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‘Cheguei tão perto da morte’: 7 revelações feitas pelos soldados de Kim Jong-un

Jornal sul-coreano entrevistou dois militares norte-coreanos que foram capturados pela Ucrânia

Internacional|Do R7


Dois prisioneiros de guerra norte-coreanos capturados por forças ucranianas no mês passado concederam uma entrevista exclusiva ao jornal sul-coreano Chosun Ilbo em um campo de detenção na Ucrânia. Esta é a primeira vez que membros do exército norte-coreano enviados para combater ao lado da Rússia falam à imprensa.

Os soldados, identificados como Ri, de 26 anos, e Baek, de 21, atuavam como atiradores de elite e serviram no Exército Popular da Coreia por 10 e quatro anos, respectivamente, antes de serem enviados para Kursk, na Rússia.

Após serem capturados, ambos foram colocados em celas isoladas. Embora as tropas norte-coreanas na Rússia tenham sido inicialmente descritas como parte da unidade de elite Storm Corps, Ri e Baek afirmam que pertenciam ao Reconnaissance General Bureau, a agência de inteligência da Coreia do Norte responsável por operações clandestinas.


Confira sete revelações feitas pelos soldados norte-coreanos que estão presos na Ucrânia:


Treinamento para enfrentar drones

“Recebemos treinamento básico, mas não havia uma estratégia específica para a guerra de drones. Nosso treinamento enfatizava velocidade — correr, se esconder ou atirar em drones do chão. Nunca aprendemos como derrubá-los efetivamente." (Ri, sobre ter recebido treinamento para lidar com ataque de drones)


“Nós os abatemos. As tropas russas frequentemente falavam sobre ameaças de drones, aconselhando-nos a nos esconder ou fugir. Mas a pontaria do nosso exército é forte — nós simplesmente os abatemos.” (Baek, sobre enfrentar ataques de drones)


“Drone do diabo”

“É um drone muito grande que carrega bombas. Ele tem um sensor infravermelho, que permite que ele voe à noite, procurando alvos e jogando bombas. Por causa do sensor, ele pode nos detectar e jogar granadas, então não podíamos nos mover. Tivemos que nos esconder em uma área segura que já tínhamos tomado. Mas por volta das 3 da manhã, as forças ucranianas apareceram em veículos blindados, disparando metralhadoras e enviando soldados para nossa posição. Não tivemos escolha a não ser recuar e, quando fizemos isso, outro drone atacou, matando um ou dois dos homens que estavam me ajudando. Eu fui o único que sobreviveu.” (Ri, sobre como sobreviveu a um ataque de drone. Depois disso, ele foi capturado)

Ameaça à família

“Meus pais estão muito doentes. Meu pai tem dificuldade de se movimentar, e minha mãe luta contra a indigestão. Se o governo norte-coreano souber da minha captura, temo que meus pais serão forçados a deixar Pyongyang.” (Ri, que teve a identidade divulgada em um vídeo exposto pelas autoridades ucranianas)

Encarar a morte

“Eu queria estudar e ir para a universidade depois da minha dispensa. O lado da família do meu pai é cheio de cientistas. Eu queria estudar, mas minha família lutou muito. Estávamos em condições tão precárias, sempre com dificuldades financeiras, sofrendo constantemente. E depois de entrar para o exército, suportei traumas físicos e mentais — tantas experiências terríveis, enfrentando todos os tipos de situações extremas. Cheguei tão perto da morte tantas vezes... E agora, tendo sobrevivido por pouco, sou um prisioneiro. (Suspira) Só quero corresponder às expectativas dos meus pais e realizar meu sonho. Quero vê-lo florescer. (Suspira) Ainda sou jovem.” (Ri)

Relação com os russos

“Como soldados de patente mais baixa, tínhamos pouca interação. Tudo era controlado por superiores — munição, suprimentos, roupas. Não havia muita comunicação direta entre soldados norte-coreanos e russos. [...] Usamos aplicativos de tradução para smartphones. [...] Essa foi a primeira vez que usei um aplicativo de tradução. Eu nunca tinha interagido com estrangeiros antes.” (Ri, sobre como se comunicava com a tropa russa)

Longe da Coreia do Norte

“Foi minha primeira vez no exterior, então tudo parecia surreal. O medo não me atingiu até que vi meus companheiros caindo ao meu lado. Mas mesmo assim, eu não estava realmente assustado.” (Baek, sobre ir para a Rússia. O soldado chegou ao país em novembro de 2024 e em Kursk em 3 de janeiro de 2025. Seis dias depois, ele foi ferido e capturado)

Bandagens suspeitas nas mãos

“Ah, isso não foi por causa de uma lesão, foi só uma precaução [para evitar automutilação].” (Baek, sobre as bandagens em suas mãos. Soldados norte-coreanos são supostamente treinados para cometer suicídio se capturados. Quando perguntado se ele tinha tais pensamentos, Baek simplesmente sorriu, relata o repórter do Chosun Ilbo)

Tropas da Coreia do Norte na guerra

Em outubro de 2024, a Coreia do Norte enviou cerca de 12 mil soldados para lutarem ao lado da Rússia na guerra contra a Ucrânia. As tropas norte-coreanas enviadas à época estavam entre as mais bem treinadas e doutrinadas do exército de Kim Jong-un, ditador da Coreia do Norte.

Após concluírem o treinamento de combate, os soldados norte-coreanos começaram a avançar sobre a linha de frente na Ucrânia e se estabeleceram nas trincheiras russas. Os primeiros pelotões enviados sofreram baixas significativas e milhares foram feridos, segundo o Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul. Estima-se que os primeiros destacamentos, em que Ri e Baek estavam inseridos, sofreram cerca de 100 mortes e 1.000 feridos durante os primeiros dias de batalha.

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