Criaturas marinhas desenvolvem ‘truques’ para sobreviver a 9.500 m de profundidade
Nas fossas oceânicas mais profundas, expedição descobre que organismos usam reações químicas para prosperar sem luz solar
Internacional|Do R7
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A quase 10 mil metros abaixo da superfície do oceano, há um mundo sem luz solar, onde a escuridão é total e a pressão, esmagadora. Surpreendentemente, cientistas descobriram que algumas criaturas conseguem se desenvolver mesmo diante dessas condições hostis.
Um estudo publicado por pesquisadores chineses na revista Nature, no último mês de julho, revela um ecossistema vibrante nas fossas de Kuril-Kamchatka e Aleutas, entre a Rússia e o Alasca, onde micróbios, vermes tubulares e moluscos sobrevivem usando “truques” químicos para gerar energia.
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A geoquímica Mengran Du, do Instituto de Ciência e Engenharia do Mar Profundo da Academia Chinesa de Ciências, foi quem liderou a expedição, a bordo do submersível Fendouzhe.
Explorando as chamadas zonas hadais, a até 9.533 metros de profundidade, ela se deparou com um trecho de 2.500 km repleto de vida. “A vida precisa de truques para sobreviver e prosperar”, disse Du à rede norte-americana CNN.
A equipe de Du descobriu espécies de moluscos e vermes tubulares nunca antes vistos em profundidades tão grandes. Para se ter noção, essas regiões estão entre as menos exploradas do planeta.
Segredo da sobrevivência
O segredo da sobrevivência dessas criaturas está na quimiossíntese, um processo em que bactérias que vivem dentro de vermes e moluscos transformam metano e sulfeto de hidrogênio — liberados por rachaduras no fundo do mar, conhecidas como infiltrações frias — em energia e alimento.
Análises dos sedimentos coletados revelaram altas concentrações de metano, produzido por micróbios que convertem matéria orgânica em dióxido de carbono e, depois, em metano.
Essa descoberta derruba a ideia de que os ecossistemas abissais dependem apenas de restos orgânicos, como partículas de animais mortos, que caem da superfície. Em vez disso, os micróbios criam uma fonte local de alimento, sustentando organismos maiores, como moluscos.
“As fossas hadais não são apenas reservatórios de metano, mas também centros de reciclagem”, afirmou Du, em referência ao papel dessas regiões no ciclo do carbono.
O estudo também aponta que os sedimentos das zonas hadais podem armazenar até 70 vezes mais carbono orgânico do que o fundo do mar ao redor, funcionando como sumidouros de carbono.
Isso é crucial para o planeta, já que metano e dióxido de carbono são gases de efeito estufa que intensificam o aquecimento global.
Com base nas semelhanças geológicas com outras fossas hadais, os cientistas acreditam que ecossistemas quimiossintéticos como esse podem estar espalhados por outros pontos do oceano profundo.
Quais descobertas foram feitas sobre criaturas marinhas em profundidades extremas?
Cientistas descobriram que algumas criaturas conseguem se desenvolver a quase 10 mil metros abaixo da superfície do oceano, em um ambiente sem luz solar e com alta pressão. Um estudo publicado na revista Nature revelou um ecossistema vibrante nas fossas de Kuril-Kamchatka e Aleutas, onde microrganismos, vermes tubulares e moluscos sobrevivem utilizando reações químicas para gerar energia.
Quem liderou a expedição e qual foi o foco da pesquisa?
A expedição foi liderada pela geoquímica Mengran Du, do Instituto de Ciência e Engenharia do Mar Profundo da Academia Chinesa de Ciências. A equipe explorou as zonas hadais, chegando a 9.533 metros de profundidade, e encontrou um trecho de 2.500 km repleto de vida.
Que tipo de organismos foram encontrados e qual é o seu segredo de sobrevivência?
A equipe descobriu espécies de moluscos e vermes tubulares nunca antes vistos em tais profundidades. O segredo da sobrevivência dessas criaturas está na quimiossíntese, um processo em que bactérias que vivem dentro dos vermes e moluscos transformam metano e sulfeto de hidrogênio, liberados por fissuras no fundo do mar, em energia e alimento.
Como os microrganismos contribuem para o ecossistema abissal?
Análises dos sedimentos coletados mostraram altas concentrações de metano, produzido por microrganismos que convertem matéria orgânica em dióxido de carbono e, posteriormente, em metano. Essa descoberta desafia a ideia de que os ecossistemas abissais dependem apenas de restos orgânicos que caem da superfície, mostrando que os microrganismos criam uma fonte local de alimento para organismos maiores.
Qual é a importância das fossas hadais no ciclo do carbono?
As fossas hadais não são apenas reservatórios de metano, mas também centros de reciclagem. O estudo indica que os sedimentos dessas zonas podem armazenar até 70 vezes mais carbono orgânico do que o fundo do mar ao redor, funcionando como sumidouros de carbono, o que é crucial para o planeta, considerando que metano e dióxido de carbono são gases de efeito estufa que contribuem para o aquecimento global.
Os cientistas acreditam que existem outros ecossistemas semelhantes?
Sim, com base nas semelhanças geológicas com outras fossas hadais, os cientistas acreditam que ecossistemas quimiossintéticos como esse podem estar espalhados por outros pontos do oceano profundo.
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