Corpos contaminados e ‘zonas quentes’: planos mostram como Londres reagiria a ataque nuclear
Documentos secretos obtidos pelo The Sun detalham gestão de corpos, descontaminação em massa e evacuação de sobreviventes
Internacional|Do R7

Documentos secretos revelam planos detalhados de como o governo de Londres se prepararia para lidar com um ataque nuclear. As informações foram obtidas e publicadas pelo jornal britânico The Sun no último sábado (19).
Os quatro documentos, que somam mais de 200 páginas, foram acessados por meio das leis de Liberdade de Informação britânicas e mostram estratégias para gerenciar milhares de mortes, descontaminar sobreviventes e coordenar uma resposta emergencial em meio ao caos.
As informações surgem no momento em que Reino Unido, França e Alemanha coordenam a ampliação do poderio militar e estratégico da Europa diante do conflito entre Rússia e Ucrânia e da diminuição do envolvimento dos Estados Unidos na segurança europeia.
De acordo com os documentos, elaborados pelo London Resilience Group, órgão responsável por coordenar a preparação e a resposta a emergências na capital britânica, um ataque nuclear exigiria ações imediatas.
As agências envolvidas implementariam “medidas de controle urgentes” para evitar exposição à radiação, evacuar pessoas, oferecer abrigo e restringir o acesso às áreas afetadas, chamadas de “zonas quentes”. Alertas de emergência seriam emitidos pelo governo para informar a população sobre ameaças graves à vida.
Os planos abordam incidentes químicos, biológicos, radiológicos, nucleares ou com explosivos.
Em caso de muitas vítimas, um “Grupo de Coordenação de Fatalidade em Massa” seria ativado para gerenciar a recuperação e identificação de corpos, enquanto um “Grupo de Gestão de Mortalidade” coordenaria o manejo de mortes em excesso, incluindo a repatriação de restos mortais.
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Um dos pontos que mais chamam atenção nos documentos é a descrição do processo de descontaminação. Sobreviventes seriam separados por gênero, despidos e submetidos a três tipos de descontaminação: inicial, em massa e clínica.
A descontaminação inicial usaria métodos imediatos para reduzir a exposição a materiais radioativos. Caso o número de pessoas afetadas sobrecarregasse o Serviço Nacional de Saúde (NHS), o Corpo de Bombeiros de Londres iniciaria a descontaminação em massa.
Os documentos alertam que mesmo após a descontaminação, órgãos internos dos corpos ainda poderiam representar riscos. Patologistas especializados usariam equipamentos de proteção para lidar com restos mortais contaminados, desde o transporte até o sepultamento.
Ação dos bombeiros e primeiros socorristas
O Corpo de Bombeiros de Londres teria um papel central, com equipes treinadas para entrar nas “zonas quentes” e realizar descontaminação emergencial em massa.
Equipados com instrumentos para monitoramento de radiação, os bombeiros também protegeriam o meio ambiente.
Os primeiros socorristas usariam o protocolo METHANE (sigla em inglês para Incidente Grave, Localização Exata, Tipo de Incidente, Perigos, Acesso, Número e Gravidade das Vítimas e Serviços de Emergência) para avaliar e gerenciar a cena do incidente.
Evacuação e apoio aos sobreviventes
Após a explosão, um “Centro de Recepção de Sobreviventes” seria criado para coordenar contramedidas médicas, fornecer comida e organizar transporte.
A polícia controlaria o acesso às áreas isoladas, enquanto o NHS gerenciaria pessoas contaminadas ou com medo de contaminação.
Igrejas e grupos religiosos ofereceriam apoio emocional, e um “Grupo Diretor de Assistência Humanitária” atenderia às necessidades de curto, médio e longo prazo, incluindo saúde mental para sobreviventes e trabalhadores da linha de frente.
Planejamento de longo prazo e recuperação
A recuperação após um ataque nuclear poderia levar meses ou até anos. Um “Grupo de Coordenação de Recuperação” trabalharia para reconstruir Londres, envolvendo escolas, empresas e organizações voluntárias.
A descontaminação de edifícios e do meio ambiente seria liderada pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (DEFRA), com apoio de especialistas do Estabelecimento de Armas Atômicas (AWE), que é gerenciado pelo Ministério da Defesa.
O NHS coordenaria cuidados de saúde, distribuindo antídotos e tratamentos para prevenir doenças como o câncer de tireoide. Um serviço de rastreamento de contatos, semelhante ao usado durante a pandemia de Covid-19, identificaria pessoas expostas à radiação.
Segurança nacional e sigilo
Partes dos planos foram suprimidas por razões de segurança nacional, sugerindo que a realidade pode ser ainda mais grave, de acordo com o The Sun.
Reuniões de resposta ao ataque seriam classificadas como ultrassecretas, realizadas presencialmente, sem conferências remotas.
Um Grupo Consultivo Científico para Emergências (SAGE) e uma Célula de Aconselhamento Científico e Técnico (STAC) forneceriam orientações sobre saúde pública, segurança e monitoramento de contaminantes.
Segundo o The Sun, os documentos afirmam que Rússia, China e Irã apresentam ameaças à segurança britânica, embora os planos considerem improvável um ataque nuclear desses países contra o Reino Unido.
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