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Curdos lutam contra o esquecimento da tragédia de Anfal

Internacional|Do R7

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Enrique Rubio. Erbil (Iraque), 14 mar (EFE).- Embora a prosperidade atual possa diminuir a lembrança, há apenas 25 anos as tropas de Saddam Hussein atacavam com armas químicas a população do Curdistão iraquiano, que hoje reivindica que esse massacre sistemático seja considerado um genocídio. O regime de Bagdá a chamou de Operação Anfal. Sob esse nome, tomado de um capítulo do Corão e que significa "botim de guerra", o primo de Saddam, Ali "O Químico", orquestrou uma campanha que alcançou seu paroxismo no ataque contra a aldeia de Halabja, na qual mais de cinco mil civis sucumbiram ao gás mostarda e ao gás sarin. "A tragédia de Anfal é enorme e suas feridas muito profundas", disse nesta quinta-feira o presidente da região autônoma do Curdistão, Massoud Barzani, em uma conferência internacional para lembrar o 25º aniversário da operação e exigir ao mundo que seja reconhecida política e legalmente como genocídio. Até o momento, Reino Unido, Suécia e Noruega já lhe outorgaram essa denominação, além de algumas organizações como Human Rights Watch. O ministro para Assuntos de Mártires e da Anfal dos curdos, Aram Ahmed Mohammed, explicou à Agência Efe que sua intenção é agora conseguir que o Parlamento Europeu e o Congresso americano façam o mesmo, para acabar levando o pedido perante a ONU, mesmo detectando "alguns casos de negacionismo". O temor que o regime de Bashar al Assad na vizinha Síria possa recorrer ao uso de armas químicas contra sua própria população concede maior atualidade ainda ao pesadelo curdo. "O reconhecimento do genocídio curdo é importante como advertência para que outros ditadores pensem duas vezes antes de fazer o mesmo", refletiu Mohammed. Em uma imprevista mensagem dirigida à conferência, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, uniu-se às advertências contra Damasco. "As feridas de Anfal ainda sangram, são uma mancha negra na história da humanidade", comentou Erdogan na mensagem, na qual lembrou que os sírios "estão sofrendo o assassinato" e defendeu a eliminação de todas as armas de destruição em massa na região. Durante sete meses ao longo de 1988, a aviação e as tropas iraquianas bombardearam sem clemência povos e aldeias do Curdistão, na fase mais aguda da operação, que no total se prolongou entre 1987 e 1989. As organizações de direitos humanos elevam para 180 mil os mortos nesta campanha, após a qual só foram recuperados três mil corpos, segundo Barzani. "Continuaremos buscando os demais, que seguem enterrados em valas comuns no deserto do Iraque", declarou. Em um momento de crise política e tensas relações com Bagdá, Barzani exonerou de culpa o governo central -"sabemos que não é o responsável"-, mas lembrou que segue tendo suas obrigações legais. E, embora tenha assegurado sentir hoje o respaldo da comunidade internacional, destacou que há países e empresas que ajudaram a desenvolver as armas químicas que acabaram com mulheres e crianças em Halabja. Um lobby americano vinculado com o Partido Republicano anunciou durante a conferência sua intenção de apresentar processos contra 20 empresas por sua participação na elaboração do armamento químico. O chamado Global Justice Group convidou às companhias envolvidas a participar de um fórum internacional, em outubro na cidade holandesa de Haia, no qual se discutirá o reconhecimento e as possíveis indenizações às vítimas se quiserem evitar os tribunais. A maioria das companhias, cuja identidade não foi revelada, é da antiga República Federal Alemã, mas também há francesas, espanholas, americanas, holandesas ou japonesas. "Minha mensagem ao povo curdo é esta: Não devemos esquecer o passado, mas isso não deve levar à vingança, temos que avançar", finalizou Barzani, líder de uma região que não oculta seu progresso, impulsionada pelos petrodólares e os investimentos estrangeiros. EFE er/rsd (vídeo)

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