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Como a Finlândia mantém o título de país mais feliz do mundo apesar da crise econômica

Acesso a serviços públicos continua sustentando a percepção de bem-estar entre os finlandeses

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Finlândia enfrenta estagnação econômica, desemprego crescente e contas públicas pressionadas mesmo após oito anos como país mais feliz do mundo.
  • O colapso da Nokia, as sanções à Rússia e a instabilidade no comércio global contribuíram para o enfraquecimento da economia finlandesa.
  • O estado de bem-estar social continua sendo o principal fator para manter altos níveis de satisfação mesmo com cortes em benefícios.
  • Relatório aponta que confiança institucional e serviços públicos sólidos sustentam o bem-estar dos finlandeses apesar da crise.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Finlândia lidera o ranking mundial de felicidade desde 2017
Finlândia lidera o ranking mundial de felicidade desde 2017 Merja Partanen/Pixabay

A Finlândia enfrenta estagnação econômica, aumento do desemprego e pressão sobre as contas públicas, mas ainda assim manteve pelo oitavo ano seguido o título de país mais feliz do mundo no Relatório Mundial da Felicidade. O contraste entre o desempenho econômico e a satisfação dos cidadãos tem sido tema de debate entre especialistas e moradores do país.

A economia finlandesa patina desde o colapso do negócio de telefonia da Nokia em 2014, que reduziu exportações e deixou o país mais vulnerável. O impacto das sanções impostas à Rússia por causa da guerra na Ucrânia atingiu setores como turismo e comércio. A incerteza global sobre tarifas agravou o cenário. O Banco da Finlândia prevê crescimento de apenas 0,3% este ano. O desemprego alcançou 10,3% em outubro e atingiu 22,4% entre jovens de quinze a vinte e quatro anos, o nível mais alto em pelo menos quinze anos.


Mesmo nesse ambiente, o país lidera o ranking mundial de felicidade. Pesquisadores atribuem o resultado principalmente à força do estado de bem-estar social, que oferece redes de proteção amplas e acesso a serviços públicos. Esse sistema, no entanto, passa por cortes para compensar o aumento dos custos sociais em razão do envelhecimento da população.

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O finlandês Juho-Pekka Palomaa, de trinta e três anos, vive o impacto direto da crise. Ele completou mil dias de desemprego e marcou a data com um protesto levando a própria refeição às escadarias do parlamento. Ele afirma que o apoio estatal foi decisivo para atravessar o período. Ele diz que “é grato por a Finlândia ter uma rede de segurança e previdência social que o apoiaram financeiramente” e que “talvez não esteja mais infeliz do que antes”. Mesmo assim, relata frustração após enviar inúmeras candidaturas de emprego e participar de onze entrevistas sem sucesso. Ele reclama que auxílios foram reduzidos enquanto pensões permanecem intocadas. Ele afirma que “não sente que haja muito o que possa fazer para mudar a situação”.


O futuro das contas públicas deve aumentar a pressão. A Comissão Europeia avalia incluir o país no Procedimento de Défice Excessivo, já que projeta que o défice finlandês permanecerá acima do limite de 3% da União Europeia pelos próximos três anos.

Mesmo diante das dificuldades, o relatório de felicidade indica que fatores como confiança institucional, estabilidade social e acesso a serviços públicos continuam sustentando a percepção de bem-estar entre os moradores. A combinação entre desigualdade reduzida e políticas sociais ainda robustas explica por que a Finlândia segue no topo da lista, mesmo num momento de incertezas econômicas.

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