Ações militares norte-americanas dentro do Brasil são ‘pouco prováveis’, diz especialista
Professor aponta que finanças devem ser principal foco dos EUA no combate às facções classificadas como terroristas
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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A decisão dos Estados Unidos em categorizar o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas globais e estrangeiras cria base legal para investigações, processos criminais e interferência fiscal nos negócios das facções. Ao mesmo tempo, ela desafia a economia e soberania brasileiras.
O mesmo ocorreu na Venezuela e levou a uma série de operações que terminaram na captura do então presidente Nicolás Maduro. Apesar disso, André Novaes, assessor especial da diretoria internacional da FGV (Fundação Getúlio Vargas), não crê que o mesmo ocorra no Brasil.

Em entrevista ao Conexão Record News desta sexta-feira (29), ele afirmou: “Acho pouco provável que a gente veja agentes americanos atuando dentro do nosso território. Acredito que o que vai acontecer em primeira instância é essa questão nas finanças. Vejo que essa é a ferramenta mais óbvia nesse momento”.
O motivo se dá pelo controle norte-americano na área. Novaes compara o domínio dos EUA ao do Irã no estreito de Ormuz. Assim como no bloqueio, pessoas que não estiverem diretamente relacionadas devem sentir os efeitos: “Sabemos que o PCC expandiu muito os próprios negócios. Temos indícios de que ele tem redes de postos de gasolina e de farmácias”. Tais empresas ficam sujeitas a futuras sanções.
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A comunicação entre a Polícia Federal e as autoridades norte-americanas também deve mudar com a classificação. “A gente sai de uma cooperação que existe e que flui e que pode melhorar [...] e vai entrar num nível mais militarizado. [...] Que, para o caso do Brasil, não é bom”, afirma o assessor, que entende a falta de comunicação com os serviços de inteligência nacionais como um caminho para um possível retrocesso na segurança.
Para reverter o cenário, o especialista aponta um diálogo mais aprofundado entre diplomatas de ambos os países como a chave. “É da nossa tradição esse trabalho cooperativo com as agências aqui dos nossos países. [...] Temos informações que ajudarão aquele país a também cuidar desses problemas, mas nós temos que comunicar muito disso”.
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