Com ONU limitada pelos EUA, especialista não acredita no fim da guerra com o Irã em 2026
Teerã pediu que Agência Nuclear condenasse ataques de Washington; conflito tem nono dia consecutivo de ataques
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Um cessar-fogo é anunciado, representantes dos governos são enviados para um país mediador, onde um esboço de negociação é discutido. Nas vésperas da assinatura de um acordo de paz, uma reviravolta e ataques dos dois lados reiniciam o conflito. Segundo o professor de relações internacionais Robert Uebel, esse já se tornou o “modo operante” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Isso nos últimos seis meses tem se tornado cada vez mais frequente”, aponta o especialista em entrevista ao Link News. “Nós vimos declarações do presidente Trump nas redes sociais dizendo que está muito próximo de um acordo. Depois, ele dá uma declaração dizendo que utilizará toda a força contra o Irã. E, do lado iraniano, a gente tem visto o mesmo tipo de declaração.”

Nesta segunda-feira (20), o Irã pediu que a Agência Nuclear da ONU condene os ataques norte-americanos que, segundo o país, tiveram como alvo uma usina nuclear em construção em Darkhovin. Para o professor, no entanto, é difícil que uma declaração da organização tenha qualquer efeito no curso da guerra. Em resposta, os Estados Unidos decidiram aumentar o número de aeronaves no Oriente Médio.
“Infelizmente, a atuação da ONU nessa guerra, assim como na guerra contra a Ucrânia, é muito limitada por uma razão muito simples. Um dos países agressores é justamente um dos países que faz parte do Conselho de Segurança e que tem questionado as ações da própria ONU”, pontua. A guerra segue no nono dia consecutivo de ataques.
Segundo Uebel, há uma manutenção do conflito com seus altos e baixos, no padrão de guerra do século 21 — a exemplo da que ocorre no Leste Europeu, “em que muito dificilmente se concretizará um acordo de cessar-fogo, seja no curto prazo ou até mesmo no médio prazo. Talvez até no próprio ano de 2026, seja muito difícil que a gente veja a conclusão definitiva dessa guerra”, completa.
Mesmo diante da escalada do conflito, um funcionário de alto escalão iraniano afirmou à agência Reuters que mediadores apresentaram uma proposta que prevê um cessar-fogo de dez dias para que as partes tentem retomar o acordo provisório fechado no mês passado. Segundo a agência AFP, o ministro do Interior do Irã deve viajar nesta segunda para a capital do Paquistão.
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