Internacional Chile: Piñera diz que impeachment é baseado em 'fatos falsos'

Chile: Piñera diz que impeachment é baseado em 'fatos falsos'

Processo contra presidente foi aprovado pela Câmara dos Deputados e será votado no Senado na semana que vem

AFP
Impeachment de Sebastián Piñera pode ser aprovado a poucas semanas da eleição

Impeachment de Sebastián Piñera pode ser aprovado a poucas semanas da eleição

REUTERS/Carlo Allegri - 24.09.2019

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou nesta quarta-feira (10) que o processo político para destituí-lo, aprovado na Câmara dos Deputados, se baseia em "fatos falsos", e que espera que o processo seja rejeitado no Senado na semana que vem.

Piñera responde a processo de impeachment por suposto envolvimento na polêmica venda da mineradora Dominga, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens, em operação revelada nos Pandora Papers.

Agora será a vez do Senado, que atuará como júri para decidir se destituirá o presidente em sessão na próxima terça-feira (16).

"Estamos muito confiantes de que na próxima terça-feira o Senado, atuando como júri e analisando os fatos de forma objetiva, racional e ponderada, rejeitará totalmente essa acusação", declarou o presidente conservador à imprensa em cerimônia pública em Santiago.

Piñera, de 71 anos, assegura que a acusação surge em meio a "um clima hostil da política chilena" e "tem um interesse eleitoral claro e injustificado", a 11 dias da eleição presidencial, a ser realizada em 21 de novembro.

O presidente mencionou também que, paralelamente à denúncia no Congresso, o Ministério Público abriu uma investigação criminal para o mesmo caso, o que já tinha feito em 2017.

"Os fatos foram analisados e investigados em profundidade pelo Ministério Público, por Juízo de Garantia, pelo Tribunal de Justiça e até em recurso de cassação e pela Suprema Corte. Em todas essas instâncias foi decretado que não houve irregularidade, mas também constatada a minha total inocência", defendeu-se Piñera, que ainda está no cargo, mas impedido de deixar o país enquanto durar o processo no Senado.

Uma investigação da mídia local CIPER e LaBot, incluída nos Pandora Papers, revelou que os filhos do presidente venderam a Dominga em 2010 ao empresário Carlos Alberto Delano — amigo próximo de Piñera — por 152 milhões de dólares. A transação, que foi realizada principalmente nas Ilhas Virgens, ocorreu durante o primeiro governo de Piñera (2010-2014).

A operação seria realizada em três parcelas e continha uma cláusula polêmica, que condicionava o último pagamento ao "não estabelecimento de área de proteção ambiental sobre a área de atuação da mineradora, conforme reivindicado por grupos ambientalistas".

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