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Cheiro forte, gemidos e gritos: relatos expõem a realidade das execuções nos Estados Unidos

Três testemunhas contam suas experiências acompanhando condenados do corredor da morte em suas sentenças

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Michelle Lyons acompanhou cerca de 300 execuções no Texas e relata o impacto emocional e o cheiro perturbador das câmaras de execução.
  • O reverendo Bill Breeden, ativista contra a pena de morte, descreve a experiência traumática de assistir a uma execução, que lhe causou estresse pós-traumático.
  • Rex Huppke, jornalista, mudou sua percepção sobre a pena de morte após presenciar a execução de Timothy McVeigh, refletindo sobre a reação humana à dor.
  • Os relatos destacam o impacto psicológico duradouro nas testemunhas das execuções e a complexidade emocional envolvida.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Michelle Lyons testemunhou centenas de execuções nos Estados Unidos
Michelle Lyons testemunhou centenas de execuções nos Estados Unidos Reprodução/ X @mclyons4 /Ken Piorkowski (CC BY-SA 2.0)

Poucas pessoas acompanharam tantas execuções quanto a jornalista Michelle Lyons. Primeiro como repórter policial, mas ainda mais depois que se tornou porta-voz do Departamento de Justiça Criminal do Texas (TDCJ) e, como parte de seu trabalho, teve que acompanhar todas as execuções realizadas no estado.

Entre 2000 e 2013, Michelle Lyons viu cerca de trezentas pessoas darem seus últimos suspiros naquele ponto final do corredor da morte.

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A experiência, segundo ela, mudou sua vida para sempre.

Michelle diz que as câmaras de execução têm um odor químico bem específico, que, segundo informaram a ela, é por causa do tipo de filtro que é usado no ar-condicionado. Toda vez que ela sente um odor parecido com aquele, é uma sensação perturbadora porque, para ela, aquilo é cheiro de morte.

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Outra experiência perturbadora, segundo Michelle, é o contato com os prisioneiros que serão executados, porque as emoções dessas pessoas variam muito.

Ela cita como exemplo o caso de um condenado que, pouco antes de sua execução, começou um discurso inflamado contra sua ex-mulher, usando todos os palavrões de seu repertório, até que o carcereiro ordenou o início da execução e só assim o sujeito se calou.

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Assombrada pela culpa

Uma emoção que ela conta ser recorrente depois das execuções é a culpa que ela sentia por ter compaixão em relação aos condenados — algo que achava insensível porque não tinha relação com as vítimas.

Desde que deixou de acompanhar execuções, Michelle diz que passou a ser assombrada pela lembrança dos rostos das pessoas. Não apenas os rostos dos condenados executados, mas também os de seus familiares e de parentes das vítimas.

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‘Comemoraram como se fosse futebol’

O reverendo Bill Breeden é um ativista pelo fim da pena de morte, trabalha como conselheiro espiritual dos condenados e passou parte de sua vida visitando penitenciárias no estado de Indiana.

Em 2021, ele assistiu à sua primeira execução e a experiência foi tão traumática que ele nunca mais conseguiu dormir direito.

Em entrevista ao jornal inglês The Sun, Breeden contou que foi a pior coisa que ele já viveu, porque o sujeito demorou quinze minutos para morrer, vomitou diversas vezes e reclamava que suas mãos e sua boca estavam pegando fogo.

O condenado, Corey Johnson, ficou preso por 30 anos depois de ter assassinado sete pessoas em um caso de tráfico de drogas. Em suas últimas palavras, ele disse que estava bem, mas listou o nome de cada uma de suas vítimas, pedindo perdão a cada uma, diante da família delas, que tinha vindo assistir à execução.

O irmão de Johnson, que ficou 29 anos sem vê-lo, gritava: “eu te amo, irmão”. Breeden disse que, nesse momento, percebeu que aqueles vidros que dizem ser à prova de som não são nada disso, porque, quando o carcereiro autorizou a execução, os parentes das vítimas comemoraram como se fosse uma partida de futebol.

Depois disso, Breeden passou a sofrer de síndrome de estresse pós-traumático e claustrofobia.

“Não está em nosso DNA ficar de braços cruzados assistindo a um assassinato sem tentar impedi-lo. Isso é algo totalmente antinatural e insano”, diz.

“Eu acreditava que ele merecia morrer”

Rex Huppke, jornalista da Associated Press, decidiu acompanhar uma execução para poder consolidar sua opinião a respeito da pena de morte.

Para isso, ele escolheu a dedo um condenado que, segundo ele, “merecia morrer”: Timothy McVeigh, condenado por explodir um prédio federal, matando 168 pessoas (19 delas, crianças).

“No fundo, eu acreditava que ele merecia morrer. Se não ele, quem? Certamente não existe universo em que eu lamentaria a morte de um assassino em massa”, disse ele ao jornal USA Today.

Ao testemunhar a execução, vendo sua respiração mudar depois da injeção e ouvindo os gemidos finais do condenado tentando respirar sem conseguir, sua percepção mudou.

“Como seres humanos, nós reagimos a pessoas com dor. Respondemos por reflexo. Foi perturbador ver isso não acontecer, ver esse instinto fundamental ser inibido”, diz Huppke.

Segundo ele, a parte mais incômoda da experiência foi ter ido com a expectativa de ver o mundo com um assassino a menos e, na realidade, ter voltado de lá com a impressão de que viu o mundo ganhar alguns assassinos a mais.

“Não era a pessoa morrendo na maca que me importava; era o que as pessoas ao redor dela estavam fazendo... ou deixando de fazer”, lamenta.

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