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Como as armas chinesas transformaram a guerra entre Camboja e Tailândia

As remessas, distribuídas em 42 contêineres, incluíram quase 700 projéteis para lançadores BM-21 de origem soviética e sistemas de fabricação chinesa

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A guerra entre Camboja e Tailândia em julho teve a participação decisiva da China com o envio de armas.
  • Aeronaves chinesas Y-20 transportaram diversos tipos de munições e equipamentos para o Camboja antes dos confrontos.
  • A origem chinesa dos armamentos foi evidente nos ataques, resultando em 40 mortes e centenas de milhares de deslocados.
  • A China se tornou o principal fornecedor de armas para o Camboja, promovendo relações militares estreitas nos últimos anos.

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O PHL-03 é um lançador múltiplo de foguetes desenvolvido pela China e enviado ao Camboja
O PHL-03 é um lançador múltiplo de foguetes desenvolvido pela China e enviado ao Camboja Reprodução/X

A guerra de cinco dias entre Camboja e Tailândia, em julho, foi marcada por uma presença decisiva da China. Documentos de inteligência tailandeses, obtidos pelo New York Times, mostram que aeronaves militares chinesas Y-20 desembarcaram em Sihanoukville, no sudoeste cambojano, entre 21 e 23 de junho, semanas antes do início dos confrontos. Os voos transportaram foguetes, projéteis de artilharia e morteiros, armazenados na Base Naval de Ream e depois deslocados para a fronteira disputada.

As remessas, distribuídas em 42 contêineres, incluíram quase 700 projéteis para lançadores BM-21 de origem soviética e sistemas de fabricação chinesa Tipo 90B e PHL-03, além de munição para obuses autopropulsados SH-1 e metralhadoras antiaéreas. O carregamento foi considerado incomum por analistas. “Esse nível de reabastecimento rápido claramente não era algo normal”, avaliou Anthony Davis, da publicação de defesa Janes, em Bangkok.


O Camboja vinha se preparando havia meses para o conflito, diz o jornal. Construiu estradas, fortaleceu posições e ergueu uma base militar próxima ao templo Preah Vihear, epicentro da disputa. O movimento alterou o equilíbrio de forças. “Todas as evidências sugerem que houve uma decisão coordenada pela liderança cambojana nos meses e anos que antecederam os confrontos para mudar o status quo”, disse Nathan Ruser, do Instituto Australiano de Política Estratégica.

Questionado, o tenente-general Rath Dararoth, secretário de Estado da Defesa do Camboja, não negou os envios de armas da China, mas afirmou que os documentos tailandeses eram “enganosos” e que os movimentos coincidiram com um exercício militar conjunto concluído semanas antes.


Leia mais:

No campo de batalha, a origem chinesa do arsenal cambojano ficou evidente. A Fortify Rights afirmou que a maioria dos foguetes usados contra quatro províncias tailandesas, que atingiram um posto de gasolina, um hospital e casas, era de fabricação chinesa. Pelo menos 13 civis morreram no primeiro dia.

A Tailândia respondeu com bombardeios de jatos F-16, impondo superioridade aérea. O conflito terminou com 40 mortos, centenas de milhares de deslocados e a constatação de que o apoio chinês permitiu ao Camboja prolongar os combates.


Apesar de ter atuado nas negociações do cessar-fogo, a China enfrenta questionamentos sobre seu papel na região. Desde 2011, quando o Camboja rapidamente ficou sem munição em uma disputa anterior, Pequim tornou-se seu principal fornecedor. Foram mais de US$ 100 milhões em ajuda militar em 2018 e nove anos de exercícios conjuntos. Hoje, a maior parte do arsenal cambojano é chinês.

Perguntas e Respostas

 

Qual foi o contexto da guerra entre Camboja e Tailândia em julho?

 

A guerra de cinco dias entre Camboja e Tailândia foi marcada pela presença significativa da China, com documentos de inteligência tailandeses indicando que aeronaves militares chinesas Y-20 desembarcaram em Sihanoukville, Camboja, entre 21 e 23 de junho, semanas antes dos confrontos. Essas aeronaves transportaram armas, incluindo foguetes e projéteis de artilharia, que foram armazenados na Base Naval de Ream e depois deslocados para a fronteira disputada.

 

Quais armas foram enviadas ao Camboja antes do conflito?

 

As remessas incluíram quase 700 projéteis para lançadores BM-21 de origem soviética, sistemas de fabricação chinesa Tipo 90B e PHL-03, além de munição para obuses autopropulsados SH-1 e metralhadoras antiaéreas. Analistas consideraram o nível de reabastecimento rápido como incomum.

 

Como o Camboja se preparou para o conflito?

 

O Camboja se preparou para o conflito ao longo de meses, construindo estradas, fortalecendo posições e erguendo uma base militar próxima ao templo Preah Vihear, que é o epicentro da disputa. Essa preparação alterou o equilíbrio de forças na região.

 

Qual foi a resposta do Camboja às acusações sobre o envio de armas?

 

O tenente-general Rath Dararoth, secretário de Estado da Defesa do Camboja, não negou os envios de armas da China, mas afirmou que os documentos tailandeses eram "enganosos" e que os movimentos coincidiram com um exercício militar conjunto que havia sido concluído semanas antes.

 

Qual foi o impacto das armas chinesas no campo de batalha?

 

A origem chinesa do arsenal cambojano ficou evidente, com a Fortify Rights afirmando que a maioria dos foguetes usados contra quatro províncias tailandesas era de fabricação chinesa. O conflito resultou em pelo menos 40 mortos e centenas de milhares de deslocados, com a constatação de que o apoio chinês permitiu ao Camboja prolongar os combates.

 

Qual foi o papel da China nas negociações de cessar-fogo?

 

A China atuou nas negociações do cessar-fogo, mas enfrenta questionamentos sobre seu papel na região. Desde 2011, a China se tornou o principal fornecedor de armas do Camboja, com mais de US$ 100 milhões em ajuda militar em 2018 e nove anos de exercícios conjuntos, resultando na predominância do arsenal cambojano ser de origem chinesa.

 

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