visivelmente e audivelmente angustiadas durante a ofensa", ressaltou o juiz, ao insistir que Pell estava consciente de seus atos e inclusive não reagiu quando uma das crianças lhe pediu que os deixasse ir.

Após ler a sentença, o juiz, que ressaltou que sua decisão "não foi simples" e assegurou que levou em consideração tanto a gravidade dos crimes como a idade e a saúde de Pell, entre outros elementos, pediu ao cardeal que assinasse o registro de agressores sexuais, onde permanecerá "por toda a vida".

A sentença é divulgada depois que um júri considerou Pell culpado em dezembro do ano passado dos cinco crimes pelos quais era acusado, embora o veredito só tenha sido anunciado em 26 de fevereiro após o arquivamento de um segundo caso contra o hierarca da Igreja católica por supostos abusos sexuais contra menores na década de 1970 na sua cidade natal, Ballarat.

A defesa de Pell já apresentou um recurso contra sentença, que será analisado em junho.