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EUA e China ensaiam reaproximação, mas deixam tensões estratégicas intactas

Trump saiu de Pequim com relação ‘estabilizada’ com Xi, mas sem avanços concretos em comércio e Irã

Internacional|Betsy Klein, Simone McCarthy e Kristen Holmes, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Trump e Xi se reuniram em Pequim, tentando estabilizar relações entre EUA e China.
  • Discussões abordaram temas como comércio, Irã e Taiwan, mas sem avanços concretos.
  • Ambos os líderes apresentaram elogios mútuos, indicando um movimento em direção à estabilização.
  • Trump retorna com promessas vagas de acordos comerciais, sem compromissos firmes da China.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Donald Trump
Xi e Trump se aproximaram, mas impasses persistem após encontro na China Evan Vucci/Pool/Reuters - 15.05.2026

O presidente Donald Trump deixou Pequim na madrugada de sexta-feira (15), no horário de Brasília, sem qualquer sinal imediato de que Estados Unidos e China tenham resolvido os espinhosos desafios que marcam sua relação conturbada, mas com um relacionamento recém-estabilizado com o líder chinês Xi Jinping — por ora.

Os líderes abordaram uma série de temas, de Irã e Taiwan ao comércio, durante dois dias que incluíram intensas reuniões bilaterais. Também houve grandes demonstrações de diplomacia simbólica, marcando o primeiro encontro em Pequim entre os rivais de longa data em quase uma década.


Desde a última visita de Trump, em 2017, ele reformulou o papel de Washington no mundo, enquanto Xi consolidou seu poder internamente e impulsionou a transformação tecnológica da China.

“Resolvemos muitos problemas diferentes que outras pessoas não teriam conseguido resolver, e a relação é muito forte”, disse Trump no início das discussões bilaterais na sexta-feira, sem oferecer detalhes concretos sobre quais problemas seriam esses.


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Falando a bordo do Air Force One ao deixar a China, Trump revelou que ele e Xi discutiram Taiwan e as vendas de armas dos EUA à ilha “em grande detalhe”.

“Nós discutimos Taiwan, toda a questão das vendas de armas, em grande detalhe, de fato, e eu tomarei decisões, mas, sabe, acho que a última coisa de que precisamos agora é de uma guerra a 15 mil quilômetros de distância”, afirmou.


Questionado por repórteres se os Estados Unidos defenderiam Taiwan em caso de conflito com a China, Trump evitou responder diretamente, dizendo que Xi havia feito a mesma pergunta a ele mais cedo naquele dia.

Diante de quão deterioradas estavam as relações nos últimos anos, o fato de ambos os líderes saírem do encontro falando em termos elogiosos um do outro e concordando sobre a importância dos laços é um sinal de um movimento de estabilização, num momento em que um mundo apreensivo busca desesperadamente por calma geopolítica.


A guerra entre EUA e Israel contra o Irã pairou sobre a cúpula de ritmo acelerado. Surgiram questionamentos sobre que tipo de apoio, se é que algum, Xi poderia oferecer nos bastidores para ajudar a pôr fim ao conflito de meses, que lançou a economia global em turbulência sem um desfecho claro.

Os detalhes dos amplos acordos comerciais prometidos por Trump antes da viagem permanecem incertos, com grandes anúncios do presidente e de algumas autoridades, mas sem confirmações concretas por parte da China.

E, em meio a preocupações de especialistas e analistas de que Xi entrava no encontro em vantagem, o líder chinês também fez sua própria demonstração de força ao tratar da questão de Taiwan.

Ainda assim, a visita ofereceu uma oportunidade de redefinir o tom da relação conflituosa entre EUA e China, com Xi estendendo literalmente e simbolicamente o tapete vermelho, encantando e agradando seu convidado, com uma conexão cordial em evidência.

“Acho que isso será lembrado como um momento muito importante na história. E talvez, acima de tudo, um grande momento de respeito”, refletiu Trump em entrevista à Fox News.

Guerra com o Irã marcou a visita

Antes das conversas, havia grande expectativa de que o presidente americano pudesse pressionar seu homólogo chinês a ajudar a resolver o conflito com o Irã.

A China é uma parceira diplomática próxima do Irã e o principal comprador de seu petróleo — e tem se posicionado como defensora da paz durante a guerra. O tema foi parte das mais de duas horas de discussões entre os líderes na quinta-feira, mas Trump deixou Pequim sem qualquer sinal claro de que o país esteja disposto a pressionar Teerã a atender às exigências dos EUA.

Em vez disso, declarações de ambos os lados até agora sugerem que a cúpula pouco alterou o cenário.

Trump disse à Fox News que Xi ofereceu ajuda para resolver o conflito e prometeu não fornecer equipamento militar ao Irã. Já o secretário de Estado Marco Rubio afirmou, em entrevista à NBC News na quinta-feira, que os EUA não pediram ajuda da China para resolver a questão.

Um comunicado da Casa Branca também afirmou que os dois países concordaram que o estreito de Ormuz deve permanecer aberto e que o Irã nunca pode possuir uma arma nuclear.

Também indicou que Xi “deixou clara a oposição da China à militarização do estreito e a qualquer tentativa de cobrar pedágio por seu uso”, além de sugerir que o país compraria mais petróleo dos Estados Unidos.

Um possível acordo energético entre EUA e China pode estar sendo discutido, com Pequim — que importa grandes quantidades de petróleo iraniano — comprando mais suprimentos americanos. No entanto, ainda não está claro se as conversas entre Trump e Xi terão impacto no conflito, já que Pequim parece ter reiterado sua posição já conhecida.

A China já prometeu repetidamente fazer o possível para facilitar negociações de paz. No mês passado, Xi declarou que o estreito de Ormuz deve “manter a passagem normal”. Como política, a China afirma não fornecer armas a países em conflito.

Pequim apoia o compromisso declarado do Irã de não desenvolver armas nucleares, embora defenda o direito do país a um programa nuclear pacífico.

A China também reforçou sua própria narrativa sobre a guerra em um comunicado divulgado por seu Ministério das Relações Exteriores na manhã de sexta-feira, afirmando que ela “jamais deveria ter acontecido” e que sua posição é “muito clara”.

Trump, por sua vez, pareceu reconhecer limites na pressão que Pequim provavelmente exercerá sobre o Irã.

“Veja, ele não vai entrar com armas… não vai entrar atirando”, disse à Fox News ao ser questionado sobre se Xi influenciaria os iranianos. “Ele tem sido muito bom.”

Tensões com Taiwan e um aviso

Por sua vez, Xi aproveitou a presença de Trump em seu território para fazer um alerta explícito sobre Taiwan — tema que classificou como o “mais importante” nas relações entre EUA e China.

“Se for tratado adequadamente, o relacionamento bilateral terá estabilidade geral”, disse Xi durante o encontro de quinta-feira, segundo comunicado chinês. “Caso contrário, os dois países terão confrontos e até conflitos, colocando toda a relação em grande risco.”

A linguagem — considerada incomumente direta, embora alinhada à retórica esperada de Pequim — se destaca em contraste com a avaliação mais otimista da China sobre uma nova era de “estabilidade estratégica” entre os dois países promovida por Xi.

A mensagem foi clara: Pequim deseja uma relação positiva, mas apenas se os EUA respeitarem o que considera sua “linha vermelha” sobre Taiwan.

O Partido Comunista Chinês reivindica a democracia autônoma como parte de seu território e prometeu “reunificá-la”, pela força se necessário. Há anos critica o relacionamento robusto, embora não oficial, dos EUA com Taipei e as vendas de armas à ilha.

Apesar das preocupações de alguns observadores de que Xi pudesse tentar influenciar Trump a alterar a posição dos EUA sobre Taiwan — ou que Trump usasse a ilha como moeda de barganha —, Rubio afirmou que a posição americana permanece “inalterada”.

Falando à NBC, ele disse que o tema foi abordado, ambos os lados apresentaram seus pontos de vista e depois “seguiram para outros tópicos”.

“Sempre respondemos dizendo que qualquer coisa que force ou imponha uma mudança em nossa posição atual seria problemática”, afirmou. Ele acrescentou que a questão das vendas de armas “não teve destaque” nas discussões.

Comércio e economia dão vitória a Trump em casa

Trump volta à Casa Branca com algumas vitórias econômicas que, até o momento, carecem de substância diante da ausência de anúncios formais ou confirmação por parte da China.

O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse que o governo espera que a China concorde em comprar bilhões de dólares em produtos agrícolas americanos por ano durante os próximos três anos, como resultado da viagem.

Porém, em relação a produtos específicos, o secretário do Tesouro Scott Bessent afirmou, em entrevista à CNBC, que não haverá novas compras de soja, destacando que isso já foi resolvido em um acordo anterior com a China.

Greer também disse à Bloomberg que a China renovou licenças para exportação de carne bovina americana, embora não tenha especificado quantas.

Trump ainda anunciou que Xi concordou em comprar 200 aviões da Boeing. O CEO da empresa integrou a delegação americana na China.

Pequim, no entanto, ainda não confirmou nenhum dos acordos citados. Em comunicado, a China defendeu ampliar a “cooperação e intercâmbio” em áreas como economia, comércio, saúde, agricultura e turismo.

Pompa, cerimônia e um improvável entrosamento diplomático

Trump, ex-astro de reality show, é extremamente atento à imagem e valoriza encenações tanto como anfitrião em Washington quanto como visitante no exterior.

Xi cumpriu esse papel.

Ele enviou o vice-presidente Han Zheng para receber Trump no aeroporto na noite de quarta-feira. Han é visto como emissário de Xi em eventos diplomáticos e sua presença sinalizou a importância da visita.

Questionado, Trump disse à Fox News que interpretou o gesto como sinal de respeito.

“Se eu descesse do avião e não houvesse ninguém para me receber, eu diria que isso não seria nada bom, porque isso é respeito ao nosso país”, afirmou.

Na quinta-feira, Trump recebeu uma recepção ainda mais elaborada no Grande Salão do Povo, com bandas militares, inspeção de tropas e crianças acenando com bandeiras e flores. O presidente americano demonstrou grande entusiasmo.

“Fomos muito bem tratados”, disse depois.

Trump também demonstrou deferência rara a Xi, adotando postura incomum, por exemplo, ao ignorar perguntas de jornalistas durante um passeio pelo Templo do Céu.

Ele também brindou com taça de champanhe em um banquete oficial, apesar de não consumir álcool, em um gesto simbólico ao anfitrião.

Antes de uma reunião no complexo de Zhongnanhai na sexta-feira, Xi levou Trump para conhecer seus jardins e fez referências históricas carregadas de significado.

Poucos líderes mundiais têm acesso ao complexo reservado do Partido Comunista Chinês. Xi fez questão de dizer que o convite era uma forma de retribuir uma visita anterior a Mar-a-Lago.

No conjunto, o cuidadoso cerimonial chinês cumpriu seu objetivo de transmitir estabilidade na relação bilateral.

Durante toda a visita, Trump expressou admiração por Xi e por sua forma de agir.

“Ele não reage muito — é um cara bem tranquilo. Não vai dizer ‘esse é um bom ponto’”, disse.

E concluiu: “Não há jogos, não há conversa fiada sobre o clima ou as estrelas. Não — ele é totalmente focado em negócios, e eu gosto disso. Isso é algo bom. Sem jogos.”

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