China pode pressionar o Irã para um acordo de paz se houver incentivo, dizem analistas
Embora o governo chinês promova um cessar-fogo, analistas duvidam que queira pressionar o Irã sem incentivos claros dos EUA
Internacional|Simone McCarthy, da CNN Internacional
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Uma visita a Pequim do principal diplomata do Irã — dias antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viajar para a capital chinesa — colocou em destaque uma questão importante: a China pode assumir o papel de mediadora de paz no conflito entre os EUA e o Irã?
Com um cessar-fogo instável e uma diplomacia intermitente que, até agora, não conseguiu um fim duradouro para uma guerra que ameaça derrubar a economia global, tanto Teerã quanto Washington buscam uma saída.
E Pequim, ao menos no papel, é uma candidata óbvia para assumir esse posto.
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A China tem sido, há muito tempo, uma aliada diplomática e econômica próxima do Irã — uma aliança fundamentada em suas fricções compartilhadas com os EUA e na sede por petróleo barato.
Ela também possui uma linha aberta com Washington — e o ouvido direto de Trump durante sua reunião com o líder Xi Jinping na próxima semana.
Foi esse momento que provavelmente atraiu o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, a Pequim, onde ele manifestou grandes esperanças de que Pequim pudesse evitar “violações da paz e segurança internacionais” em uma reunião com seu homólogo chinês Wang Yi, de acordo com um comunicado iraniano.
E Trump também deve levantar o conflito com Xi quando fizer sua viagem esperada — que antes seria focada na competição econômica entre as duas potências e agora está obscurecida pela guerra do Irã.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, aludiu a isso na terça-feira (5), quando disse a repórteres que esperava que a China pressionasse o Irã para aliviar o bloqueio no estreito de Ormuz.
As próprias autoridades chinesas pedem há semanas um cessar-fogo e posicionam Pequim como uma potencial mediadora da paz, incluindo o lançamento, por Xi, de uma proposta abrangente de quatro pontos para a paz no Oriente Médio no mês passado.
Wang, o ministro das Relações Exteriores, reiterou o posicionamento de Pequim em sua reunião com Araghchi, prometendo continuar a ajudar no lançamento de negociações de paz e “desempenhar um papel maior na restauração da paz e tranquilidade no Oriente Médio”, segundo um comunicado chinês.
Ter ambos os lados a seu favor no espaço de uma semana já é uma vitória para Xi, que visa consolidar o papel da China como uma potência global.
Negociar com um líder dos EUA cada vez mais impopular, atolado em uma guerra dispendiosa e em busca de vitórias fáceis, também não é uma posição indesejada aos olhos de Xi.
Fontes chinesas familiarizadas com o assunto disseram recentemente à CNN Internacional que Pequim vê com cautela o conflito de meses de seu adversário com o Irã como algo que potencialmente fortaleceu sua posição de negociação.
De acordo com essas fontes, a situação poderia agora apresentar à China uma oportunidade única de capitalizar o impasse antes do que provavelmente serão eleições de meio de mandato brutais para Trump, com o presidente visto como ansioso para apresentar vitórias tangíveis aos eleitores americanos, como grandes compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA e jatos da Boeing.
Mas o quanto Pequim está disposta a aplicar pressão para mover os lados em direção à paz é outra questão — enquanto Xi busca equilibrar os riscos econômicos crescentes da guerra com as ambições de longo prazo da China de se posicionar como uma potência global alternativa aos EUA.
Ato de equilíbrio
Mesmo que o senso comum no Ocidente sugira frequentemente que Pequim fica automaticamente feliz sempre que os militares dos EUA estão ocupados em outro lugar do mundo, existem razões tangíveis para a China querer ver o fim do conflito.
A segunda maior economia do mundo tem estado relativamente isolada da histórica crise global do petróleo que atinge seus vizinhos — incluindo aliados regionais importantes dos EUA — devido às enormes reservas de petróleo da China, seu alto nível de autossuficiência energética e sua transição precoce para a energia verde.
Mas à medida que a guerra avança, essas reservas diminuem — juntamente com a segurança energética priorizada pelo governo de Xi.
E embora não haja escassez de oferta, por enquanto, a economia chinesa ainda está sujeita a custos elevados de combustível, alguns dos quais o governo pediu que as empresas petrolíferas nacionais compensem.
Uma desaceleração econômica global devido à guerra também prejudicará a economia da China, que depende das exportações.
Há também preocupação com o desgaste da guerra nos laços entre EUA e China, uma relação que Pequim deseja manter estável para reduzir o atrito em suas próprias ambições globais.
A China continuou a comprar petróleo iraniano durante o conflito, dizem analistas, ainda importando bem mais de 159 milhões de litros por dia no mês passado — retirando estoque de armazenamento flutuante já na Ásia e não afetado pelo bloqueio naval dos EUA em Ormuz.
Os EUA, nas últimas semanas, aumentaram a pressão econômica sobre as compras chinesas, que no ano passado representaram mais de 90% das exportações do Irã — e dão a Pequim uma alavancagem econômica significativa sobre o Irã.
No mês passado, Washington colocou na lista negra uma grande empresa petroquímica chinesa que, segundo afirmou, era uma das principais compradoras de petróleo bruto iraniano, a maior refinaria chinesa a sofrer esse golpe até agora.
Em uma medida rara, Pequim ordenou que as empresas do país não cumprissem as sanções contra esse negócio e outras quatro refinarias domésticas na lista negra dos EUA.
A China pode ficar feliz em desviar essas fricções e ganhar a boa vontade de Trump ao mostrar sua diplomacia recente com o Irã como parte de um esforço de boa-fé para ajudar Washington a acabar com a guerra.
Mas os analistas estão céticos de que Pequim usaria sua influência para pressionar o Irã com muita força para ceder às exigências dos EUA, especialmente sem incentivos claros de Washington.
Por um lado, Pequim pode ter pouca fé em sua influência sobre Teerã, apesar de sua aliança diplomática. E mesmo que a China tenha sido contida em suas críticas aos EUA durante este conflito, ela há muito sustenta que a guerra é uma bagunça de Washington para resolver.
Enquanto isso, embora a China possa exercer uma influência econômica significativa sobre o Irã na forma de compras de petróleo, em meio a uma crise global de petróleo, a China também ainda precisa desses litros.
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